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DE LUA – O FUTURISMO NA MODA


Exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos do horário de Brasília, do dia 20 de julho de 1969, o homem chegou à Lua. “Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade” disse o astronauta americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar em solo lunar. E ao avistar a Terra de lá, tirou “as tais fotografias em que apareces inteira, porém lá não estavas nua, e sim coberta de nuvens”.
Passado 40 anos, esse momento poético da tecnologia visto por cerca de 1,2 bilhão de pessoas é ainda um assombro. Esse pequeno grande passo da humanidade encerra uma das décadas mais alucinadas de toda a história do homem. A década de 60 se encerra no Mar da Tranquilidade.
Nesses dias de comemoração dessa viagem fabulosa – em todos os sentidos que tem essa palavra – um amigo disse que propriedade, o Homem chegou à Lua em 1969, mas o Cinema já tinha ido pra lá em 1902 com Georges Méliès – o pai da ficção no cinema – com seu estrondoso “Le voyage dans la Lune” (“Viagem à Lua”).

Se o Cinema chegou antes dos homens na Lua, a Moda também vestiu e imaginou a roupa espacial um pouco antes dos acontecimentos, talvez excitada pelo discurso do então presidente John Kennedy no começo dos anos 60 dizendo que o homem iria para o espaço e chegaria na Lua.
O futurismo em artes plásticas, poesia, música e arquitetura aconteceu na década de 10, mas igualmente ao futurismo na moda que é dos anos 50 e principalmente 60 nas personas de Pierre Cardin, André Courrèges, Paco Rabanne, o dois movimentos tem em comum e como princípio uma violência com o passado, de negação até, o olhar é para o futuro, sempre.
25276-large Pierre Cardin, 60’s
Se o futurismo de 1910 se apoiava na guerra, de alguma maneira o futurismo de 1960 se apoiva na Guerra Fria e no seu resultado mais emblemático: a corrida espacial. Pensar o futuro era pensar na roupa que vestiríamos no espaço, quando nossas vidas não seriam apenas na Terra. Os looks de um filme hoje clássico como “2001, Uma Odisséia no Espaço”, poderia muito bem ter saído de uma coleção de Cardin.
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dois looks de 2001
É sintomática na década de 60 – e talvez em todo o século 20 até aquele momento -, a fé no futuro e no progresso e como isso naturalmente nos traria um mundo melhor. Pensar pra frente, nunca olhar pra trás, uma dinâmica do modernismo que começa a perder sentido poeticamente no Mar da Tranquilidade, pois passado uma década, já nos 80 começariamos a olhar sempre para trás, para o passado. E no caso da moda, esse movimento é muito mais acentuado.
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Courrèges, inspiração forte para o hoje chamado retrô-futurismo
Mas é sempre importante ressaltar a força propulsora do futurismo com sua dinâmica de seguir em frente. Foi unindo signos do futurismo e olhando para trás, para a história da moda, que Hussein Chalayan fez – na minha opinião – a entrada da moda no terceiro milênio em 2006.
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Hussein Chalayan, verão 2007, look inspirado em Paco Rabanne
Bom, tem um amigo que diz que na Música, o homem já chegou em Marte desde 1972 e trouxe até umas aranhas de lá.

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ME DEU UMA VONTADE INTERNACIONAL

A Ellus vai trazer a top-top inglesa Agyness Deyn para o seu desfile no SPFW no dia 21 de janeiro às 16h30 na Bienal. Eu adoro a moça, lembro dela extasiada no desfile de Hussein Chalayan falando que em geral os desfiles era todos tão monótonos, que você – modelo – só vai e volta e que naquele desfile – o que as roupas mudavam com um chip, acontecia algo realmente interessante. A Ellus sabe ter essa vontade internacional, a mesma vontade que o produtor Guilherme Araújo disse para os tropicalistas terem ao mudar para São Paulo nos anos 1960 por ser uma cidade mais internacional.
E vejam só, até os internacionais têm uma vontade internacional. Vejam o Kanye West com a jaqueta vermelha do Viktor & Rolf: Que internacional!
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HUSSEIN CHALAYAN – EXPOSIÇÃO

Hoje, aliás, desde a década de 50 ou o chamado pós-Guerra existe um processo de enxergarmos o mundo como design. Apesar de ser um ótimo exercício, o exagero desse conceito de designificação do mundo pode nos tirar o foco do essencial: o que está atrás do design.
No caso de Hussein Chalayan, temos um movimento aspiracional de que da união entre tecnologia e design surja algo poderosamente novo ou simplesmente que os sonhos de Júlio Verne se tornem realidade.
Não por acaso, ele foi convidado pelo Design Museum em Londres para fazer uma exposição para chamar de sua: “Hussein Chalayan Works 1994 – 2009”. Abre no dia 21 de janeiro de 2009 e vai até 17 de maio.
Lá, o visitante poderá conferir as poderosas imagens do estilista. Os LEDs, as roupas com chips, as que foram feitas com madeira e os trabalhos que ele representou a Turquia na 51ª Bienal de Veneza.
Abaixo um pouco dessas imagens:

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O PRIMEIRO CHALAYAN A GENTE NUNCA ESQUECE


Quem lê esse blog sabe muito bem da minha admiração por Hussein Chalayan. Veja aqui a minha critica do desfile no Uol.

SORRIA, SORRIA, SORRIA

Caetano Veloso, uma vez, bem baianamente, comentou que ao assistir um desfile de moda falou meio apreensivo para “Paulinha” que achava que as mulheres que estavam desfilando pareciam estar bravas com ele. E ainda exagerou na ironia: pensei que iam me bater!

A cara fechada dá neutralidade na passarela e é quase um comportamento padrão hoje em dia nos desfiles, mas nem sempre foi assim. Uma vez entrevistei a top modelo dos anos 70 Veluma que me contou que as modelos riam muito na passarela naquela época, e que isso deixava o ambiente mais agradável.

E é bem verdade, pois a energia de um clássico desfile da marca Amonstro no antigo Amni Hot Spot para o inverno 2006 estava no fato de todas os modelos entrarem sorrindo. Foi incrível!

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O sorriso prateado da Amonstro!

Agora em Paris, um dos meus preferidos, Hussein Chalayan, pediu a mesma atitude para as modelos no seu inverno 2008, pois o começo de tudo, o Big Bang – tema de sua coleção – certamente na visão do estilista não foi algo nada triste ou sério.

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Os carrancudos europeus adoraram o riso da gata!

BIG BANG

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Depois de todo o esforço de artistas e pensadores do século 20 para um mundo que as representações sejam mais livres do simulacro e da imitação, parece que voltamos para o mesmo bueiro. Haja visto o sucesso dos realities shows.

Agora os cientistas querem simular o big bang, o grande começo.Mas prefiro as representações da Viradouro e de Hussein Chalayan, pois injetam poesia já no começo de tudo!

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Viradouro 1997

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Hussein Chalayan inverno 2008

CHALAYAN SE UNE A NICK KNIGHT PARA AVANÇAR SUA VISÃO DO FUTURO E DA MULHER

chalayan1.jpg  Hussein Chalayan verão 2008

Não é desta nem da histórica temporada de verão 2007 que sou um aficionado pelo anglo cipriota Hussein Chalayan. Seu fascínio pelo design e sua posição no debate das novas idéias da moda e por conseqüência das artes em geral faz do estilista uma personagem impar no mundo da moda e no mundo das idéias.A construção de seus excelentes vestidos, a importância do acessório como fator vital na composição do look e a integração tecido+roupa+tecnologia estão ali para não só construir uma imagem, mas sim criar um debate sobre ela.Seu projeto renascentista reatualizado em unir arte e ciência, no caso tecnologia, não é algo frio e programático e sim orgânico e visceral!Para o verão 2008, ele apresentou sua coleção de em uma galeria de arte em Paris, só que de vez passarela, Chalayan mostrou filme que fez com o fotógrafo Nick Knight e seu genial SHOWSTUDIO.

Dessa vez ele debate a feminilidade vista pelo signo da fluidez que ganha caráter etéreo e o mais importante, o estilista indica ao colocar laser nos vestidos que a fluidez não está no tecido e sim na alma das mulheres.

assista o vídeo Readings aka a coleção de verão 2008 de Chalayan