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LENNY VERÃO 2010

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Lenny Niemeyer é luxo só! Eu sou simplesmente apaixonado pela persona e pela moda que faz. Sem sombras de dúvida, foi através dela e de aprender a olhar suas coleções que hoje eu posso garantir que o sim, tenho certo conhecimento sobre moda praia. Não a acho menor e fico passado com tanta criatividade que é feita em tão pouco tecido. Foi vendo Lenny que quando estreou Luiza Bonadinam, eu ainda no GNT Fashion, percebi ali um novo talento da moda praia. Enfim, fui educado por Lenny.
Afinal a estilista tem um mantra que me contou em uma entrevista que infelizmente nunca foi publicada: “Minha intenção foi sempre tratar o biquini como roupa de gente grande, como uma moda adulta”. E com certeza conseguiu.
Na terça, dia 09, sua mulher poderosa invade novamente a passarela. A estilista que já tinha deixado a arquitetura e partido para as formas mais orgânicas, em sua última coleção inspirada no mar, dessa vez olha para o céu, o vôo, os pássaros. enfim o release da assessoria diz:
“Com o olhar de um pássaro, a mulher do verão 2010 atravessa as nuvens e plana sobre paisagens ensolaradas, apropriando-se de cores, texturas, etnias, em busca da própria identidade. Nesse vôo por diferentes culturas, ela constrói e desconstrói estampas em franjados a laser, novos amassados tecnológicos, amarrações e cores vibrantes, iluminando o verão”.
Para mim, é o grande momento do Fashion Rio e talvez o único desfile que realmente sinto de perder.
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Lenny verão 2010

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O SOL BRASILEIRO DO VERÃO 2009

Estava conversando recentemente com Fernanda da Oficina de Estilo sobre o que mais nos encantou no verão 2009. Os 5 tops, as listas de Nick Horby…
Ela fez a dela da Oficina , a minha é simples e curta:
Marcelo Sommer e Reinaldo Lourenço colocaram questões pertinentes à moda e à imagem de maneiras diferentes e complementares.
O estilista Reinaldo Lourenço focou numa visão microscópica da moda, entrou na arquitetura e principalmente no design trazendo as questões de desenho à frente – no caso, a porcelana e a roupa – para fazer relações da essência da moda, do que a moda é feita. Fez uma verdadeira maiêutica.

Reinaldo Lourenço verão 2009

Sommer para a sua marca Do Estilista fez a operação inversa, macroscópica e foi até o limite do conceito de moda, discutindo fantasia e figurino. De maneira corajosa ele foi até as fronteiras dessa discussão. Fez novas duanas.

Do Estilista verão 2009
Maria Bonita
fez o equilíbrio perfeito entre uma moda nacional e uma vontade internacional. Pescou do universo dos ribeirinhas o desenho minimalista, e pôs na mesma rede tudo o que é cool das passarelas daqui e de lá. Fez Cinema Novo.

Maria Bonita verão 2009
Lenny ventilou frescor novamente. A busca de novas formas, novas proporções, os plissados, tudo simbolizando a vida. Uma elegia à mulher e a uma moda que sempre é vista como menor. Fez arquitetura da vida.

Lenny verão 2009
Gloria Coelho sempre busca na história e na história da moda, uma nova história. Dessa vez – novamente – , toda a moda masculina se fez feminina. E deu pano pra manga. Fez voar.

Gloria Coelho verão 2009

100 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA

Que Kenzo, que nada… O grande homenageado mesmo foi Issey Miyake.


Issey Miyake


Lino Vilaventura

PS: É homenagem mesmo! Porque tanto Lino como Lenny possuem uma moda própria e autoral. Sobre a Lenny até escrevi pro Sylvain que não achei uma foto boa dos plissados, mas durante o desfile comentei com a Carol Vasone sobre o fato que até escreveu me citando que tinha um pouco de Miyake naquelas contruções do verão da estilista.

FASHION RIO: 4 MARCAS LEVANTAM O OTIMISMO EM TEMPORADA FRACA

Acompanhando de longe e no breve tempo que estive na Marina da Glória conversei com minhas coleguinhas fashionistas e tive a constatada a confirmação que o verão 2009 na cidade maravilhosa foi triste.
Comercial demais, sem grande novidades e com uma moda bem pouco reflexiva, o Fashion Rio entretanto foi palco de 4 desfiles que arracaram o pessimismo que assolava a moda no evento e lançaram uma lúdica e construída luz no fim do túnel.
A começar com com o trompe d’oeil de Apoena. A marca de Brasília fez acreditar para quem estava de longe que tudo era estampa, mas não, era tudo bordado. Um trabalho primoroso, cheio de técnica e preciosismo, mas que de nada adiantaria se não fosse realçado por formas mais contemporâneas na costrução das peças. Voltar à infância da moda – o ato de bordar – faz a marca se lançar no futuro.

Apoena – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

Ivan Aguilar também se modernizou levando sua moda e a moda masculina para um caminho mais verdadeiro para os possíveis homens do terceiro milênio. Eu já escrevi sobre uma das dificuldades da moda masculina, Ivan tenta resolver outras. Sabemos como a alfaiataria e seu pensamento cartesiano tem peso, para o bem e para o mal, na moda para homens. Tirar sua rigidez, dar uma certa cadência brasileira, flertar com o streetwear (um dos caminhos que a moda masculina deveria verdadeiramente avançar para evoluir) foram um dos méritos da coleção de Ivan que entende do corte, mas agora passa a construir um homem mais relax, sonhador e lúdico.

Ivan Aguilar – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

Já Luiza Bonadiman nos faz sonhar com as novas possibilidades da moda praia. Desde que a vi em seu primeiro desfile no Fashion Rio, fico sempre atento às suas construções em maiôs e biquinis. Tem algo perverso em sua experimentação, enfim, sofremos a experiência do perverso, do fetichista, do simulado. Em seu diálogo da moda praia com a lingerie, Luiza deixa claro a questão sexual da moda no seu conceito mais profundo e verdadeiro.

Luiza Bonadiman – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

A Redley e seu esportivo (ah, o esporte sempre e ainda fazendo a moda avançar) trazem boas sacadas na costruções dos detalhes de suas peças. São nos grafismos das formas que a marca injeta seu veneno antimonotonia, pois mesmo o esportivo podendo tanto, muitas vezes, por questões comercias, ele prefere se repetir ad infinitum, o que não é o caso da Redley. Afinal, a beleza está nos detalhes.

Redley – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)
(Lenny não está incluída porque é hors concours, porque mesmo em um projeto ruim de Oscar Niemeyer ou uma música menos inspirada de Miles Davis, estamos em outro patamar)

FASHION RIO: TODO MUNDO COM MEDO NA CIDADE

Como me disse a querida jornalista Patrícia Koslinski, “você veio exclusivo pro desfile da Lenny igual a Ana Beatriz Barros”, ao lado da própria que sorriu aquele dentes brancos de top model mas eu não cai no canto da bela sereia e respondi: “Só que ela ganha em euro, e eu em realidade”.
Nos dois dias que fiquei no Rio e nas poucas horas que estive na Marina da Glória percebi que o Fashion Rio resolveu dar um choque de realidade nas fashionistas. Hospedaram todas elas em Copacabana, mais precisamente na avenida Princesa Isabel, perto dos puteiros da Prado Júnior. Muitas desesperadas e apavoradas nem saíam à noite de tanto pavor. Um exagero se pensar que o bar Cervantes é perto e sempre andei por lá sem perigo.
Rolaram boatos de assalto na frente da Marina, mas o fato que causou mesmo foi o roubo no lounge do Chic de todo o equipamento do fotógrafo do site. Dizem que a polícia foi super ríspida com dona Gloria Kalil e queriam levá-la de camburão para a delegacia para fazer o B.O. do roubo. A lenda diz que Gloria não pode aceitar pois era patrocinada pela Audi e não poderia durante o evento andar em qualquer outro veículo que não fosse da marca.
Enfim, faz mais de um ano que eu já percebia que estava todo mundo com medo na cidade.
Coisinhas cariocas!