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A RELAÇÃO ESTILISTA E MODELO: O CASO MARINA DIAS – LINO VILLAVENTURA

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foto – Fabio Porcelli.

Meio felina, meio silenciosa, angulosa como um dodecaedro que de muitos lados são bons pra pose e de cada ângulo uma nova faceta, foi assim que vi Marina Dias no meio da fumaça do Hell‘s Club quando ainda era dentro do Columbia. Ela me chamou muito a atenção assim como as Gêmeas. Aliás os personagens silenciosos sempre fazem barulho na minha cabeça.
Depois a vi em uma imagem de sonho, de dramaticidade no desfile do verão 1997 de Lino Villaventura. Com certeza uma das grandes imagens produzidas pela moda brasileira.
Clique aqui para assistir
Essa imagem poderosa de uma ninfa, meio vampira de lentes brancas é cheia de dramaticidade, mas não era o drama carregado de teatralidade e sim de peso cinematográfico. Parece ela, Marina, chamar a nossa atenção mental para o zoom, para o close em seu rosto, seus seios e depois se afastar em um plano americano, mais aberto.
Lino e sua equipe muitas vezes comentaram desse desfile como um marco, pois muitos críticos ficaram chocados e alegaram que talvez a apresentação estivesse mais para o teatro do que para um desfile de moda.
Flashback!
É importante lembrar que também na mesma época, 1996, Ronaldo Fraga faz a sua estréia com o desfile “Eu Amo Coração de Galinhas”. A carga teatral do desfile de Ronaldo leva a editora de moda Lilian Pacce a escrever na época sobre a coleção de Fraga que “moda não é teatro”. Com esse parênteses quero dizer que a idéia de teatralização ou melhor a busca de formas diferenciadas de apresentação de uma coleção estava no espírito de alguns criadores brasileiros na época.
Se para Fraga seus desfiles tinha algo de circense e portanto de teatral, já que a origem e, mais ainda, o desenvolvimento do teatro brasileiro tem certas ligações com o circo, a dramaticidade de Lino, mais barroca na época, tinha, muito por causa de fotogenia de Marina Dias, uma ligação com o cinema e porque não, em última instância com o cinema de Glauber Rocha, autor igualmente barroco [tenho essa tese faz algum tempo e gostaria de desenvolvê-la com mais precisão mas ainda me faltam dados e tempo].
Fast foward!
Penso que durante o período que Marina Dias participou com ênfase dos desfiles de Lino, ela foi sua melhor tradução. O último que me recordo de sua presença magnânima foi o do verão 2006, que na minha opinião [balizado pela mestre Regina Guerreiro] foi o grande momento do criador paraense nessa década. Em imbricadas, complicadas e perfeccionistas construções em patchwork, Lino apresentou uma mulher atemporal. Mesmo Marina não abrindo o desfile, foi ela que alcançou com maior êxito a imagem daquela coleção. Enquanto algumas exibiam uma teatralidade que à essa altura era mais do que esperada numa coleção de Villaventura, ela apenas mexe uma das mãos enquanto anda. Deposita todo o drama apenas nessa mão. E nos faz delirar nas muitas mãos que confeccionaram todo aquele sonho [Lino me contou que sonhou com toda a coleção], faz querer que nossa mão toque naquela roupa. Enfim, com o mínimo, um dos apredizados do cinema, nos diz o máximo.
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Sinto muita falta dela nos desfiles de Lino hoje. Nenhuma modelo entendeu tão bem o imaginário do estilista, ou melhor, nenhuma modelo filmou tão bem para essa mente única da moda brasileira.

Pós post – Cesar Fasina, o stylist do desfile de verão 1997 de Lino Villaventura, me escreveu e fez uma espécie de memorabilia:
Foi feito à seis mãos ( Lino, Jackson [Araújo] e eu) . As lentes de contato brancas tiravam a alma das modelos, um olhar frio, “ bailarinas congeladas”… Amo este desfie. Fiquei muito emocionado quando terminou, foi um árduo e apaixonante trabalho… Lembro da Berriel trocar todo um look branco pra um totalmente preto….com 5 pessoas ajudando na troca, fechando as dezenas de botões minúsculos….feitos a mão….nas costas….Lino é um grande estilista. Foi uma honra estar junto.

QUESTÕES DA MODA DE RUA

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Marco Sabino, que realiza um papel importantíssimo na moda brasileira de historicizá-la através de seus textos e de seu já clássico Dicionário de Moda, me enviou essas perguntas bem interessantes e argutas sobre a moda de rua e decidi que minhas respostas deveriam ser compartilhadas, até porque estão em formação. Não existe um pensamento muito claro sobre a moda de rua e uma discussão enraizada, pelo menos no Brasil.
Ele também me escreveu dizendo que muita gente acha que o oposto da moda de rua é a alta costura. Superficialmente podemos pensar que sim, pois temos a chamada democracia nas ruas em contraposição à elitização extrema da alta costura – hoje quantas pessoas consomem alta costura? 500, 1000 pessoas no mundo todo? Mas como disse, essa oposição é apenas superficial pois as duas procuram o mesmo caminho: O da individualização – o ponto mais importante da moda e sua contribuição para o mundo! Só que uma – a alta costura – em relação à roupa e a outra – a moda de rua – através do estilo.
Então comecemos! Como disse são respostas cruas e acho que todos poderão ajudar no debate que talvez se forme aqui e/ou em outros blogs.

1- Qual seria o oposto da moda de rua?
A moda de rua ou anti-moda surge nas tribos jovens entre os anos 50 e 60 que criam um estilo pessoal distante do que ditava as passarelas, mas ainda identificados com o segmento que os representavam (teddy boy, beatnik, mod, hippie) Enfim, eles não se preocupam com a chamada moda oficial, não respeitam seus códigos e nem os seguem. Então, por exercício lógico, podemos pensar que a moda de rua estaria em oposição à moda de passarela, mas na verdade o que ela processa e pretende é estar no lugar da moda de passarela, no topo da pirâmide e não mais na base. O seu oposto na verdade é a diluição da moda de passarela nas ruas.
[Talvez isso explique minhas ressalvas ao trabalho do The Sartorialist como moda de rua pois ao fotografar saídas de desfiles e lugares ditos como fashion, estaria ele fotografando mais atento à diluição da moda de passarela, apesar de na diversidade dos tempos de hoje, ele consiga achar sim, às vezes, pessoas com estilo próprio que é a raiz da moda de rua, um de seus objetivos cruciais, na minha opinião e não apenas como a rua está lendo a passarela]

2. A roupa comprada na loja de grife também não vai às ruas e acaba se misturando no olhar? Ou existe uma “moda de salão”?
A moda de rua trabalha numa chave diferente dessa que estamos chamando de “moda de passarela ou oficial ou mesmo de salão”. Sabemos que a “moda de salão ou oficial” só se fecha e ela só acontece quando chega às ruas. Mas a moda de rua independe da passarela, podendo sim ser influenciada – pouco, verdade seja dita, ou enganosamente como o caso dos lenços palestinos que foram chamados por um tempo de lenços Balenciaga -, mas ela apenas dialoga com essa moda de passarela que sim, está muito atenta para o que acontece nas ruas. Aliás o espírito da moda de rua é não olhar pra passarela, já que ela tem caráter subversivo, de anti-moda no sentido de estar invertendo a pirâmide da “moda oficial” [antigamente era dos grandes ateliês para as ruas e a partir dos anos 60, formou um outro movimernto que sai da rua para os grandes ateliês]. A legítima moda de rua influencia as passarelas. Até porque nas passarelas o primeiro foco é a roupa (produto) e imagem dessa roupa ou da marca. E na moda de rua o primeiro foco é o estilo ou imagem da pessoa, do indivíduo. A indivídualidade é muitíssimo sutil na passarela porque o foco tem que ser as roupas,a grife. Não existe uma individualidade Herchcovitch, Calvin Klein ou Marc Jacobs, o que existe é a label, a marca, o produto
Então a moda de rua é anti-moda porque independe da passarela para existir, depende unicamente de personalidade e do indivíduo. Posto isso, pouco importa se a roupa é de grife ou não, porque o que importa no caso da moda de rua é quem a veste e como aquilo que a veste lhe realçou a personalidade. Isso pra mim é claro nos uniformes, pois todos são iguais (e poderia ser todos assinados por Balenciaga) mas são certas pessoas que – no modo de compor, andar, fazer um certo detalhe diferencial – dão mais personalidades a eles, os uniformes, do que outras.
É importante ressaltar que não é porque está na rua é que é moda de rua – pode ser apenas diluição da passarela, a base da pirâmide que tem como topo as grifes -, na moda de rua tem que ter o quesito “desprezo” para as tendências da passarela, ou antecipá-las ou usá-las para além e acima da tendência de passarela.
[Um exemplo é o garçom do Ponto Chic que usa o colete-jaquetão de uniforme antes mesmo da tendência das passarelas masculinas internacionais e possivelmente continuará a usar depois que essa tendência passar].

3. Roupa de rua = Roupa de gueto?
Ela surge assim e permanece assim até hoje. O estilo dos guetos do hip hop e do rock que o digam. E por isso a importância dos uniformes para entendermos melhor a moda de rua. Mas a partir dos anos 1990 e seu já clássico termo “supermercado de estilo”, o menino do hip hop que se destacava por seu estilo dentro do movimento ganha mais liberdade, pois percebe-se que não precisa pertencer a algum grupo específico para ter um estilo. É a entrada da era das individualidades na moda de rua. O gueto ainda conta – veja os looks dos emos hoje -, mas com menos força e mesmo assim mais mixado. Muitos emos podem se passar por indies, por exemplo. Como muito clubbers por ravers. Mas a acentuação individual ganha mais corpo.

4. Na sua opinião, representantes de classes mais baixas, o povão mesmo, se toca com moda?
No Brasil nos falta cultura visual. Com certeza tanto diante de um quadro de Boticelli como em um desfile de Ronaldo Fraga, o observador médio tem muita dificuldade de formar discursos e/ou outras visualidades a partir desses dois exemplos. O ensino de artes no país é uma catástrofe. [Exatamente por isso truques como Galeria Vermelho e outras atrocidades da artes contemporâneas mistificadoras no nosso país caem no gosto suburbano do provinciano].
Sobre a questão das classes populares, essas sem educação visual nenhuma agem como a maioria da população brasileira, incluindo os ricos, no quesito moda: Por instinto. A maioria das vezes copiando o que “está na moda”. E no caso da classe média e baixa copiando não a moda de passarela, mas a de novela o que é um fenômeno interessantíssimo. Toda a educação visual e com isso a de moda [precária, diga-se de passagem] da maioria dos brasileiros é dada pela televisão.
Enfim, a moda como expressão da individualidade é ainda mérito de poucos, de uma elite muito restrita que não necessariamente é a econômica nem a intelectual.

5. Gosto do povão é diferente do da classe média?
Um pouca dessa pergunta está respondida acima, mas como falamos de individualidades, a questão de classe fica mais prejudicada. Usando uma frase antiga de Glauber Rocha que se encaixa para esse exemplo: “No meio da massa tem o indivíduo e o indivíduo é muito mais difícil de dominar”.

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O que você verdadeiramente vê?

A IMAGEM NO PODER: 40 ANOS DE MAIO DE 68

Acabei de receber a programação da Cinemateca Brasileira que pode provar inteiramente o que escrevi sobre o poder do cinema e da imagem produzida por ele na década de 60.  A Cinemateca e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo apresentam a segunda parte da mostra 1968 NO CINEMA, que ocupa também o cinema da Galeria Olido entre os dias 3 a 8 de junho de 2008.

Os destaques incluem dois clássicos de Jean-Luc Godard (A chinesa, na Cinemateca, e One plus one – com os Rolling Stones -, na Galeria Olido) além de quatro filmes do cineasta brasileiro mais representativo do período, Glauber Rocha: 1968, Câncer (esse filme é super raro e tem Hélio Oiticica no elenco, vale muito!), História do Brasil e Terra em Transe.

Eu, com certeza, não perderia também Hitler III Mundo, Bla Bla Bla e Bandido da Luz Vermelha.
 

A CHINESA – incrivelmente pop, incrivelmente lúcido em uma época que todos eram chineses (estaremos vivendo um revisionismo)

 

 

O BANDIDO DA LUZ VERMELHA – jovem, insano, sem medo de ser brega e ultramoderno ao mesmo tempo agora.

 

TERRA EM TRANSE – já pelo fato de ser o filme que Zé Celso olhou para fazer “O Rei da Vela”, que Hélio e Lygia elegeram como uma das maiores contribuições para as artes plásticas, que Caetano sistematicamente elege como fundador do Tropicalismo, provando que o cinema era mesmo a lanterna de popa daquela geração. O extrato que coloco aqui é a parte final. O populista interpretado por José Lewgoy cede ao golpe de Estado de Porfírio Diaz (Paulo Autran maravilhoso!!!!) e o poeta (Jardel Filho) prefere se suicidar. Reparem que na posse de Porfírio, a leitura elevadíssima de Glauber sobre as chacretes ao fundo e também na linguagem clipada que anos depois seria reconhecida como mérito da MTV. 

 

 
Programação e sinopses:

03.06 | TERÇA
Galeria Olido
15h00 – O bandido da luz vermelha
17h00 – Meteorango Kid – Herói intergalático
19h30 – Hércules 56

04.06 | QUARTA
Sala Cinemateca / Petrobras
16h00 – 1968 + Câncer
18h00 – História do Brasil
21h00 – A chinesa

Galeria Olido
15h00 – Meteorango Kid – Herói intergalático
17h00 – Bla bla bla + Hitler III Mundo
19h30 – O Rei da Vela

05.06 | QUINTA
Sala Cinemateca / Petrobras
16h00 – A chinesa
18h00 – Universidade em crise + Desesperato
20h00 – Retomada

Galeria Olido
15h00 – Partner
17h00 – Fogo que não se apaga + Memória e história em utopia e barbárie
19h30 – Corações e mentes

 06.06 | SEXTA
Sala Cinemateca / Petrobras
17h00 – Amantes constantes
20h00 – A insustentável leveza do ser

Galeria Olido
15h00 – Bla bla bla + Hitler III Mundo
17h00 – O bandido da luz vermelha
19h30 – One plus one

07.06 | SÁBADO
Sala Cinemateca / Petrobras
16h00 – Os sonhadores
18h00 – A chinesa
20h00 – Amantes constantes

Galeria Olido
15h00 – Hércules 56
17h00 – One plus one
19h30 – Partner

08.06 | DOMINGO
Sala Cinemateca / Petrobras
16h00 – Terra em transe [exibição em 35mm]
18h00 – O dragão da maldade contra o santo guerreiro
20h00 – 1968 + Câncer

Galeria Olido
15h00 – Fogo que não se apaga + Memória e história em utopia e barbárie
17h00 – Corações e mentes

1968, de Glauber Rocha e Affonso Beato
Rio de Janeiro, 1968, 16mm, pb, 21’
Documentário inacabado que registra uma manifestação estudantil no Rio de Janeiro em 1968.

Amantes constantes (Les amants réguliers), de Philippe Garrel
França, 2005, 35mm, pb, 178’ | Legendas em português
Louis Garrel, Clotilde Hesme, Julien Lucas, Eric Rulliat
Um romance entre um poeta e uma escultora que se conheceram durante as manifestações de maio de 68. Vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia no Festival de Veneza de 2005.

O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla
São Paulo, 1968, 35mm, pb, 92’ | Exibição em DVD
Paulo Villaça, Helena Ignez, José Marinho, Luiz Linhares
Clássico do cinema moderno brasileiro que toma como ponto de partida um caso policial de grande repercussão.

Bla bla bla, de Andrea Tonacci
São Paulo/Rio de Janeiro, 1968, 16mm, pb, 26’ | Exibição em DVD
Paulo Gracindo, Irma Alvarez, Nelson Xavier, Marcelo Pietsh França
Num momento de grave crise nacional, um ditador, confrontado na cidade e no campo por revoltas e guerrilha, faz um longo pronunciamento pela televisão buscando justificar seu programa de governo e obter uma paz ilusória.

Câncer, de Glauber Rocha
Brasil/ Itália, 1968-1972, 16mm, pb, 86’ | Exibição em DVD
Odete Lara, Hugo Carvana, Hélio Oiticica, Antonio Pitanga
Num dos mais radicais projetos do diretor, três personagens – um típico malandro carioca, o receptador de seus pequenos golpes e uma loura sensual – envolvem-se em situações cujo tema é a violência psicológica.

A chinesa (La chinoise), de Jean-Luc Godard
França, 1967, 16mm, cor, 96’ | Legendas em português
Jean-Pierre Léaud, Anne Wiazemsky, Juliet Berto, Lex De Bruijn
Um grupo de estudantes franceses de ideais maoístas discute a possibilidade de mudar o mundo através do terrorismo. Um retrato, com toques de pop-art, do movimento esquerdista francês um ano antes dos eventos de Maio de 68.

Corações e mentes (Hearts and minds), de Peter Davis
Estados Unidos, 1974, 35mm, cor, 112’ | Legendas em português
Documentário que marcou época ao trazer à tona as devastadoras conseqüências humanas da Guerra do Vietnã.

Desesperato, de Sérgio Bernardes Filho
Rio de Janeiro, 1968, 35mm, pb, 85’
Raul Cortez, Mariza Urban, Nelson Xavier, Mário Lago, Ferreira Gullar
Após pesquisar as “zonas negras do Terceiro Mundo”, escritor lança um livro sobre patriotismo e luta pela liberdade. Ao voltar pra casa, encontra uma estrutura arcaica que não pode mais suportar.

O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1969, 35mm, cor, 95’ | Exibição em 16mm
Othon Bastos, Mauricio do Valle, Odete Lara, Jofre Soares
Com ares tropicalistas, o filme retoma o personagem Antonio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol, contratado por um coronel para exterminar um bando de cangaceiros.

Fogo que não se apaga (Nicht löschbares feuer), de Harun Farocki
Alemanha, 1969, 16mm, pb, 25’ | Legendas em português | Exibição em DVD
Com escassos recursos, o diretor apresenta uma visão da Guerra do Vietnã que critica a abordagem sensacionalista da imprensa.

Hércules 56, de Silvio Da Rin
Rio de Janeiro, 2006, 35mm, cor/pb, 93’
Documentário sobre os presos políticos trocados pelo embaixador americano seqüestrado por revolucionários que lutavam contra a ditadura militar.

História do Brasil, de Glauber Rocha e Marcos Medeiros
Brasil/Itália, 1974, 35mm, pb, 166’
Revisão crítica da história do Brasil, por meio de uma montagem dialética de material recolhido nos arquivos e cinematecas de vários países.

Hitler III Mundo, de José Agrippino de Paula
São Paulo, 1968, 35mm, pb, 70’ I Exibição em DVD
Jô Soares, José Ramalho, Eugênio Kusnet, Túlio de Lemos
O nazismo toma conta da cidade: prisão e tortura de revolucionários, um samurai perdido no caos, amantes trancafiados, o ditador e sua corja de bárbaros conservadores.

A insustentável leveza do ser (The unbearable lightness of being), de Philip Kaufman
E.U.A., 1988, 35mm, cor, 171’ | Legendas em português
Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin, Derek de Lint
Adaptação do best-seller de Milan Kundera sobre jovem cirurgião que é forçado a rever sua postura de alienação política ao envolver-se num triângulo amoroso, na cidade de Praga em 1968.

Memória e história em utopia e barbárie, de Silvio Tendler
Rio de Janeiro, 2005, vídeo digital, cor, 50’ | Exibição em DVD
Documentário que aborda e interpreta os cinqüenta anos que precederam o início do século XXI: o pós-Segunda Guerra Mundial, os movimentos de contra-cultura, as ditaduras militares na América Latina, a Guerra do Vietnã etc.

Meteorango Kid – Herói intergalático, de André Luiz de Oliveira
Salvador, 1969, 35mm, pb, 85’ | Exibição em DVD
Antonio Luiz Martins, Sonia Martins, José Wagner, Carlos Bastos
Com humor e escatologia, o filme apresenta o cotidiano de um revoltado universitário em busca de aventuras. Um ilustre exemplar da vertente baiana do cinema marginal.

One plus one (Idem), de Jean-Luc Godard
Inglaterra, 1968, 35mm, cor, 97’ | Legendas em português | Exibição em DVD
Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman, Charlie Watts
Uma série de vinhetas sobre a contracultura, os Panteras Negras, a mídia e a liberação das mulheres, intercaladas a imagens da banda Rolling Stones em estúdio, trabalhando na gravação de seu clássico álbum Beggars Banquet. Versão do diretor para o longa lançado com o título de Sympathy for the Devil.

Partner (Idem), de Bernardo Bertolucci
Itália, 1968, 35mm, cor, 105’ | Legendas em português | Exibição em DVD
Pierre Clémenti, Stefania Sandrelli, Tina Aumont, Sergio Tofano
Baseando-se livremente em O Duplo, de Dostoiévski, o filme conta a história de um estudante cuja existência solitária é abalada pelo aparecimento de um homem que o incentiva a ter um maior engajamento político.

O Rei da Vela, de José Celso Martinez Corrêa e Noilton Nunes
São Paulo/Rio de Janeiro, 1971-1982, 35mm, cor, 160’ | Exibição em DVD
Renato Borghi, Henrique Brieba, Esther Góes, Maria Alice Vergueiro
Registro da revolucionária montagem do Teatro Oficina para peça de Oswald de Andrade, acrescido de imagens externas filmadas posteriormente e cenas de arquivo retiradas de documentários e filmes familiares.

Retomada (Reprise), de Hervé Le Roux
França, 1996, 195’, 35mm, cor/pb | Legendas em espanhol | Exibição em Beta digital
A partir de um registro do final de uma greve numa fábrica na periferia de Paris, feito por dois estudantes de cinema em junho de 1968, este documentário busca reencontrar, quase 30 anos depois, uma operária que foi filmada em sua eloqüente recusa a retomar o trabalho.

Os sonhadores (The dreamers), de Bernardo Bertolucci
França/ Itália/ Inglaterra, 2003, 35mm, cor, 115’ | Legendas em português
Michael Pitt, Eva Green, Louis Garrel, Jean-Pierre Léaud
Em meio aos tumultos políticos de Paris em 1968, três estudantes se vêem envolvidos num triângulo amoroso marcado pela descoberta e pelo desejo de liberdade.

Terra em transe, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1967, 35mm, pb, 105’
Jardel Filho, Glauce Rocha, Paulo Autran, José Lewgoy
No país imaginário de Eldorado, em meio a uma disputa pelo poder, um poeta à beira da morte rememora sua participação em lutas políticas. Obra-prima de Glauber Rocha, o filme inaugurou um debate sobre o populismo no Brasil e foi o ponto de partida para o Tropicalismo.

Universidade em crise, de Renato Tapajós
São Paulo, 1965, 16mm, pb, 20’
Retrato de uma greve estudantil motivada por uma invasão policial ao conjunto residencial da USP.
 

Serviço:
ENTRADA FRANCA
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Metrô Vila Mariana
Outras informações: 3512-6111 (ramal 215)
http://www.cinemateca.gov.br
GALERIA OLIDO
Av. São João, 473
Metrôs Anhangabaú / República
Outras informações: (11) 3331-8399

MAMÃE FAZ 100 ANOS (OSCAR NIEMEYER)

Esse final de semana foi geriátrico, só se falou nele (e no Ryan Grace também), mas ele, nossa mamãe faz 100 anos, Oscar Niemeyer!

Tenho que assumir que já compartilhei de discursos contra o arquiteto, como “Brasília são só escritórios” ou “o Memorial da América Latina é seco”! Mas são só discursos.

Lembro que fui conhecer a capital federal já com mais de 20 anos e todo cheio de preconceito. Eu e outros alunos da ECA fomos selecionados para o Festival de Cinema de Brasília e como não tinha passagem e hospedagem pra todo mundo dividimos assim, os que ganharam hospedagem pagaram a viagem de ônibus e os que ficaram na casa de amigos ou parentes foram de avião pelo Festival.

Fui de ônibus com minha grande amiga Ana Cabeças. Lembro que era umas 9 da manhã quando o ônibus entra na cidade. Eu e Ana ficamos espantados, parecia o antigo Egito, monumental, belo, avassalador. A partir daí não tinha discurso certo. Oscar NinguémMalha tinha entrado no meu coração. Desse momento em diante foi como se eu entendesse ‘o monumento no planalto central do país”.

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O impacto emocional surgiu na Catedral, eu ainda comunista de fim de carreira, pensei como um ateu podia fazer um ato de fé tão transcendente como aquela construção onde os anjos sustentam todo o alicerce.

Enfim, minha admiração por Oscar vai além das obras, mas como seu signo invadiu tantos pensamentos e artes no Brasil.

No cinema além dos filmes do Cinema Novo feitos pelo susto de Brasília e o “Idade da Terra” que no delírio glauberiano se transforma numa cidade futurista e ao mesmo tempo no centro das civilizações da Antiguidade. Mas Oscar tem uma participação espetacular em “Conterrâneos Velhos de Guerra” de Vladimir Carvalho. Ele diz atrocidades e incoerências sobre um massacre que houve na época da construção da capital federal. Pede pra desligar a câmera, mas o som continua ligado e a cena é um impacto para quem assiste, pois todo o sectarismo, e ele é comunista histórico, tem uma razão que a lucidez não aprova. Mas dentro da linguagem do cinema, vivemos um grande momento e uma experiência que só Oscar nos faz passar ao assistir a esse filme.

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Na moda, ele vive sendo referência. Mas o grande momento é quando em um ato Vera Cruz, a poderosa marca Forum nos anos 90 resolve olhar para o Brasil e lançar as hoje históricas coleções inspiradas na cultura nacional, como o cinema e a arquitetura e claro Oscar estava presente. Tinha meias com os desenhos dele, eu bem me lembro. Foi uma reviravolta na época. Vale lembrar que a marca voltou ao tema Niemeyer recentemente, na coleção de inverno 2007, mas na minha opinião sem muito sucesso.

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Forum inverno 2007

Enfim, a mamãe está sempre presente, guiando e ajudando seus filhos. Parabéns pelo centenário!