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SEPARADOS

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Eu li na Vejinha dessa semana que Gloria e Reinaldo não vivem mais juntos
. Depois vi que a notícia nem era tão nova assim pois o Glamurama tinha falado disso no dia 02 de setembro, mais de um mês atrás.
Apesar do dus*****infernus não navegar bem pelo colunismo social, eu francamente fiquei supreso com a notícia [atrasada], pois acreditava – vendo de longe – que o casal tinha uma dinâmica para ficar casado por muitas décadas ainda. Me veio na memória de imediato Reinaldo ao receber um prêmio de melhor estilista, dedicá-lo a Gloria. E como a relação profissional e amorosa estavam no mesmo layer.
Então fica a questão: o processo criativo de ambos era muito imbricado na relação familiar, como a separação irá afetar a moda tanto de um como de outro?

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AS RESPOSTAS DE GLORIA & REINALDO

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Gloria Coelho disse que esse vestido acima foi inspirado na arquitetura de Frank Gehry, Glauco Sabino de pronto disse que era Instituto Tomie Ohtake.
Mas pra mim foi inspirado no diálogo que ela tem com Reinaldo Lourenço. E pode ter partido de um Reinaldo que olhou pra arquitetura art déco norte-americana:
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Ou poderia ser também o desenvolvimento das ideias laterais e de arquitetura desse vestido também de Reinaldo:
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Mas, quem sabe, podem ser as aberturas de todos esses zíperes de uma outra coleção de Reinaldo inspirada em motociclistas:
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Que com certeza tem relação com mesmas mulheres fortes dessa coleção de Gloria Coelho inspirada no filme “Tróia”, de onde as tiras, emendas e fatias também aparecem. E talvez muito do que Reinaldo fez seria uma resposta dele a ela:
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Esse adorável diálogo entre os dois estilistas a cada temporada se torna mais caloroso, ganha peso histórico e comoção estética. Poder acompanhar esse improvisos de vozes é sempre um privilégio, pois tem ali, além do fator criação, muito amor pela moda e respeito mútuo como só nos bons diálogos é possível.

A MODA E O MARKETING DE MODA

Como disse em uma recente palestra para uma turma ótima e interessada e inquieta no IED, Instituto Europeu de Design, as semanas de moda hoje se tornaram verdadeira e profundamente semanas de marketing de moda. Como não temos marcas realmente fortes como Chanel ou Dior que o marketing é em torno delas mesmos, as marcas apelam pelos patrocínios e ações de marchandising que muitas vezes ficam a desejar.
Entendendo que o marketing é o estudo que avalia e planeja a melhor maneira de comunicar e vender um determinado produto, vimos duas lamentáveis intervenções de um produto inserido em um desfile de marca.
Dois importantes designers de moda, Gloria Coelho e André Lima, tiveram a infeliz inserção de produtos em suas coleções que diziam muito pouco sobre o desfile que seria apresentado.
Pensando que um desfile é uma narrativa, e que eles nos conta uma idéia atrás da sequência de looks que são exibidos na passarela, a solução que ambos deram para a mostrar um produto que nada dizia ou dialogava com a coleção até que foi a menos pior, mas não podemos dizer que não foi desastrosa para a questão de imagem e narrativa. É importante ressaltar que a inserção de um produto em um desfile é feita de muitas formas e em todo o mundo, mas em geral as que dão mais certo são feitas de forma menos ostensivas e mais inseridas com a imagem que a coleção quer passar.
Gloria Coelho anunciou que antes do desfile “oficial”, assistíriamos outro que divulgaria os uniformes que a estilsita criou pro Hotel Mercure. Depois de uns 5 ou 6 looks senão me engano entra a coleção. Existia algo da alfaiataria ali nos uniformes que também estava presente na coleção “oficial”, mas como uma mixagem ruim, a imagem de um todo foi prejudicada pois a primeira imagem de sua coleção eram uniformes que tinham pouco a ver com a narrativa da coleção, mas tinham a alta carga de identidade que a estilista imprime em suas roupas. Enfim, a confusão estava formada em nome de uma promiscuidade entre produto e imagem.
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André Lima por sua vez escolheu uma espécie de dramatização – elemento presente e intríseco em suas roupas – para apresentar seu merchandising-patrocinador, criou um vaudeville muito ruim. Fernanda Motta aparece na passarela, sem anúncio, com um sorvete e desfile até o pit dos fotógrafos. Era uma propaganda do novo sorvete Magnum. Depois de caras e bocas, senta na primeria fila. Seu desfile começou logo na sequência e teve o drama nos penteados e no grau de construção dos vestidos de festa perturbado por uma primeira dramatização canhestra, quase piriguete da apresentadora do Brazil`s Next Top Model. Fez uma coleção bela mas eclipsada por um sorvete de chocolate.
Acho importante a ação de outros produtos na moda pois no nosso país temos pouquíssimas marcas que podem sobreviver com a apresentação de seu próprio produto, mas mais importante ainda é estilistas e o marketing entenderem como uma ação deve ser feita e até que ponto ele deve ir para não corromper a apresentação de outro produto-imagem: A criação de uma marca de moda pois afinal é por esse e para esse produto que estamos ali.

PRÊMIO MODA BRASIL: NAS GLÓRIAS


rio pra não chorar
Olha, não vou gongar tanto porque digo que me diverti bastante – o jogral de globetes e a Regina Casé me fizeram a alegria do constrangimento -, só me irritei mesmo com o prêmio para o Felipe Veloso – nada pessoal, mas declaro aqui publicamente a superioridade de Frasson e Paulo Martinez no quesito stylist até esse momento, Veloso pode sim ter méritos, mas falta muito feijão com arroz pra chegar no patamar de seus concorrentes. Digo isso, pois assim me sentiria se concorresse como jornalista de moda em relação às outras 3 concorrentes, falta chão pra mim e anos de estrada pra chegar aos pés de Costanza, Glória ou Lilian – enfim, não desmereço Felipe Velosso e sim o prêmio e principalmente o júri.
Na realidade me irritei com a falta de lógica de um júri que parecia sofrer de esquizofrenia. Em um festival de cinema ou numa premiação de qualquer outra manisfestação, existe uma lógica, dada pelo presidente do júri ou pela linha do festival ou mesmo pelo pensamento da maioria dos jurados. Ora, Cannes pode ser um ano mais comercial ou mais experimental ou mais política dependendo do presidente do júri. Em arquitetura, um júri de arquitetos modernos não daria jamais um prêmio pra um arquiteto pós-moderno como Frank Gehry, mesmo ele sendo muito importante. Então qual a lógica de premiar Duda Molinos que declarou não ter feito nada de importante na área que concorreu esse ano – quer dizer, ganhou pelo conjunto da obra – e não premiar Costanza ou Gloria Coelho já que pelo conjunto da obra, elas são nossas embaixatrizes da moda?
Pra cada prêmio desse Moda Brasil uma sentença, uma lógica, uma esquizofrenia.
De qualquer forma não faço parte do coro dos contentes, já vi prêmios de moda antes com quase os mesmo vencedores e só acreditarei nesse em sua 10ª edição, quando realmente formar história. De resto, a coxinha estava Bienal, da época que a Bienal dava grandes festas e até o presidente da República comparecia na abertura = uma delícia.
Termino falando de dois momentos que realmente devem ser os únicos que devem ficar na memória. Glória Kalil e seu discurso nominando todos os que trabalharam com ela no site foi de uma elegância ímpar poucas vezes visto no “educado” mundo da moda. E também nominando outras jornalistas de moda que ela acredita ter tanta importância e atualidade, generosidade higher como diria a fotógrafa do Chic, Ivi. E Reinaldo Lourenço oferecndo o prêmio para a sua mulher Gloria Coelho, dizendo em alto e bom som que ela é a maior estilista do Brasil. Nesses pequenos momentos o humano rasgou a roupa e se mostrou grandiosamente nu = belo.

ROLOU UMA GLORIA COELHO EM PARIS


inverno 2008 de Gloria Coelho


verão 2009 Louis Vuitton


verão 2009 Martin Margiela para Sonia Rykiel


verão 2009 Jean Charles de Castelbajac

E SUBIU PRA CABEÇA


verão 2009 Chanel


verão 2009 John Galliano

LINHA DE PASSE E GLORIA COELHO

“Linha de Passe”

Existe algo de Rosselini nesse que é o melhor filme de Walter Salles e sua parceira Daniela Thomas: “Linha de Passe”. Existe algo de Gloria Coelho em Cleuza, a personagem de Sandra Corveloni que levou o prêmio de melhor atriz no último Festival de Cannes, assim como tem algo de Anna Magnani do clássico “Roma Cidade Aberta” em um tom abaixo na interpretação da Corveloni. A dama Anna Magnani sempre de preto, pelo menos o filme é em P&B, e seus looks são variações do cinza e do preto, cor preferida de Gloria Coelho.
Mas o que liga a estilista de vestidos tão sofisticados a esse filme que se passa na periferia pobre de São Paulo é outro drible.
Faz algum tempo Jum Nakao e Kiko Araújo organizaram uma excelente exposição coletiva no Sesc Pompéia, “Conflitos e Caminhos”. E chamaram duplas de estilistas pra trabalharem juntos na construção de uma roupa-instalação. Gloria Coelho foi escolhida para fazer seu trabalho junto com seu filho Pedro Lourenço. Junto a cada roupa tinha um vídeo que era possível ver o processo da feitura de cada roupa. Gloria civilzadamente discute muito com seu filho a ponto de resolverem que um faria a parte de baixo do vestido e o outro a parte de cima. O trabalho fica muito interessante e Gloria, que tem um ateliê ao lado do Largo da Batata, encerra o vídeo falando que aquela região – para quem não é de São Paulo o Largo da Batata é um lugar que sai muitos ônibus para a periferia da cidade – sempre ofereceu inspiração para ela e coloca uma modelo desfilando pela região como forma de retribuição – existia algo do vestido ser feito de um material popular que eu não me recordo agora, se alguém se lembra, por favor …
Cleuza, em “Linha de Passe” é uma empregada doméstica que com certeza deve pegar ônibus no Largo da Batata. Cleuza tem 4 filhos. Cleuza educa seus filhos mas também os deixa ser, assim como Gloria com Pedro na feitura de seu vestido.
Cleuza usa e abusa da gola rolê. Seja torcendo pelo seu time Corinthias, seja em casa, ela usa essa gola que muito tem da armadura que tantas vezes está presente na roupa de Gloria Coelho – ela fez no verão 2005 uma coleção inspirada no filme “Tróia”. Aliás muitas vezes se criticou Gloria por esse gosto por uma roupa como armadura mas no fim ela estava mesmo pensando na mulher de sua cidade, uma mulher independente, que cria seus filhos, se defende e por isso a armadura. No caso de Gloria, ela reinventa com sofisticacão essa mulher urbana, essa mulher de São Paulo que o filme de Walter Salles e Daniela Thomas tão bem retratam como um comentarista narrando um gol de Pelé, ou melhor, Sócrates.


verão 2009 Gloria Coelho


“Linha de Passe”


inverno 2005 Gloria Coelho


“Linha de Passe”

O SOL BRASILEIRO DO VERÃO 2009

Estava conversando recentemente com Fernanda da Oficina de Estilo sobre o que mais nos encantou no verão 2009. Os 5 tops, as listas de Nick Horby…
Ela fez a dela da Oficina , a minha é simples e curta:
Marcelo Sommer e Reinaldo Lourenço colocaram questões pertinentes à moda e à imagem de maneiras diferentes e complementares.
O estilista Reinaldo Lourenço focou numa visão microscópica da moda, entrou na arquitetura e principalmente no design trazendo as questões de desenho à frente – no caso, a porcelana e a roupa – para fazer relações da essência da moda, do que a moda é feita. Fez uma verdadeira maiêutica.

Reinaldo Lourenço verão 2009

Sommer para a sua marca Do Estilista fez a operação inversa, macroscópica e foi até o limite do conceito de moda, discutindo fantasia e figurino. De maneira corajosa ele foi até as fronteiras dessa discussão. Fez novas duanas.

Do Estilista verão 2009
Maria Bonita
fez o equilíbrio perfeito entre uma moda nacional e uma vontade internacional. Pescou do universo dos ribeirinhas o desenho minimalista, e pôs na mesma rede tudo o que é cool das passarelas daqui e de lá. Fez Cinema Novo.

Maria Bonita verão 2009
Lenny ventilou frescor novamente. A busca de novas formas, novas proporções, os plissados, tudo simbolizando a vida. Uma elegia à mulher e a uma moda que sempre é vista como menor. Fez arquitetura da vida.

Lenny verão 2009
Gloria Coelho sempre busca na história e na história da moda, uma nova história. Dessa vez – novamente – , toda a moda masculina se fez feminina. E deu pano pra manga. Fez voar.

Gloria Coelho verão 2009