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ROUPAS, MODA E O SISTEMA MODA

Gloria Kalil na sua sabatina do Pense Moda [aos 16:14] fez uma separação clara entre a roupa chamada étnica e a moda. A roupa étnica é aquela que nunca muda, a chamada roupa folclórica, já a moda muda sempre.
A partir desse pensamento podemos esclarecer que a moda surge no fim da Idade Média e o começo do Idade Moderna, no Renascimento como fenômeno burguês. Já a roupa existe desde o tempo do pecado capital, sendo a folha de parreira talvez a primeira vestimenta no imaginário do mundo ocidental. Desde os tempos míticos a questão nudez e roupa é crucial para todas as culturas e nem sempre pela relação de oposição como aconteceu com o Ocidente.
Singularmente a roupa até o advento da moda sempre marcou a condição social, ofício, gênero e idade da pessoa- grupo – que a vestia. E como as culturas antigas era estamentais, isso é, não havia mobilidade de classe, suas roupas também não tinham o porquê mudar. A partir do momento que o advento da moda começa, percebemos de maneira sutil que a representação de uma condição de um determinado grupo perde espaço para a roupa ganhar conotação individual e de individualização – mesmo com todas as implicações que essa lógica impõe.
o sistema moda é comum estar associado ao surgimento da moda, e posso resumir em um única palavra: modismos. O modismos em todas as áreas da vida humana – do esporte, pesquisas acadêmicas, movimentos artísticos ao nome de bebês – pertence ao sistema moda. apoesar da minha falta de dados e pesquisa, tenho comigo que o sistema moda é mais antigo que o aparecimento da moda, e esteja na mesma região mítica que as roupas. Se as roupas não mudavam, ou mudavam com lentidão, podemos na área dos gostos e das mentalidades, perceber esse sistema começando entrar em ação. Se pensarmos no Helenismo, a difusão da cultura grega e sua “miscigenação” no Oriente e nos países dominados e sua predominância mesmo depois da morte de Alexandre, o Grande, podemos notar que sim, o poderio militar e econômico foi fundamental para o surgimento da estética do helenismo, mas também a substituição de uma ideia por outra, um proto sistema moda pode ter dado o alcance para que a cultura grega, mesmo sem poder, tenha influenciado tanto o Oriente como o poderosíssimo Império Romano.
Sendo assim, acredito que do encontro do sistema moda com as roupas que nasce a moda. Enfim, escrevo isso porque cada vez mais penso na importância capital das roupas, pois mesmo se um dia a moda acabar, as roupas ficarão, e assim entender das roupas é entender mais profunda e extensamente a moda, a compreensão da moda começa pelas roupas e não o contrário. E a cada dia fica muito mais claro um comentário sobre Miuccia Prada – acredito que numa Vogue América de 2005 – dizendo que mais do que a moda, ela é sim apaixonada e fascinada pelas roupas, é o que ela acha realmente interessante.
t-baiana
as roupas: o turbante étnico e o turbante moda
robertasa1

BALANÇO SPFW VERÃO 2010 – PARTE 2

É sempre bom contextualizar. Sempre me irritou ou me incomodou e depois achei super mistificação [um exercício old fashionista por excelência], indicar tendências (será ainda uma palavra justa de usar?) como:
1) uma moda certa que irá pegar e que você tem que seguir;
2) não tentar compreender quais os sinais que aquelas “tendências” apontam.
Falar que agora é nude, ou que a cintura alta continua em alta pouco revela ou quase nada diz sobre a complexa rede e sistemas que a moda dialoga.
Sendo assim, sempre tentei evitar comentar tendências de uma temporada por total falta de cultura de minha parte, mas dessa vez, tentei me arriscar e fiz um texto para o Metrojornal sobre os rumos [palavra que Gloria Kalil usou com propriedade para substituir tendência em seu último editorial sobre o SPFW e que já adotei] do verão 2010
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Aqui está o abre da matéria que fiquei satisfeito por conseguir fechar certas idéias:
Como já tinham previsto há algum tempo atrás a editora de moda Regina Guerreiro e o diretor artístico do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, não faz mais sentido falar em tendência. São tantas as apostas nas passarelas e se atira para tudo quanto é lado que, como bem definou outra poderosa editora, Gloria Kalil, o certo é falarmos em rumos. E rumamos na moda – e no mundo também – para um novo sexy . Depois dos anos “pornô chic” de Tom Ford, na passagem do milênio, parecia que demoraríamos algum tempo para que o sexo estivesse em alta [PS: É importante contextualizar historicamente o sexo na moda e o incrível texto de Marco Sabino chamado “Moda Tarada”, feito em 2000/2001 é um ótimo ponto de referência] . Mas nada como tempos mais bicudos para que a sensualidade quase picante volte, afinal sexo vende, e muito! Não à toa, uma marca sempre muito bem comportada como a Balmain, causou frisson na última temporada de inverno parisiense propondo comprimentos de saias mínimos, dignos das garotas que praticam a profissão mais antiga do mundo. Mas no Brasil, durante a temporada de verão 2010, o exercício dos estilistas sobre o sexy foi mais elegante e menos explícito. A sensualidade aparece em certas dissimulações da nudez como a cor nude, as transparências e os vazados das peças. Claro que quando Malana passou com seu triquini fio dental no desfile da Neon, com sua derriere de fora, a geral foi ao delírio.
Mas tirando o corpão, nada é muito ostentatório na temporada, até porque vivemos um tempo (de crise?) que isso não faz o menor sentido. Por isso até mesmo o brilho, como os metalizados, que apareceram nas coleções do SPFW, é mais opaco. E como é um momento de não chamar muita atenção, o jeans delavê, mais clarinho, brilha nas passarelas pela sua força discreta.
Sem falar que começamos uma era do drapeado, a técnica usado pelos clássicos da moda para fazer uma espécie de franzido na roupa, nos remete aos gregos e à ordem que tanto esperamos depois dos momentos turbulentos que o mundo está vivendo.
Já no terreno masculino, essa volta aos valores clássicos começa a se tornar presente também, com a releitura da alfaiataria e de sua peça maior: o terno.
Enfim, se por um lado caminhamos para uma revalorização dos clássicos da moda, por outro, 2010 promete ser bem mais periguety com as meninas batendo cabelo com muito mais sensualidade.

GLORIA KALIL E EU

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Só faltou mesmo a Regina Guerreiro, pra completar a tríade fashion brasileira, mas ela não veio no último dia, quer dizer, deve ter visto o primeiro desfile e se mandado, porque a fofa, queridinha, não é obrigada! Mas consegui conversar com Gloria Kalil, [uma dica, nunca chame ela de Glorinha, tá?] antes do último desfile da temporada. Ela falou de educação, e que nem sempre consegue ser educada já que civilizar-se é um exercício contra a nossa natureza animal. Me contaram que ela era abordada até no banheiro pra tirar foto e dar autógrafo. E falou das tendências, ou da falta delas. Clique nesse link para ver a entrevista.

FASHION RIO GESTÃO PAULO BORGES OU A PROVÍNCIA VISTA DA METRÓPOLE

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Não fui ao Fashion Rio, aliás não tenho ido à temporada carioca faz umas 3 estações e para falar a verdade não é algo que sinta muito falta – e isso não é mágoa de caboclo, é entender prioridades. O ano passado fui só para o desfile de Lenny, para entrevistá-la para uma matéria que infelizmente nunca foi publicada.
Também não tenho muitas boas lembranças do evento. Eu tinha uma carga de trabalho absurda, pois toda manhã fazia matérias gerais de moda para o GNT Fashion [isso me fez trabalhar na praia, de roupa, por algumas temporadas e um problema na perna que já tinha se agravar por horas e horas de pé sem uma alimentação adequada]. Só quando cobri para o Uol em uma temporada, as coisas foram mais tranquilas [ou será humanas?]. Isso sim é mágoa de caboclo, pois não fazia nenhum almoço demorado ou compras tão típicos durante o Fashion Rio!
Mas sinceramente, mesmo ou trabalhando “como uma negra” ou dentro das leis trabalhistas de Getúlio Vargas, sempre percebia que a imprensa estava lá mais para um esquenta pré- SPFW ou mesmo uma espécie de relax na cidade maravilhosa antes do “verdadeiro” trabalho.
Era [é?] comum você escutar dos fashionistas que no Fashion Rio é possível fazer longos almoços, encontros e até compras, fora as festas vão até tarde mesmo, com os jornalistas de moda nelas. Me diga você se é possível fazer compras ou longos almoços no SPFW? Sim, é uma questão de line up, o do Rio com horários mais frouxos e muitos desfiles que “pode-se perder sem culpa”, frase que ouvi repetidas vezes, faz com que esse seja o comportamento normal dos fashionistas durante a temporada carioca.
Acho que em nome disso, existe [ou existia] um pacto silencioso de também não questionar muito a qualidade sofrível do evento. Não lembro, tirando alguns cariocas com seu bairrismo, de nenhum editor ou jornalista de moda ou fashionista falar que alguma edição do Fashion Rio foi realmente boa. O que existia era: “pelo menos vai ser uma edição de verão, porque a de inverno é de chorar”.
Nessa temporada, o clichê do lifestyle carioca deu lugar ao do paulista empreendedor. Paulo Borges antes mesmo de assumir, já recebia elogios de que pelo menos o evento ficaria mais profissional. Para muitos cariocas, e isso eu li em muitos comentários, existia um misto de satisfação e revolta: “tem que vir um paulista pra dar ordem na casa”.
Tirando o fato dele ser paulista ou não pois isso é outra mitificação, a persona Paulo Borges é uma grande empreendedora mesmo e isso não tem relação nenhuma com sua origem, ou local de nescença mas sim com sua história pessoal. Fez marcas que nunca se bicaram conviverem juntas em um evento, organizou um calendário e produziu tudo com muito savoir faire.
Sua mão, logo na primeira edição, foi sentida, sinal de sua personalidade, [nunca vi uma cobertura tão boa do Rio Moda Hype] mas acabou chamando atenção ou evidenciando o problema de criação de grande parte das grifes que desfilam no evento. E a imprensa de moda finalmente resolveu deixar o assunto que possivelmente era tocado nos longos almoços e durante as compras [a qualidade da moda apresentada no Fashion Rio] e colocar no papel. Finalmente, nessa edição, tocaram em um assunto nevrálgico do Fashion Rio: a moda feita pelas grifes.
Tanto Gloria Kalil no Chic como Alexandra Farah escreveram sobre isso, como a força da organização demonstrou a fraqueza da moda no evento. É interessante que Farah acaba o texto com uma música que amo: ‘Você Não Vale Nada Mas Eu Gosto de Você”, algo que explica muito da relação dos editores e jornalistas de moda com o Fashion Rio.
Alcino Leite e Vivian Whiteman também escreveram sobre a mudança numa boa crítica que entretanto tropeça em bairrismos como “paulistanização” ou uma tal “brasilidade, tão presente no Rio, para o bem ou para o mal, virou material escasso”. Apesar de discordar dessas premissas, o importante é o fator elitização que eles apontam no texto. E se juntam ao coro e ressaltam a fraqueza das marcas. Dizem: “Uma certa afetação nouveau-riche, quando não ‘intelectual’, chegou a infestar a mentalidade de algumas marcas”.
Não estive lá como disse, mas essa mentalidade já existia desde que frequentava o MAM e a Marina, basta lembrar de certas cenografias de Bia Lessa, Arnaldo Antunes dando uma de poeta concreto recitando em um desfile e muitos etcs. O que parece que ficou claro agora, ou pelos menos a imprensa de moda resolveu tocar nesse assunto finalmente é o descompasso de algumas marcas que sempre se apresentaram no evento.
Isso sem falar de um grande paradoxo. Foi o próprio Paulo Borges e o SPFW responsáveis nos últimos anos pelo esvaziamento do evento, o mesmo que hoje ele tem a missão de dar um up grade. Mas como convencer marcas de excelência que optaram pela visibilidade e a importância do SPFW retornarem ao Rio? Como melhorar o line up do Rio com as mesmas grifes que desfilam por lá? Aguardemos os próximos capítulos.
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PS: O título “a província vista da metrópole”, é uma provocação aos bairristas e aos elitistas, que fique claro!

PRÊMIO MODA BRASIL: NAS GLÓRIAS


rio pra não chorar
Olha, não vou gongar tanto porque digo que me diverti bastante – o jogral de globetes e a Regina Casé me fizeram a alegria do constrangimento -, só me irritei mesmo com o prêmio para o Felipe Veloso – nada pessoal, mas declaro aqui publicamente a superioridade de Frasson e Paulo Martinez no quesito stylist até esse momento, Veloso pode sim ter méritos, mas falta muito feijão com arroz pra chegar no patamar de seus concorrentes. Digo isso, pois assim me sentiria se concorresse como jornalista de moda em relação às outras 3 concorrentes, falta chão pra mim e anos de estrada pra chegar aos pés de Costanza, Glória ou Lilian – enfim, não desmereço Felipe Velosso e sim o prêmio e principalmente o júri.
Na realidade me irritei com a falta de lógica de um júri que parecia sofrer de esquizofrenia. Em um festival de cinema ou numa premiação de qualquer outra manisfestação, existe uma lógica, dada pelo presidente do júri ou pela linha do festival ou mesmo pelo pensamento da maioria dos jurados. Ora, Cannes pode ser um ano mais comercial ou mais experimental ou mais política dependendo do presidente do júri. Em arquitetura, um júri de arquitetos modernos não daria jamais um prêmio pra um arquiteto pós-moderno como Frank Gehry, mesmo ele sendo muito importante. Então qual a lógica de premiar Duda Molinos que declarou não ter feito nada de importante na área que concorreu esse ano – quer dizer, ganhou pelo conjunto da obra – e não premiar Costanza ou Gloria Coelho já que pelo conjunto da obra, elas são nossas embaixatrizes da moda?
Pra cada prêmio desse Moda Brasil uma sentença, uma lógica, uma esquizofrenia.
De qualquer forma não faço parte do coro dos contentes, já vi prêmios de moda antes com quase os mesmo vencedores e só acreditarei nesse em sua 10ª edição, quando realmente formar história. De resto, a coxinha estava Bienal, da época que a Bienal dava grandes festas e até o presidente da República comparecia na abertura = uma delícia.
Termino falando de dois momentos que realmente devem ser os únicos que devem ficar na memória. Glória Kalil e seu discurso nominando todos os que trabalharam com ela no site foi de uma elegância ímpar poucas vezes visto no “educado” mundo da moda. E também nominando outras jornalistas de moda que ela acredita ter tanta importância e atualidade, generosidade higher como diria a fotógrafa do Chic, Ivi. E Reinaldo Lourenço oferecndo o prêmio para a sua mulher Gloria Coelho, dizendo em alto e bom som que ela é a maior estilista do Brasil. Nesses pequenos momentos o humano rasgou a roupa e se mostrou grandiosamente nu = belo.

REINALDISTA OU GLORISTA?


Reinaldo verão 2009

Gloria verão 2009
Reinaldo Lourenço ou Gloria Coelho? A pergunta sobre qual dos estilistas os fashionistas mais se identificam sempre causa uma certa saia lápis – mais apertada que a justa. Os dois fazem os desfiles que estão entre os mais esperados da temporada. Muito mais que uma briga ao estilo Marlene e Emilinha Borba, a competição entre eles é saudável para a moda brasileira. “Um respeita a estética do outro, eles se admiram muito, mas fazem tudo para superar um ao outro”, diz a consultora de moda Costanza Pascolato, 67.
O respeito mútuo entre eles também é compartilhado pelos seus groupies fashion. “Gloristas” e “reinaldistas” sempre fazem questão de afirmar que amam tanto um como o outro. “Ai, que pergunta drama!”, exclama Johnny Luxo, 35. Mas o DJ prefere Gloria, pois “além de ter uma imaginação vasta, eu tenho um sapato feminino dela incrível ”. A apresentadora Sabrina Parlatori, 33, é glorista assumida. “Eu sinto mais desejo pelos tecidos dela, tanto que acabei de comprar dois vestidos maravilhosos da marca”. A relações públicas Patrícia Casé, 50, também prefere a mulher do casal pelo vetor aquisição: “Eu tenho muito mais peças da Gloria, mas eu já desfilei pro Reinaldo!”.
Já entre os “reinaldistas” está o diretor Alberto Renault, 45. Ele gosta do lado rocker do estilista: “Ele está mais próximo da vida de hoje”. Marton, 42, cenógrafo, admira a feminilidade da roupa de Reinaldo: “Até já comprei peças da marca para mim”.
Mas a maioria prefere, pelo menos para a imprensa, ficar em cima do muro. A produtora musical, Julia Petit, 35, diz que tem fases que usa mais Gloria e em outras veste mais Reinaldo. E hoje? “Juro que comprei a mesma quantidade de peças tanto de um quanto do outro na última temporada de inverno”.
Gloria Kalil que acha “Reinaldo mais moderno e Gloria mais eterna”, acredita que só a lei salomônica poderá resolver essa dúvida: “só ameaçando cortar ao meio para realmente a gente decidir entre um ou outro”.
Apesar de se declarar “iodicista”, referindo-se ao recente affair com o filho do dono da Iódice, Alexandre, a apresentadora Adriane Galisteu, 35, declara amor pelos dois, mas a coleção de verão 2009 fez seu coração bater um pouco, “mas bem pouquinho” por Reinaldo. “Foi super delicado e feminino”, diz.
Já a drag Salete Campari, 37, ama Gloria. “A estilista é mais moderno e faz a linha mais Salete”, diz se auto-referindo, “por isso prefiro o desfile dela tanto nessa como em todas as temporadas”. Ela garante adorar “todos daquela casa, mas agora está surgindo uma novidade, o filho, que vai ficar com todo o reinado”, avisa Campari prenunciando que a disputa promete a participação de um terceiro concorrente.
Pedro Lourenço, 18, filho de Gloria Coelho, 57, com seu ex-assistente Reinaldo Lourenço, 46, diz que em sua casa “fala-se muito de moda o tempo todo e que todos se influenciam” mutuamente. Mas é claro e direto na hora de decidir entre o pai ou da mãe: “A cada dia me identifico mais comigo mesmo”. Terceira visão de drag!

E você, é glorista ou reinaldista?

Esse texto foi publicado de forma editada na Folha de São Paulo no dia 23 de junho de 2008

FASHION RIO: TODO MUNDO COM MEDO NA CIDADE

Como me disse a querida jornalista Patrícia Koslinski, “você veio exclusivo pro desfile da Lenny igual a Ana Beatriz Barros”, ao lado da própria que sorriu aquele dentes brancos de top model mas eu não cai no canto da bela sereia e respondi: “Só que ela ganha em euro, e eu em realidade”.
Nos dois dias que fiquei no Rio e nas poucas horas que estive na Marina da Glória percebi que o Fashion Rio resolveu dar um choque de realidade nas fashionistas. Hospedaram todas elas em Copacabana, mais precisamente na avenida Princesa Isabel, perto dos puteiros da Prado Júnior. Muitas desesperadas e apavoradas nem saíam à noite de tanto pavor. Um exagero se pensar que o bar Cervantes é perto e sempre andei por lá sem perigo.
Rolaram boatos de assalto na frente da Marina, mas o fato que causou mesmo foi o roubo no lounge do Chic de todo o equipamento do fotógrafo do site. Dizem que a polícia foi super ríspida com dona Gloria Kalil e queriam levá-la de camburão para a delegacia para fazer o B.O. do roubo. A lenda diz que Gloria não pode aceitar pois era patrocinada pela Audi e não poderia durante o evento andar em qualquer outro veículo que não fosse da marca.
Enfim, faz mais de um ano que eu já percebia que estava todo mundo com medo na cidade.
Coisinhas cariocas!