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FASHION RIO: 4 MARCAS LEVANTAM O OTIMISMO EM TEMPORADA FRACA

Acompanhando de longe e no breve tempo que estive na Marina da Glória conversei com minhas coleguinhas fashionistas e tive a constatada a confirmação que o verão 2009 na cidade maravilhosa foi triste.
Comercial demais, sem grande novidades e com uma moda bem pouco reflexiva, o Fashion Rio entretanto foi palco de 4 desfiles que arracaram o pessimismo que assolava a moda no evento e lançaram uma lúdica e construída luz no fim do túnel.
A começar com com o trompe d’oeil de Apoena. A marca de Brasília fez acreditar para quem estava de longe que tudo era estampa, mas não, era tudo bordado. Um trabalho primoroso, cheio de técnica e preciosismo, mas que de nada adiantaria se não fosse realçado por formas mais contemporâneas na costrução das peças. Voltar à infância da moda – o ato de bordar – faz a marca se lançar no futuro.

Apoena – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

Ivan Aguilar também se modernizou levando sua moda e a moda masculina para um caminho mais verdadeiro para os possíveis homens do terceiro milênio. Eu já escrevi sobre uma das dificuldades da moda masculina, Ivan tenta resolver outras. Sabemos como a alfaiataria e seu pensamento cartesiano tem peso, para o bem e para o mal, na moda para homens. Tirar sua rigidez, dar uma certa cadência brasileira, flertar com o streetwear (um dos caminhos que a moda masculina deveria verdadeiramente avançar para evoluir) foram um dos méritos da coleção de Ivan que entende do corte, mas agora passa a construir um homem mais relax, sonhador e lúdico.

Ivan Aguilar – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

Já Luiza Bonadiman nos faz sonhar com as novas possibilidades da moda praia. Desde que a vi em seu primeiro desfile no Fashion Rio, fico sempre atento às suas construções em maiôs e biquinis. Tem algo perverso em sua experimentação, enfim, sofremos a experiência do perverso, do fetichista, do simulado. Em seu diálogo da moda praia com a lingerie, Luiza deixa claro a questão sexual da moda no seu conceito mais profundo e verdadeiro.

Luiza Bonadiman – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)

A Redley e seu esportivo (ah, o esporte sempre e ainda fazendo a moda avançar) trazem boas sacadas na costruções dos detalhes de suas peças. São nos grafismos das formas que a marca injeta seu veneno antimonotonia, pois mesmo o esportivo podendo tanto, muitas vezes, por questões comercias, ele prefere se repetir ad infinitum, o que não é o caso da Redley. Afinal, a beleza está nos detalhes.

Redley – verão 2009 (Charles Naseh – site Chic)
(Lenny não está incluída porque é hors concours, porque mesmo em um projeto ruim de Oscar Niemeyer ou uma música menos inspirada de Miles Davis, estamos em outro patamar)

FASHION RIO: CHATICES, CHALAYANAS, AGUILAR, APOENA, ETC

Chatice sem fim. Deu muita preguiça no meio do Fashion Rio e desisti de uma crítica diária do evento. Algo desanimador entra na sua alma, quando você percebe que até os jovens estilistas do evento copiam, quando sua função é na realidade injetar novidade e personalidade ao evento.

Cansado, ressalto aqui Apoena e Ivan Aguilar como excelentes surpresas. A marca de Brasília eu não conhecia e o bom humor artesanal mostra que ela tem muito a mostrar ainda na moda brasileira. Já Ivan que o conheço muito bem da Casa de Criadores conseguiu nesse semestre transcender certas dificuldades e complexos e apresentou tanto em São Paulo no evento de André Hidalgo como no Rio uma coleção com excelentes misturas entre o esportivo e o clássico. Pelas fotos adorei todos os looks. Enfim, ele mostrou que Marataízes é muito mais que uma praia (essa é uma piada interna para Fernanda da Oficina)!

ivan-4.jpg Ivan Aguilar

apoena.jpg Apoena

Todos que estavam no Rio falaram que a Redley foi a melhor coleção da temporada. Nada contra a marca que adoro muito e desde sua estréia no Fashion Rio acompanho com carinho, mas algo de muito estranho quando o melhor do prêt-à-porter de um evento é uma marca jovem quase esportiva, vocês não acham?

Mas uma das coisas que eu mais amei foi a nova alcunha de Layana Thomas: Chalayana é simplesmente hillary. Layana é uma querida mas pelas fotos  e relatos a coisa (quer dizer, performance-vídeo-instalação) foi meio primária. Mas já vale pelo nome, talvez o melhor acontecimento do Fashion Rio, um lugar que prima pela falta de humor.

Chalayana but I like you!

chalayana.jpg Chalayanas em ação!!!!

Voltando ao começo do post, eu simplesmente parei de escrever sobre o Fashion Rio pois eu tenho um amigo músico que sempre me diz que ficar ouvindo coisa ruim, depois de um tempo você se acostuma e não acha tão ruim assim. Pensei em fazer o mesmo com os meus olhos! Pronto, tampei!

CASA DOS CRIADORES: POR UM JORNALISMO LIVRE E NEGLIGENTE

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Uma das coisas que mais amo no filme “Prêt-à-porter” do Robert Altman é que dois jornalistas vividos por Julia Roberts e Tim Robbins são escalados para ver os desfiles em Paris e acabam cobrindo o evento pela televisão pois preferem viver um tórrido romance no quarto do hotel. Penso também na cobertura que muitos blogs fazem da cobertura internacional através das fotos do style.com.

No dois casos, um purista pode achar que isso é algo absurdo e que o trabalho sai diminuto por não estar lá, in loco, no calor da hora e em parte eles têm muita razão. Mas também o outsider pode ter um olhar diferenciado e menos comprometido com as relações que fizeram os jornalistas que conseguiram entrar na sala de desfile. Já li coisas incríveis de gente que “assistiu” o desfile pelas fotos. No fundo tudo se trata de uma questão de ponto de vista.

Posto isso, vou assumir logo daqui que eu cheguei atrasado no último dia de desfiles da Casa de Criadores e fiz a Oficina de Estilo, isso é, assisti os 3 últimos do backstage.

Mas fiz melhor, ou pior, depende do ponto de vista. Perguntei para os meus colegas de moda o que eles acharam. Eis as frases:

“Foi o pior dos dias”.

“Existia uma vontade kitsch no ar”

“Menos idéia mais alfaiataria”

“Eu adorei um marca, as outras foram só risos”

“Hoje estava mais para criaturas do que pra criadores”

“Vai de retrô, satanás”

“Elas estão começando a andar com suas próprias pernas”

“Que mulher é essa!”

“Talvez eu tenha visto o primeiro trench coat brasileiro”

“O Ivan Aguilar foi o melhor”

“Acho que ele pecou no vinil, no sintético…Aquilo era feio”

“Marcelu Ferraz me surpreendeu positivamente”

“Ele ainda está no limite entre o figurinista e o estilista”

“Era uma confusão de Oriente. Oriente-se, rapaz!”

“Inventividade pura, mas o nonsense vem até na hora de escolher os tecidos”

“Eu olho muito pra bainha e esse lance de fazer bainha em seda é complicado. Ninguém aqui é Alber Elbaz!”

“Um teatro triste”

“Uma roupa para todas as mulheres, democrática, mas ainda não vi ninguém com elas”

“O que importa é a performance”

Com base nessas frases eu escreveria que:

As duas primeiras marcas, Athria Gomes e Ianire Soraluze, abusaram do retrô que deveriam deixar guardao no passado e apostar no futuro delas como criadoras de moda e procurarem encontrar pra que mulher elas desenham suas roupas.

Ivan Aguilar acerta em novas peças, fez um desfile certeiro, mas errou nos tecidos tecnológicos de algumas peças, mas cada vez mais mostra vigor e novidades em suas construções

Marcelu Ferraz deixa o desenho de figurino, mas não por completo, mas dá um bom passo para aquilo que chamamos de fashion. Ele começa a orientar a sua moda.

Já P´tit agrada com a performance, mas tem que cuidar melhor do acabamento de algumas peças.

Será que faria feio? Será que escrevi algum disparate? Foram apenas muitos pontos de vista filtrados pelo meu.