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A NOVA BELEZA MASCULINA

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É interessante pensar que a moda masculina sofre muito a influência de um peso-pesado da moda feminina: o estilista da Chanel, Karl Lagerfeld [talvez devolvendo aos homens o que as mulheres de Coco Chanel pegaram emprestado em suas inúmeras incursões ao guarda-roupa masculino]. Mesmo ele tendo para o grande público uma imagem um pouco bizarra, Lagerfeld tem feito um senhor trabalho de apontar vontades para a moda voltada para os homens.
É histórica a sua legitimação confirmando que os caminhos que Hedi Slimane percorria na Dior Homme estavam acertados. Ele mesmo fez questão de alardear a saga de seu regime para caber em uma calça skinny de Slimane. Repetiu esse mantra inúmeras vezes e é claro chamou a atenção do mundo para o trabalho do ex-estilista da Dior. Hoje vemos bofinhos usando modelagem skinny e podemos ter certeza, sem exageros, que uma parte dessa razão está indiretamente na propaganda de Lagerfeld anunciando que aquilo que Slimane estava desenhando era o que tinha de mais interessante na moda masculina naquele momento (não digo novo porque isso é mais marketing que verdade, pois sua modelagem é toda chupada da década de 60 como já escrevi aqui antes). Mas isso pouca importa, o que chama atenção é que com o aval de Lagerfeld, viu-se durante quase toda uma década a entrada de meninos muito jovens, magricelos, andróginos e feios. Todos recrutados para as passarelas da Dior Homme e da Prada e fruto do desinchaço dos modelos bombados dos anos 80 que passaram a década de 90 toda se secando.
Bom, depois de tudo, Karl volta a dar as cartas novamente e declara que só mesmo Hedi Slimane para arranjar aquele casting de meninos feios e que os tempos agora são outros, que a beleza dos homens deveria voltar à mesa [acredito que ele está se referindo a uma beleza mais clássica assim como todo o movimento sartorial e de alfaiataria tradicional que está sendo retomada na moda masculina]. Ele exatamente declara isso para legitimar seu novo muso, o modelo marselhês Baptiste Giacobini. Quem acompanha o blog de Marco Sabino pode ver a carreira meteórica do modelo, indo parar no primeiro lugar do site Models.com, mostrando o poder das palavras do kaiser da moda .
Com certeza Karl anuncia uma mudança de paradigma para a beleza masculina na passarela e isso tem resultado em todo o mundo da moda e com certeza na imagem do que é belo em um homem para o nosso mundo de hoje. Versátil, ousado e bonito, Giabiconi é esse sinal.
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Sem medo do salto alto, da androgenia e de mostrar o (H)edi
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Criatura e criador: Mais “Morte em Veneza” impossível

E abaixo um vídeo com Baptiste em movimento

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O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

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Penso com interesse na exposição “Muse: Embodying Moda” que acontecerá entre 6 de maio e 9 de agosto desse ano no Costume Institute of The Metropolitan Museum of Art. Leio que a exposição irá “explorar a relação recíproca entre a alta moda e a evolução dos ideais de beleza, e incidirá sobre as icônicas modelos do século 20 e seus papéis na projeção e, por vezes, inspiração na moda das respectivas épocas”. Mas muito mais que os ideais de beleza, não consigo parar de pensar na relação amorosa entre os criadores e suas musas. E, com certeza, o papel das modelos como musas dos estilistas faz parte talvez da relação mais intensa e rica do mundo da moda.
E quando falo de amor, não estou sendo metafórico. Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ao construir, ou melhor, evidenciar a creolina, ele usa uma vendedora da mesma loja que trabalhava para demonstrar sua criação. Marie Vernet é considerada por muitos a primeira modelo da história e não à toa acabaria por se tornar sua esposa.
Um pouco mais tarde Paul Poiret tem em sua mulher Denise, a sua musa e modelo de suas idéias de uma nova mulher. O estilista declarou: “Minha mulher é a inspiração para todas as minhas criações, ela é a expressão de todos os meus ideais”.
Coco Chanel teve entre suas preferidas a modelo norte-americana Suzy Parker, na década de 50. Ela era considerada o rosto Chanel por excelência. Foram muito próximas e confidentes e boatos dizem que as duas chegaram a ser amantes.
Muitas vezes o lance é genético, assim como Maxime de la Falaise foi musa de Elsa Schiaparelli, sua filha LouLou de la Falaise foi o modelo ideal durante 3 décadas de Yves Saint Laurent. Paixão geracional!
Mas nem sempre a relação acaba de forma amistosa. Durante anos Inès de la Fressange foi para Karl Lagerfeld a mulher Chanel. Mas a partir do momento que Inès decidiu, no final dos anos 80, posar de peitos nus como Marianne, um dos símbolos da pátria francesa, Lagerfeld reagiu igual a um marido enciumado e rompeu com a modelo achando a atitude dela “vulgar, provinciana e burguesa”.
Hoje, como o amor se pulverizou em uma certa promiscuidade do desejo, vemos muito dessa atitude refletida nas passarelas. A cada momento os estilistas elegem suas musas para depois descartá-las. Ora tal é a queridinha ora outra é o rosto da marca e assim por diante. Parecem que os estilistas não mais amam suas modelos, apenas se apaixonam e ou então como se diz hoje, apenas “ficam” (assim como os adolescentes) com elas por uma temporada.
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Então a cada temporada, aqui no Brasil, meu coração palpita ao ver dois estilistas seguirem firmes com suas musas por mais de uma década em uma prova que mesmo com todo o império das paixões e do desejo, o amor ainda tem espaço na moda e na vida das pessoas. Com a fidelidade digna do romantismo da século 19, Marcelo Sommer ainda entra abraçado com Luciana Curtis e Alexandre Herchcovitch sempre está de mãos dadas com Geanine Marques. Elas iluminam o final do desfile desses dois estilistas como um talismã: um talismã que mais do que indicar sorte, fala a fundo sobre a relações humanas.
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KARL LAGERFELD MORREU

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1º de abril

Desculpe, mas não resisti!

BODYGUARD


I will always love you

Sebastien Jondeau é o segurança de Karl Lagerfeld que faz as vezes de modelo também. Nessa última temporada encerrou a coleção de verão 2009 da Chanel com mais outros 3 rapazes vestidos à la kaiser da moda. Mas o babado estava nos 4 livros de fotos que Lagerfeld lançou só com ele como muso. Isso é, são 4 livros só com ele e apenas ele: o Bodyguard!
Graças ao querido Marco Sabino, percebi que confundi as bolas e os 4 livros são sobre o modelo Brad Kroenig. Fonte errada, não checada e muito vinho na cabeça fez com que na Cosette, quer dizer, Colette achasse que eles fossem o mesmo bofe, apesar do nome dos livros ser “Metamorphoses of an American” e o nome do bodyguard ser totalmente francês, sorry pela lesation!

CHANEL: A REAFIRMAÇÃO DO MITO


Milhares de pessoas lotam o Grand Palais numa amanhã fria e chuvosa de sábado muito mais do que para assistir um mega-espetáculo, e sim legitimar mais um desfile da Chanel como um congraçamento de um estilo, aquele criado pro Gabrielle ou Coco e mantido até hoje por Lagerfeld.
O que faz a cada estação Chanel confirmar sua forte influência no mundo da moda diz muito a respeito do processo de como Karl Lagerfeld consegue atualizar o chamado imaginário Chanel com o próprio estilo e preferências do estilista alemão.
Explico melhor, para o verão 2009, Lagerfeld criou correntes que amarram casaquetes e/ou tops e depois caem até abaixo da cintura voltando a serem presas no cós dos vestidos e calças. Esse acessório do estilismo dá um certo ar streetwear e atual ao look tirando um certo glamour empoeirado da marca. Sem falar que lembra muito as correntes usadas pelos próprio estilista no seu dia-a-dia. E ao mesmo tempo nos fazem recordar as famosas correntes que formam as alças das clássicas bolsas da Chanel.
O preto – que nessa colecão vem acompanhado de rosa, lilás, off-white e branco – é a cor essencial do estilo de Coco Chanel assim como presença constante nos looks do kaiser da moda, também ganha lugar cativo na coleção seja nos vestidos longos com voil ou nos tailleurs.
E por falar nesse outro clássico tão trabalhado por Chanel nos anos 1950, Lagerfeld faz questão de afirmar que ele ainda vive porque elementos tão caros ao estilista como o rock ou os bikers são alquimicamente incorporados no tailleur.
Depois de todo esse processo, o estilista pode se sentir mais livre pra criar looks com florais de inspiração na mulher dos pampas, a gaúcha, assim como as elegantes mulheres de Buenos Aires de décadas passadas confirmando que a moda nessa temporada ou olha para a América do Norte na figura de Obama ou para a América do Sul, com os japoneses fazendo muitas referências ao Brasil e a Chanel a Argentina. Mas no fundo para aquelas milhares de pessoas presente ao desfile, graças ao trabalho impecável de mimetização de Karl Lagerfeld, a Chanel estava simplesmente sendo… Chanel!

SPFW – FILHO DE PEIXE FASHION

Todo mundo na moda sabe que Pedro é filho de Reinaldo Lourenço, mas ultimamente ele está mais parecido com o filho do Karl Lagerfeld!

estilo de um,…

estilo do outro!

KARL LAGERFELD PRESTA HOMEMAGEM PARA “SI MESMO EM SI PRÓPRIO”

Cada época tem o Ramsés II que merece. Enquanto o faraó dos faraós adorava monumentos odaras, como as 4 estátuas de 20 metros que fez com sua imagem e semelhança em Abu Simbel, o nosso Kaiser da moda prefere os matis, pelo menos para se auto-representar em si próprio.

Já está vendendo na hypada ( será?) Colette em Paris uma estatuetazinha de 10 centímetros de altura em formato de Karl Lagerfeld feito por ele mesmo em si.

Ao preço de 200 euros, algum apaixonado em toy art (?) deve correr pois a edição, é claro, é limitada.

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