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CASA DE CRIADORES – QUARTO DIA E JOÃO PIMENTA


João Pimenta faz a moda masculina galopar a passos largos em sua coleção Inverno 2010, apresentada em desfile na noite desta quarta-feira (25), no Shopping Frei Caneca, dentro da programação da Casa de Criadores. A programação foi seguida por Milena Hamani, Ronaldo Silvestre, No Hay Banda, R. Rosner e Urussai.
O estilista se inspirou nos vaqueiros nordestinos e foi o destaque desse quarto dia de evento com uma coleção sofisticada e rural. Como havia alertado o editor de moda da Folha de S. Paulo, Alcino Leite Neto, em seu blog Última Moda, “depois da [coleção Verão 2010 da] Chanel, podemos falar de ‘moda rural’ sem medo”, referindo-se ao excessivo e desgastante uso da palavra urbana nas inspirações dos estilistas nacionais e internacionais.
Um detalhe importante para além de todo o provincianismo, João Pimenta já tem feito há três coleções essa tal moda rural, que, agora, parece entrar em voga. De origem humilde e interiorana, o estilista olhou para a sua essência para poder transcender questões como masculino e feminino, e pobre e rico.
Em cima da oposição masculino e feminino, Pimenta utiliza o viés, o babado e uma espécie de vestido avental – elementos femininos – , construídos em linho tingido para dar aspecto de couro rústico, o que acaba se revelando um look extremamente viril. Também muito masculina é a cartela de cores feita de inúmeros tons de marrom para dar o aspecto de uma só cor, a do couro. Além disso, a camurça e o próprio couro aparecem como detalhes na roupa e nos acessórios em um interessante “trompe l’oeil”, técnica artística que cria ilusão de ótica a partir de perspectiva.

Sobre a oposição rico e pobre, ele faz um sofisticado jogo de proporções em peças que lembram o gibão dos nordestinos, peça simples associada à falta de requinte. O estilista aproxima a cava da manga para mais perto do pescoço e inverte a peça, a frente fica nas costas e vice-versa, sem nenhum erro de modelagem. Essas peças são a chave de sua coleção e do pensamento rural que tem dominado o estilista. São esses looks uma espécie de metáfora para que João Pimenta inverta o jogo e prove que a moda rural pode ser tão ou mais sofisticada que a urbana.
A seguir no lineup da noite, a estilista Milena Hamani inspirou-se em Toulouse-Lautrec para apresentar sua moda praia com muitas boas ideias, como um maiô com mangas compridas. Muito interessantes e graciosos eram os minivestidos feitos em tricô nas cores rosa e cru. No final, os looks pretos fazem a coleção perder força e a torna repetitiva.
Ronaldo Silvestre fez um jogo entre tecidos fluidos e rígidos para se referir à famosa espiã Mata Hari. A parte romântica com as leggings florais é a melhor do desfile; a sexy não funcionou muito bem.
O trio da marca No Hay Banda, Claudia Mine, Bruna Santini e Juliana Magro, foi buscar no ciclo da seda o mote para seu Inverno 2010. O destaques são as peças em crochê na cor creme.
O ponto de partida para a coleção da R. Rosner foi a avó do estilista, dona Lili. As estampas nos vestidos acinturados se destacaram, apesar da coleção na passarela parecer um pouco confusa.
Encerrando a noite, a Urussai entrou no universo das mulheres da máfia japonesa Yakuza e chamou seis artistas para criar estampas para a marca. Catarina Gushiken continua fazendo uma interessante pesquisa com as mangas orientais, além de Marina Dias, diretora do desfile, injetar dramaticidade à cena. A pouca quantidade de peças atrapalha a narrativa da apresentação, já que sobrecarrega por demais os looks com um excesso de informação que poderia estar mais espalhada se mais peças fossem desfiladas.

Texto escrito especialmente para o Uol Estilo. Para ver as fotos e ler no site, clique aqui e aqui.

AUSENTE NA CASA DE CRIADORES, PRESENTE NO AMIGO SECRETO

Dessa vez pulei a Casa de Criadores [depois de presente em 11 edições vendo todos os desfiles], até queria ir mas o trabalho acumulado me impossibilita. Planejei ir no último dia, hoje, mas acho que também não vou, mas uma análise muito interessante do evento foi escrito por Luigi Torres em seu blog.
Do que vi até agora, me chamou a atenção:
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A cintura de João Pimenta.
E antes que o coro da ignorância comece com aquela imbecilidade-lenga-lenga de: “Você gosta, mas não te vejo vestido assim”. Respondo de pronto que não precisa ser gay pra desabonar ações homofóbicas, nem negro pra ser contra o racismo, da mesma maneira não preciso usar saias pra exigir avanços na moda masculina. Hello, isso se chama tolerância!
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Os volumes positivamente estranhos de Rober Dognani que assisti de pé no primeiro dia pois esperava amigos queridos da moda, [sim, isso é possível se trabalharmos na chave fora do senso comum que adora desprezar os fashionistas, sorry, mas nem todos são deslumbretes alienetes du boquetes] para trocarmos presentes. Foi um momento rápido, doce, uma brisa nesse dia super quente.
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O irmão do Marlboro tirou o irmão do Walério

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8 olhos, pois esses dois adoráveis não deixam passar um detalhe

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Será que é água de xuca?

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Amigos nada secretos

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O baile todo!

As bunitas na foto são Jorge Wakabara, Jana Rosa, Lula Rodrigues, Vitor Angelo, Didi , Ricardo Oliveros, Glauco Sabino, Luigi Torres e Laura Artigas!

Minha amada Dra Vodca Adelaide Ivánova me tirou mas teve que ir embora mais cedo [adorei muito o presnete] e Denise Dahdah tava em fechamento [acho tão gay esse lance de fechamento].

CASA DE CRIADORES: PROBLEMAS DE NARRATIVA

Tive uma reacão bipolar quando li os depoimentos de André Hidalgo, o criador da Casa dos Criadores, sobre uma nova fase de sua semana de moda que irá ter uma visão mais comercial. Achei interessante ter essa proposta de pensar no produto e na sua comercialização já em desfiles de gente que ainda não tem uma estrutura de vendas muito forte. Em compensação também achei estranho um evento de jovens estilistas já ficar tão mercantilizado, afinal o que se espera de novos criadores é ousadia experimentalismo e novidades. E digamos que uma visão comercial disso pode num primeiro momento podar toda essa energia.
Demorei pra escrever algo sobre a Casa de Criadores, que é um evento que tenho muito carinho, pois fiquei muito decepcionado nessa edição diferentemente da maioria dos fashionistas que salientaram uma certa profissionalização. Não consigo ver essa tal profissionalização por um quesito básico. Muitos estilistas que apresentaram coleções nessa edição erram no be-a-bá. Com raras exceções como as Gêmeas, João Pimenta e Walério Araújo, muitas marcas não conseguiram narrar seus temas e desejos, ficou tudi cofusi!
Mesmo se a proposta é não narrar, a não narração é uma forma de narrativa então tem que ser pensado com muito cuidado a edição de um desfile. Looks desnecessários era o de menos, mas quase nenhuma história se fechava visualmente, bastava ficar atento na fila final das modelos pra perceber de cara o que digo. Quando não se consegue narrar fica quase impossível construir uma imagem, a função maior de um desfile, então muitas vezes parecia que se via extratos de filmes ou colagens dadaístas sem a atitude do movimento.
Prefiro não citar nomes nem colocar imagens, por uma delicadeza às pessoas que estão começando e tem todo o direito de errar, mas espero que esse grande lapso seja corrigido na próxima edição.

CASA DE CRIADORES: O INFERNO SÃO OS OUTROS

Tudo começou no primeiro dia, logo no início. A intervenção/performance do Tudi Confusi não conseguiu se apresentar na abertura por problemas técnicos. André Hidalgo, o idealizador da Casa de Criadores, não se fez de rogado e no microfone falou que: “o problema era da mesa de som… DELES”, isto é, da marca.

Estava dada a largada para o “esse não é problema meu” que ganhou corpo e modelagem no 2º dia.

Começando pelo projeto L.A.B. que os fashionistas podem dizer que o problema é a falta de cuidado com o acabamento e os próprios designers reclamarem que a falta está na péssima educação de moda no país. Valêncio que é uma mulher fez um excelente exercício de exploração das possibilidades da alfaiataria, que para alguns é experimental demais e comercial de menos, um problema para esses alguns.

Tem também o Weider Silveiro que também acertou em cheio na alfaiataria das calças e bermudas, mas para muitos, as Brazil’s Next Top Model na passarela foi problema e algo dispensável, para outros foi uma solução para desviar atenção e apagar alguns looks mais fracos.

Já o talento de Rober Dognani foi muito criticado pelos especialistas de beleza por ter um make muito colado ao da última coleção da Dior. E muitos criticaram que por causa disso os críticos dessa área enxergaram que o desfile era completamente John Galliano para a marca forte. Um problema de detalhe que ganha inadvertidamente o todo.

A fofa estréia da Prints I Like teve o problema de faltar prints e deles serem um pouco mais ousados, ou seria porque faltou grana mesmo? Cada um fez sua aposta.

João Pimenta apresentou uma coleção coesa, inteira e seu crescimento cada vez aponta para uma possível saída do evento, para alçar viagens mais longes que a Nova Zelândia, um problema para o evento que tem como alegria e desgraça o papel materno de criar e jogar no mundo.

No fim, os problemas são de todos, de todos mesmo, fashionistas, críticos, editores, maquiadores, modelos, fotógrafos, estilistas, stylist, assessores, etc. Não adianta mais esse discurso que o inferno são os outros. E eu sou Dus Infernus!

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Ronalda, eu nunca te vi no Hell’s”

Luigi escreveu sobre o L.A.B. e os desfiles do segundo dia assim como as meninas do Oficina que com um olhar super generoso resolvem muitos problemas para o dia a dia da mulher que quer ser minimamente bem vestida a partir de peças de todos os estilistas que se apresentaram no segundo dia. Além disso, elas falam da presença das Brazil’s no evento.

Oliveros faz uma crítica pertinente ao evento e uma crítica amorosa a coleção de João Pimenta.

E eu peço e ninguém participa, a enquete fashion ainda está rolando!