Arquivo da categoria: maria prata

PENSE MODA: UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS

Pra mim essa é a imagem síntese do Pense Moda. Sinto um certo analfabetismo na leitura de imagens de grande parte dos fashionistas e digo isso com muita tranquilidade e sem querer me sentir superior a ninguém, porque sei que me alfabetizei em décadas de cinema, artes plásticas, vídeos, televisão e estudo teórico e muita discussão.
E quando digo que o vídeo é mais do que apenas editores, stylists e fotógrafos entediados com um discurso vazio e clichê, é porque ele é muito mais revelador e formador de um pensamento do que podemos supor e é diametralmente oposto do que disse um e-mail que o Ricardo Oliveros recebeu, me enviou – e parece que concordou – e que dizia o seguinte:

“Desculpe a intromissão, mas eu acho que se os blogs querem discutir o assunto, é legal que seja com os pés no chão e de forma madura, como vc está dizendo. O que eu vejo é que às vezes fica uma discussão superficial, infantil, tipo aquele vídeo que o Oficina de Estilo colocou, com a cara de tédio das pessoas, que é absolutamente irrelevante. Daí cai naquela coisa mundinho pequeno da moda, de fofoquinha, veneninho…discussão que não leva a nada! Fica parecendo papo de comadre, sabe?! Mostra total desconhecimento de causa mesmo. E o foco principal se perde”.

Se o exemplo para a perda de foco é o vídeo do Oficina, acho que esse comentário está com a visão embaçada. Desculpe, não há nada de superficial e nada de infantil nesse vídeo e muito menos de irrelevante. Não há nada de fofoquinha, veneninho nem no vídeo nem nos comentários – por mais que o humor possa confundir as idéias de uma “discussão séria”.
Bom, vamos analisá-lo rapidamente. O vídeo é composto por duas panorâmicas e meia [pan = movimento feito sobre o mesmo eixo horizontal ou verticalmente].
A pan na linguagem visual tem um sentido de abrangência, ela pretende captar o todo que está além do quadro, tornar visível aquilo que está no limite do quadro, alargar esse limite. Um grande cineasta francês dizia que fazer uma pan é um ato de inclusão.
Nesse sentido a platéia, essa 4ª parede, também acaba simbolicamente estando no quadro. Somos nós, ou donos da cara de tédio ou da voz de discurso clichê, essa escolha é sua.
Mas afinal não foi isso – uma variação desses dois sentimentos – que percebemos em nós e no outro durante todo o Pense Moda, com o ato de pensar.
Esses sentimentos são muito reveladores de nossa faceta. Seja no silêncio do tédio ou da arrogância que não nos permite fazer perguntas diretas por medo de ferir ou estilhaçar esse discurso clichê que todos adoramos compactuar. Seja no discurso fácil, do lugar comum, pra não aborrecer a ninguém.
Fiz questão de mostrar esse vídeo para a minha mãe e saber o que ela achava. Não disse de quem se tratava nem o que era. Ao terminar o vídeo, ela me disse de pronto: “Essa moça [Daniela Falcão – diretora da Vogue] está se defendendo de quem?”. [Entender imagens também é ver com os olhos livres]
Fiquei um pouco perplexo, pois ela dizia aquilo que eu chamei de “blindagem vogue” [Maria Prata, veja o vídeo no Filme Fashion sobre os blogues, também se comportou dessa maneira, só que de maneira mais sutil e elegante]. O que chamo de “blindagem vogue” deve ter seus nomes na psicanálise, mas é uma manobra de fazer o discurso na defensiva, pois se alguém discordar parecerá ataque e – lacanianos me corrijam – assim a fala terá maior aceitação e empatia.
Mas se levarmos essa questão mais a fundo, essa defesa, esse discurso no recuo foi feito por todos nós, em maior ou menor grau. Até pela platéia, por mim inclusive. Foi tudo uma grande pan conceitual!
Na verdade o Pense Moda é muito mais importante do que pensava, pois trata de um entrave, de colocar em xeque posturas, como ser crítico – ter uma visão crítica e individual – se temos tantas amarras profissionais e pessoais?
Se não podemos verdadeiramente falar o que pensamos, ficamos com tédio, se falamos, nosso discurso cai no lugar comum pois não podemos ofender a ninguém. Como sair dessa cilada?
Não há nada de vazio nessas imagens, ela é o nosso mais poderoso reflexo, até porque “Narciso acha feio o que não é espelho”.

PS: A linguagem corporal – ou body language como alguns preferem – do vídeo é incrível e didática, basta ver os braços cruzados e as pernas pra que direção estão cruzadas.
PS1: Tirei o vogue da blindagem por pedidos, mas assim como o Linus Pauling não inventou o diagrama químico, pois ele já existia, as meninas da Vogue não inventaram a blindagem, mas a evidenciram em debates de moda no país, até eu -depois refletindo – fiz blindagem nos debates. Era uma espécie de huómenagem.

Anúncios

PENSE MODA: O QUE É BLOG?

blogsnopensemoda1
No último dia do Pense Moda teve um debate sobre novas mídias, que dado ao caráter da mesa, foi uma discussão sobre blogues. Participaram da mesa Fernanda Resende (Oficina de Estilo), Laura Artigas (Moda Pra Ler), Maria Prata (Prataporter), Ricardo Oliveros (Fora de Moda) e Victoria Ceridono (Dia de Beauté). O mediador foi Paulo Borges que na minha opinião foi o único que entendeu o tempo de uma mediação, além de vir totalmente preparado para o debate – a exceção confirma a regra.
Gentilmente Fernanda Resende logo no começo da palestra me passou a palavra. Eu que estava na platéia expliquei de maneira bem resumida algo que tinha falado no You (B)log. Ali falei da questão da individualidade, da voz do indivíduo, da “vitória” do Ocidente por essa aposta no indivíduo, da moda como expressão do indivíduo, do blog como tal expressão e por isso do feliz casamento e o grande interesse pelo chamado blog de moda, mesmo os blogues de culinária, esporte e sexo terem uma audiência muito mais avassaladora, mas os blogues de moda sim, hoje interferem e influem no terreno de moda, como os outros blogues ainda não conseguiram.
Posto isso, perguntei o que era blog e todos na mesa concordaram que era uma expressão do indivíduo
na internet. Emendendo quis saber se blogues de marca podem ser considerados blogues e se o chamado Blog da Lilian – que tem uma equipe que escreve e não assina, fazendo uma grande voz em coro – era mesmo blog.
Bom, antes de mais nada, pros filhos bastardos do jornalismo pop dos anos 80 que acham demodé pensar, é importante nominar até pra não saber nominar é reduzir seu espectro de linguagem e sua capacidade de alcance REAL sobre o mundo, o eu e a realidade. Mais de 3 mil anos, Sócrates e sua maiêutica, o método que ao chegar ao grau mínimo de um conceito a gente consegue entender porque uma mesa mesmo tendo 4 pernas não é uma cadeira.
Se blog é uma expressão individual, uma marca seria uma expressão individual? Uma marca expressa individualidade?
Se blog é colaborativo, ele é um blog? Se ele manter a exressão de cada um que escreve nele, ele pode ser um blog?
Se um site tem a arquitetura de um blog, ele é um blog?

Parece pueril, mas pensem que um revólver e uma faca podem matar uma pessoa, istoé, parecem ser o mesmo objeto, mas só a faca consegue cortar a carne!

PS: Faltou Alexandra Farah na mesa e isso foi um consenso de muitos que assistiram o debate!

PS1: A discussão continua nos textos interessantes e super inteligentes de Ricardo Oliveros e Jorge Wakabara. Até no Blog da Lilian, minha pergunta gerou muitos comentários.

PS2: Blog é uma abreviação de weblog, qualquer registro frequente de informações pode ser considerado um blog. A maioria das pessoas tem utilizado os blogues como diários pessoais, porém um blog pode ter qualquer tipo de conteúdo e ser utilizado para diversos fins.

NOVOS ENCONTROS

Não é que a moda pode estar mesmo em todo o lugar, entro num banheiro de posto de gasolina e… Surpresa, olha o que encontro colado na parede: depois dizem que a moda não é democrática!

QUANDO PERO VAZ CAMINHA… – A VISITA DE TOM FORD EM TERRAS BRASILIS


Quando as caravelas chegaram ao país deve ter rolado um frisson entre os índios, mas não tão forte como a visita de Tom Ford a São Paulo. 

Era meio irritante até o assunto porque antes da visita, Ele, como disse Maria Prata, canalizava todas as atenções das rodinhas fashionistas e como eu disse no meu pensamento fraco, a evolução não significa progresso…

Nesses momentos eu tenho vergonha da chamada elite do país, tão sem auto-estima, fazendo um papel tão suburbano…

Ao ler as primeiras impressôes, fiquei meio estarrecido com tanta babação de ovo. Mas de repente descobri verdadeiras cartas de Caminha.

Me deliciei lendo Sylvain e Mario Mendes, confesso que achei que eles até, dada a verve e humor de ambos, foram contidos. Mais  encontrei um gosto acre-doce único nas crónicas de Milene Chaves e Maria Prata. Os 4 valem leitura, até porque se um antropólogo no futuro quiser saber o que acontecia nesse rincão poderá ter uma visão mais honesta nesses relatos.

Enfim, não vi Ele, mas adoro pensar que quando voltar ao país, se voltar, terá o  desprezo digno que recebeu Nick Cave, Naomi e todas as estrelas que ficam muito tempo por aqui. A gente é jeca mas é perverso também!

AS EDITORAS E JORNALISTAS DE MODA

 

A Oficina de Estilo fez na semana passada um texto convidando eu, Oliveros, Maria Prata, Luigi e Sylvain para explicarmos qual a importância de ler as editoras  e as jornalistas de moda.

O texto super bem editado falou dessas personalidades que tanto fascinam o mundo da moda lá e aqui na terrinha.

Só o que escrevi daria um post “em si”, por isso abaixo tem tudo o que escrevi sobre elas, as amadas diabas:

 

 

BRASIL

 

O pensamento crítico de moda no Brasil é muito recente. Pensar que deve ter menos de 40 anos que começou a se pensar moda no país e nem era de forma sistemática podemos então visualizar todo um terreno a ser explorado.

A formação de uma corrente crítica de moda passa por diversos problemas: o papel de periferia de idéias que o país ainda se reconhece, o colonialismo cultural, a produção muito recente de semanas de moda etc etc.

Mesmo assim temos desbravadores:

 

Regina Guerreiro – Atualmente escrevendo na Caras Moda, seu destaque é óbvio pois desperta o interesse de em um mundo cheio de festas de medalhas como o da moda brasileira, ela põe o dedo na ferida e fala que não ta nada bom. Apesar de todos saberem, ela é quase única nesse papel de desafiar o coro dos contentes publicamente. Sem medo dos bafos e com muita coragem, já que no mundo fashion os trabalhos são sempre embrenhados com as marcas, ela se livra de certa maneira dessa promiscuidade com um alto teor de humor, não é não, queridinha?

 

Costanza Pascolato – Eu ainda não entendi como não teve nenhum editor ou editora de livros que não pegou os textos únicos que ela escreve na Vogue Brasil e os copilou para um livro de moda. Ali tem muito pensamento de moda e como já escrevi sobre a importância de ler Costanza acredito que “sempre as entrelinhas de seus textos são espaços imensos de reflexão”. 

 

Fernando de Barros – ele não escreve mais na Playboy pois já faleceu, mas desde que abandonou o cinema e invadiu a moda, não deixou de investigar e educar sobre a moda masculina. Então vale pesquisa de seus textos em revistas antigas. Outro que deveria ter seus textos copilados em livro.

 

Com a semana de moda em são Paulo e depois no Rio a crítica começou a crescer.

 

Lílian Pacce – Como já falei em entrevista para o Fora de Moda, ela é minha mestra, então acompanho o trabalho dela bem de perto. Já colaborei em seus cadernos especiais para O Estado. Tem um texto impagável sobre a roupa que Lula e que FHC usaram na visita a Rainha da Inglaterra.mas foi com “Pelo Mundo da Moda – Criadores, Grifes e Modelos” que existe ali uma primeira sistematização de uma editora de moda perceber seu pensamento.

 

Alcino Leite – Intelectual, culto, bem humorado, zeloso e respeitoso em relação ao passado de moda do país, Alcino é sem dúvida leitura obrigatória todas as sextas na Ilustrada, caderno da Folha de São Paulo. Seu último editorial na Revista de Moda do jornal dizia: “Abaixem os preços, democratizem a cultura de moda e parem, então, de reclamar que os brasileiros se vestem tão mal!”, Com certeza, um manifesto da maior importância hoje, sem falar de um que ele defendia as modelos as chamando de operárias do mundo da moda e terminava assim, bem marxista: “Modelos de todo o mundo, uni-vos”. Genial!

Carol Vasone – Um texto independente, explicativo, cheio de idéias, adoro acompanhar o que escreve durante a temporada internacional no site da Uol. Sua rapidez e concisão faz dela uma das principais jornalistas online do país.

 

Alexandra Farah – Outra da internet, tgexto delícia, diversão garantida e informação de moda.

 

Lula Rodrigues – Moda masculina é com ele e o Sylvain, é claro.

 

Apesar de ser no Rio e não ter pouco acesso aos textos,  respeito muito a escrita de Iesa Rodrigues e de Gilda Chatagnier.

 

 

INTERNACIONAL

 

Amo muito Suzy Menkes, principalmente pelo acesso à informação privilegiada e como ela abre o leque com essas informações em seus textos sempre tão bem escritos (fora o topete e o fato de ser obesa, quase um crime no mundo da moda).

 

Ultimamente a jornalista que tenho considerado mais interessante é sem dúvida Cathy Horyn do New York Times, onde exerce aquilo que considero crítica de moda desde 1998. É ainda mais interessante o seu blog, o On the Runway. Numa mesa de fashionistas bacanas, quase boteckers, o fotógrafo Marcelo Gomes levantou a qualidade dela de surpreender e sair do óbvio e da reverência sem criticismo do mundo da moda, como por exemplo: ela teve a coragem de perguntar qual a relevância de Rei Kawakubo hoje, quase uma ofensa aos adeptos do japonismo. Essa liberdade faz com que pague um preço, como ser banida de alguns desfiles como o de Giorgio Armani, mas ao mesmo tempo a faz conseguir cada dia mais leitores, pois sabemos que ali tem um pensamento crítico e sólido. E o mais bacana, sem medo de ficar no lugar comum.

 

 

 

 

SPFW: ME DIGAS POR ONDE ANDAS…

Que eu te direi que és fashionista! 

Sapatilha YSL da editora da Vogue Brasil Maria Prata.

“A primeira Saint Laurent a gente nunca esquece”! 

dsc00126.jpg 

Galocha Marc Jacobs do jornalista Ricardo Oliveros.

“Se chove e o desfle é no Tietê. Faça como Oliveros, vá montada!”

 dsc00172.jpg

Bota cowboy Arezzo da consultora de moda Mariana Rocha

“No faroeste da moda brasileira é bom estar prevenido e com a mão no gatilho”

dsc00178.jpg 

A BLOGOLÂNDIA SE MOVIMENTA

Quem não lê os blogs da Thaís Losso e da Maria Prata deve sentir que falta um pedaço na sua vida fashion pois eles são inteligentes, dinâmicos, divertidos e feitos por duas mulheres de moda que entendem além do assunto.

A fofa da Thais acabou de inaugurar hoje seu novo blog no canal de moda do IG. Vale visita e mensagens de boas vindas.

 mariaprata1.jpg

E Maria Prata prepara lançamento de seu blog com coquetel no lounge da Vogue no São Paulo Fashion Week, dia 16 de janeiro, quarta-feira, ás 19h30.

Depois dizem que blog não tem credibilidade…