Arquivo da categoria: humor

A PARÓDIA E OS TROCADILHOS


Las Bibas From Vizcaya: mestres da paródia

A paródia e os trocadilhos chamaram a atenção de nós, brasileiros, quando os modernistas da Semana de 22 se mostraram muito interessados por essas manifestações da linguagem como representativas e constitutivas de um “espírito” do Brasil.
Mesmo o projeto modernista não tendo total êxito na tentativa de termos uma consciência maior do humor nas nossas vidas e uma recolocação da posição da comédia entre os gêneros literários e artísticos (já que o drama e a tragédia são considerados por parte da crítica como superiores). Mesmo assim tanto a comédia como o humor são muito fortes culturalmente no ambiente nacional. A paródia é um dos nossos instrumentos para realizarmos pontos altos da comédia como aconteceu na Atlântida com Oscarito e Grande Otelo.
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Oscarito e Grande Otelo: os reis da paródia

Penso que essa falsa seriedade da moda brasileira ganharia novo fôlego e força se fosse mais bem humorada. Mas é exatamente por essa chave que hoje consigo entender melhor um desfile antigo de Samuel Cirnansck que nevou na passarela e a minha sensação que aquilo era muito brasileiro. Estaria ele fazendo uma paródia de uma vontade de Brasil possível? Lembrando que em seu último desfile com todo o imaginário cubano da década de 40 e sua entrada final como turista de máquina fotográfica, penso que sim.
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Samuel Cirnansck: delibarado ou não, humor na moda

CAMINHO DAS INDIES 2, A MISSÃO

Depois da primeira versão, eis que surge…

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BRÜNO É OU NÃO É UM FILME DE MODA?

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No meio do filme “Brüno”, uma amiga virou pra mim e disse meio indignada: “Isso não é um filme de moda!” Como o fato de um filme ser de moda ou não nunca foi fator imperativo para eu gostar ou não de uma película, não me preocupei muito com a observação. Mas depois do fim da sessão parecia ser fator imperativo pra boa parte dos fashionistas presentes na sessão de pré-estréia do filme aqui em São Paulo: Brüno não era um filme de moda e isso contribuia pro valor qualitativo da película. Já dessa primeira premissa discordo, mas resolvi ensar sobre se le é ou não um filme de moda.
Parei pra pensar um pouco sobre e logo percebi que primeiro era importante entender o que é um filme de moda.
Em geral considera-se um filme de moda aquele que transita pelo mundo da moda, com personagens envolvidos e referentes à esse universo. Se pensarmos nesse sentido, “Brüno” é um filme de moda pois transita nesse universo e tem no principal personagem, um fashionista.

Mas muitos alegarão que o filme não se passa só no mundo da moda, e que toca em outros assuntos como a homossexualidade e o preconceito que são centrais no filme. Visto dessa maneira Brüno não é um filme de moda. Caminhando nesse mesmo terreno podemos arriscar dizer também que um filme como “O Diabo Veste Prada” também não é um filme de moda, pois a questão principal do filme não é a moda e sim as relações humanas dentro de um mercado altamente competitivo e autoritário ou o equilíbrio, os efeitos e a impossibilidade de tentar separar relações privadas (a secretária Andy com seus amigos e namorado) com as relações públicas ( a secretária Andy com sua chefe). Essas questões estão acima da moda apresentada no filme, que assim como em “Brüno” tem um papel mais figurativo.
Mas se pensarmos um pouco mais a fundo nessa pergunta, percebemos que muito em “Brüno”, assim como também em “Prêt-à-Porter”, de Robert Altman [e quem sabe no “Diabo”], as questões importantes ao mundo da moda são evidenciadas, pois na moda tratamos daquilo que é visível e elas estão presentes de maneira forte e até pertuboradora.
Começamos com o mundo das aparências, fundamental para os jogos de fantasia e identidade na moda. Ele se demonstra em sua totalidade quando Brüno quer se tornar um heterossexual, suas mudanças são sentidas através da roupa. No iníco, seus looks únicos beiram o absurdo, uma histeria de fashionista. E é um desses absurdos de fashion victim – a roupa de velcro – que o leva a ruína no começo do filme, sem falar que dizem muito de como a moda entende a individualidade. E que deliciosa a observação indignada de Brüno: “D&G hello” quando um militar, já nas sequências de “conversão a hétero”, pergunta que cinto é esse [atire a primeira pedra o fashionista que nunca fez isso]. O filme é todo sobre aparência e esse é um tema central da moda, um tema quase seu por excelência.
O sistema moda está explícito em sua vontade de ser o que é de mais atual, o que é hoje e agora. Essa atitude é uma das forças da moda. E é assim que a moda se comporta para o bem e para o mal. No filme, assim como muitos fashionistas, Brüno leva essa máxima em suas últimas consequências, quase em desvario, não importa o que seja: ajudar crianças famintas na África ou selar a paz entre israelenses e palestinos. O importante é ser up-to-date, mesmo sem a menor consistência do que está fazendo. A onda do desvario histérico das eco-bags aqui no Brasil me ressoou na hora, assim como adoções de crianças carentes e sua exposição mediática. Voltamos ao mundo das aparências!
Isso tudo tem muito do mundo da moda e muito das pessoas que nos cercam e até de nós mesmos, então como Brüno não é um filme de moda? Ele é um filme profundo sobre a moda também. Cruel muitas vezes, irônico, com alguns momentos pretensamente chocantes, ele é um retrato, um espelho no qual parecemos bem mais gordo do que queríamos.
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AINDA BRÜNO AGORA COM GISELE

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Os dois tem trema no nome: Brüno e Bündchen, mas Gisele mostrou sua faceta um pouco menos peace & love que costuma difundir em fotos quando o comediante tentou dar um beijinho na fofa.

BRÜNO, PRADA E OS HETEROSSEXUAIS

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Tem um comediante hoje que eu tiro o chapéu, se chapéu usasse: Sacha Baron Cohen. Personagens criados por ele como Ali G, Borat e Brüno, o repórter austríaco gay, são hillarys. As situações inusitadas, como essa com um grupo de rapazes soletrando “party” como cheeleaders punks para um Brüno cheio de segundas intenções, são a chave de seu humor requintado.

No blog do Marco Sabino fiquei sabendo que o filme que até então era só chamado de “Brüno” tem um nome vasto igual ao de Borat: “Bruno: Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T-Shirt” (ou como traduziu Sabino: “Bruno: Deliciosas Jornadas pela América Com o Propósito de Deixar Machos Heterossexuais Visivelmente Desconfortáveis Na Presença de um Gay Estrangeiro Vestindo Uma Camiseta de Malha”).
No trailer, que já está circulando na internet, podemos ver em imagem e som o bafón que Cohen, incorporado como Brüno, fez durante a semana de moda de Milão. Na época, setembro de 2008, foi muito noticiado como ele causou durante o desfile de Ágatha Ruiz de la Prada. E dá pra perceber que o babado não foi pouco. A cara da hair stylist Odile Gilbert no backstage pedindo para ele sair denuncia que talvez tenha muito pouca ficção nesse novo filme de Sacha Cohen!

JESUS ME DÊ

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PUCCI QUE PARIU, A PONTE GUCCI…

O arquiteto Marcio Kogan fez um filme absurdete com outro arquiteto, o Isay Weinfeld, no final dos anos 80 chamado “Fogo e Paixão”. e não menos absurdete e bem humorada é essa Ponte Gucci.
Recebi esse e-mail da Fernanda Resende e não resisti, postei, sei que muitos já conhecem esse projeto, mas vale a pena ler de novo:

LE PONT GUCCI

Extremamente elegante é o mínimo que se pode falar da Pont Gucci. Uma sofisticada estrutura atirantada por belíssimas correntes guccíssimas de ouro 18k e largas tiras de tecido côtelé vert, rouge et vert, cumpre o seu importante papel social conectando glamorosos shoppings localizados nas margens do rio mais “in” de São Paulo. Pó de diamante espalhado pelo asfalto, provocará um deslumbrante brilho. Segurança 24 horas e um justo preço do pedágio, aproximadamente 20 euros, tornarão este lugar exclusivíssimo. No Dia do Índio, 19 de abril, seu uso será gratuito numa forma de “gentileza urbana” aos menos favorecidos, mas prometemos uma higienização rápida e segura para que tenhamos tudo na mais perfeita ordem na manhã seguinte, afinal sabemos muito bem da total falta de educação do povo brasileiro. Numa demonstração de respeito ao meio ambiente o rio será despoluído numa faixa de 20 metros com aplicações diárias de Channel No. 5. Chiquérrimo!!!

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