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A BIENAL ESTÁ VAZIA!

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Na abertura da Bienal do Vazio confesso que fiquei impactado com o andar dedicado ao nada, ao vazio, à falência do modelo de uma certa arte contemporânea. Saí emocionado mesmo tendo um andar fantasmagórico – o 3º – com os restos da desastrosa Bienal passada, aquela que insistia em atualizar aquele tipo de arte maneirista e sem sentido que é a grande maioria da produção das galerias e dos museus hoje. Enfim, mercadoria travestida de arte!
Fiquei também bem impressionado pela qualidade dos textos e a iniciativa de um jornal de artes semanal sob o comando do jornalista Marcelo Rezende distribuído não só no Pavilhão como em toda a cidade, nos semáforos e nos metrôs.
Por um acaso eu visitei o andar com o ilustrador Fábio Gurjão que ao ver aquela amplidão logo falou: “Vou fazer meu desfile de camisetas aqui assim eu estreio na Bienal e no SPFW ao mesmo tempo e só faço coleção de 2 em 2 anos”.
O espaço convida pra “invasão”, pra algum a forma de ocupação, pois tem um projeto que pede para que ele seja preenchido, aliás essa é a beleza daquele andar vazio, a esperança que algo esta porvir. Todo o blábláblá de Oscar Niemeyer que Ivo Mesquita disse querer ressaltar é mitificação de curadoria, terreno de muitos pajés-pajem do tranca-arte.
No dia seguinte, o inevitável: Pixadores entram pela porta da frente em pequenos grupos, se organizam e pixam o vazio de uma forma bela, cheia de atitude e violência. Eu que estava vendo um vídeo de Marina Abramovic, aquela da performance, se penteando e gritando “art is beautiful”, me deparo com a curadora-adjunta Ana Cohen descabelada, chamando-gritando pelos seguranças, polícia.
Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas. Em alguns minutos depois, todos os visitantes estavam presos-enjaulados na Bienal sem poder sair por uns 15 minutos, afinal aquele vazio tem dono e cercas.
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Meu cineasta-artista preferido, Jean-Luc Godard, tem uma frase que diz muito do que penso sobre o atual momento e sobre essa ação dos pixadores: “Cultura é regra, arte é exceção”.
E nesse sentido, a Bienal ao apagar os pixos assim como a grande maioria dos senhores envolvidos com a tal arte contemporânea estão situados e sitiados no terreno da cultura, já os pixadores, eles estão no terreno da arte, sem sombras de dúvidas.
A verdadeira arte nunca foi palatável, educada, exatamente por nos tirar do eixo ela tem que ter condutas que nos perturbe, nos faça pensar, nos faça sentir, que possamos sair do óbvio.
Acredito que depois da Bienal da Grande Tela, importantíssima em seu ato paradigmático ao fundar no Brasil a persona do curador tal como a conhecemos nos dias atuais e criar a obra formadora dessa figura do curador como artista que reina até hoje, esse ato dos pixadores é a grande novidade em artes desde os anos 80.
Infelizmente a Bienal do Vazio por ser tacanha como escreveu em outras palavras Jorge Coli se mostrou em sua relação policialesca com os pixadores que essa história do vazio era mesmo uma falseta. E ainda dentro do antigo castelo da tal arte dita contemporânea preferiu apagar esse capítulo de seus anais, mas quem levou no rabo foi ela mesma, porque até hoje eles, os pixadores, ainda são assunto em meios que essa mesma tal arte adoraria ser incorporada.
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VERGONHA E ORGULHO

Brasiiiiiiiiiiiiiiiiilllllllllllllllll!!!!
Em Veneza, cheia de propostas de diversos países sobre o entendimento de arquitetura, o que mais me decepcionou foi o Pavilhão do Brasil. Com curadoria do arquiteto Roberto Lobo, e curadoria adjunta do jornalista Silas Martin – que faz excelentes críticas de artes plásticas na Folha de São Paulo, o Brasil faz a seguinte proposta de arquitetura ”No Architects. From urbanity to intimicy”. Essa idéia de uma arquitetura sem arquitetos, segundo disse um amigo que entende do carteado, já é gasta, mas mesclada com um ranço de arte conceitual, torna a idéia razoável em uma montagem muita aquém das boas possibilidades de discutir um assunto morno em arquitetura.
O espaço consistia de displays com personalidades, entre elas Alexandre Herchcovitch, Eliana Tranchesi e Zé Celso, falando de sua íntima relação com a cidade. Uma espécie de Caras da Casa do Saber!


pensamento de Eliana Tranchesi

No meio tinha mesas grandes com os livros em versão mais completa dos depoimentos o que permitia até ter um parecer de um motoboy.
Bom, no meio disso tudo, eu tive muito orgulho de ver um dos displays com uma entrevista de Marcelo Rezende, grande amigo e jornalista, e que está cuidando das publicações da Bienal, que de cara eu já amei pois vai ser distribuido nos semáforos da cidade como aqueles jornais Destak e Metronews.

Como Marcelo mesmo diz “Eu não tenho casa, eu tenho uma pequena mala”