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PÂNICO, BABADO E CORRERIA

A coleção de Matthew Williamson para H&M foi lançada no dia 14 de maio desse ano, mas a fúria fashionista bem me lembrou aqueles comerciais de saldão do DIC de quando eu era criança.

Nem sei o que falar sobre, mas como acabei de falar sobre o Rio, vale aqui a publicidade que o próprio Matthew Williamson com a top Daria Werbowy fizeram no Rio para a H&M, sem um pingo de lifestyle carioca…

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O “LIFESTYLE CARIOCA”

Bem, eu nem escrevi o texto e ele já virou discussão pelo simples fato de eu mencionar no post anterior que o “chamado ‘lifestyle carioca’ era […] um grande equívoco conceitual e ideológico”. O bairrismo gritou alto, mas ele só comprova a força do que digo. Essa tal de lifestyle carioca é uma idéia tosca e pequena.
Sim, sou paulistano e isso pode ser a desculpa para que tudo acabe em mais uma disputa cidade contra cidade. Mas esse texto é exatamente à favor do Rio de Janeiro em certo sentido. Não podemos nos esquecer que até os anos 70, a cidade era o centro da moda e do estilo no país. Lembro de muitos verões viajar com meus pais para passar férias na cidade, na casa de minha tia, e aproveitarmos para fazermos compras. Não porque as roupas eram mais baratas, mas porque tinham mais informações de moda, eram mais “bacanas” como meus próprios pais costumavam dizer. Isso tudo mudou a partir dos anos 80, mas isso é outra história, apesar de fazer parte dessa que estou descrevendo…
É muito engraçado as duas semanas de moda na cidade: o Fashion Rio e o Rio Summer tocarem sempre na tecla do “DNA carioca”. Isso é, semanas de moda nacionais que exaltam o modo de vida do Rio.
Alcino Leite escreveu na época da primeira edição do Rio Summer em seu blog em um post chamado “Ajuste Contemporâneo”:
Entre os anos de 1940 e 1970, para ficar neste século, o Rio de Janeiro viveu um apogeu cultural, agremiando os principais talentos do país na música, na literatura, no teatro e em outras artes _bem como os principais símbolos da elegância nacional. Neste período, ali se determinava o estilo brasileiro de vida.
Por isso, é natural que imagens nostálgicas e retrôs tenham pontuado os desfiles do Rio Summer, como na grife Adriana Degreas (que estampou o rosto de Carmen Mayring Veiga e paisagens cariocas antigas em um tecido de tom amarelo-velho) ou na grife Cris Barros (que exibiu no telão um filme em preto-e-branco com cenas do Rio no final da década de 50 ou dos anos 60).
Bem, já que esta época acabou, valeria, no próximo Rio Summer, se debruçar sobre a riqueza sociocultural contemporânea da Cidade Maravilhosa e as suas novas imagens fashion, já exploradas inclusive por várias revistas brasileiras e estrangeiras: a energia do funk; a Copacabana trash, com seu universo de putas, michês e travestis; e o kitsch da Barra da Tijuca _para citar os mais óbvios.

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Enfim, os funkeiros da Blue Man
Lembrando agora de cabeça, além das muitas tentativas da Complexo B, acho que só a Blue Man fez um desfile realmente importante incorporando esse universo mais contemporâneo, a coleção primavera/verão 2004 feita com os funkeiros cariocas. Enfim, o contemporâneo no Rio não parece nobre ou tão fashion assim aos olhos dos criadores de moda local. De resto, é sempre a mesma ladainha da bossa-nova, da Ipanema e Copacabana de tempos míticos, uma chatice enfim… Algo parado no tempo!
Só precisa afirmar sua identidade quem tem problemas com ela, quem não tem certeza que a decadência que vive passou por alguma civilização, ou a incipidez resultará em algo diferente no futuro.
O Rio, ao precisar ficar se autoafirmando que tem um modo de vida [em sua parte congelado no passado], não olha pra frente, nem para os lados. Não pensa grande, fica ensimesmado em uma idéia de moda canhestra. O que é regional ou o que é brasileiro aparece de alguma forma, sem precisar necessariamente levantar uma bandeira ou apontar para esse detalhe como uma qualidade em si. Existe algo mais regional do que Alexandre Herchcovitch fazer uma coleção sobre o Zé do Caixão [pensando que os dois são paulistanos] ou mais brasileira que sua coleção sobre os bóias frias, mas isso nunca se tornou um valor em si, isso faz parte da construção de algo maior.
O que é tacanho na idéia de lifestyle carioca é que ele ganha um valor em si, quando é só um detalhe. Não há valor nenhum apenas pelo fato de você ser carioca, ou paulista, ou mineiro, ou brasileiro, isso é mitificação e mistificação e o Rio só tem a perder se congelando nesse estigma.
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De costas para o mundo, de frente para um passado congelado

DUDU ENTREVISTA NEY

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Como eu estava falando de estampas, vi essa no blog do Jorge, meu querido amigo cigano: Dudu Bertholini entrevista Ney Matogrosso para uma revista eletrônica muito bacana que se chama Dengue Mag do fotógrafo Christian Gaul. Achei uma grande sacada, algo que estava no ar e que ninguém ainda tinha feito.
Aliás gostei tanto da dica que estou reproduzindo aqui. Tem um editorial de moda feito pelo próprio Ney. E algumas coisas muito interessantes, agora a revista peca pelo excesso de afirmação do chamado “lifestyle carioca” que eu acho um grande equívoco conceitual e ideológico, mas isso fica pro post seguinte.
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