Arquivo da categoria: giovanni frasson

PRÊMIO MODA BRASIL: NAS GLÓRIAS


rio pra não chorar
Olha, não vou gongar tanto porque digo que me diverti bastante – o jogral de globetes e a Regina Casé me fizeram a alegria do constrangimento -, só me irritei mesmo com o prêmio para o Felipe Veloso – nada pessoal, mas declaro aqui publicamente a superioridade de Frasson e Paulo Martinez no quesito stylist até esse momento, Veloso pode sim ter méritos, mas falta muito feijão com arroz pra chegar no patamar de seus concorrentes. Digo isso, pois assim me sentiria se concorresse como jornalista de moda em relação às outras 3 concorrentes, falta chão pra mim e anos de estrada pra chegar aos pés de Costanza, Glória ou Lilian – enfim, não desmereço Felipe Velosso e sim o prêmio e principalmente o júri.
Na realidade me irritei com a falta de lógica de um júri que parecia sofrer de esquizofrenia. Em um festival de cinema ou numa premiação de qualquer outra manisfestação, existe uma lógica, dada pelo presidente do júri ou pela linha do festival ou mesmo pelo pensamento da maioria dos jurados. Ora, Cannes pode ser um ano mais comercial ou mais experimental ou mais política dependendo do presidente do júri. Em arquitetura, um júri de arquitetos modernos não daria jamais um prêmio pra um arquiteto pós-moderno como Frank Gehry, mesmo ele sendo muito importante. Então qual a lógica de premiar Duda Molinos que declarou não ter feito nada de importante na área que concorreu esse ano – quer dizer, ganhou pelo conjunto da obra – e não premiar Costanza ou Gloria Coelho já que pelo conjunto da obra, elas são nossas embaixatrizes da moda?
Pra cada prêmio desse Moda Brasil uma sentença, uma lógica, uma esquizofrenia.
De qualquer forma não faço parte do coro dos contentes, já vi prêmios de moda antes com quase os mesmo vencedores e só acreditarei nesse em sua 10ª edição, quando realmente formar história. De resto, a coxinha estava Bienal, da época que a Bienal dava grandes festas e até o presidente da República comparecia na abertura = uma delícia.
Termino falando de dois momentos que realmente devem ser os únicos que devem ficar na memória. Glória Kalil e seu discurso nominando todos os que trabalharam com ela no site foi de uma elegância ímpar poucas vezes visto no “educado” mundo da moda. E também nominando outras jornalistas de moda que ela acredita ter tanta importância e atualidade, generosidade higher como diria a fotógrafa do Chic, Ivi. E Reinaldo Lourenço oferecndo o prêmio para a sua mulher Gloria Coelho, dizendo em alto e bom som que ela é a maior estilista do Brasil. Nesses pequenos momentos o humano rasgou a roupa e se mostrou grandiosamente nu = belo.

REFLEXOS DO PENSE MODA: EDITORAS E EDITORIAIS

Com o post bafo-debate da Oficina de Estilo sobre a Vogue Brasil e suas referências muito coladas nas outras vogues, Sylvain ressaltou um ponto realmente muito profundo e cultural: a Vogue brasileira tem que achar sua própria identidade. Isso não a desmerece nem um pouco, tanto que acredito que todos concordam sobre a super importância dessa publicação no país, um país analfabeto em termos visuais e principalmente dentro dos códigos de moda.

Essa procura da identidade vem um pouco atrasada na moda, pois muitas manifestações no país como cinema e literatura, por exemplo, estão nesse debate faz tempo, e sem ele não existiria Cinema Novo nem a literatura de Guimarães Rosa ou mesmo de Clarice Lispector pra não achar que eu entendo identidade como algo folclórico e regionalista.

referencia2.jpg 

Voltando ao assunto, quando vi o editorial da Raquel Zimmermann em Paris e depois o da bela promessa e aposta da Vogue, Isadora di Domenico, no ensaio de Frasson, achei que tava vendo a mesma coisa apesar de assuntos aparentemente diferentes. Não adianta o discurso (graças a Deus, moda não é artes plásticas conceitual), está impresso, não tem como negar.

Se esse é um ponto negativo e respalda na questão do colonialismo mesmo que involuntário, por outro lado a Vogue brasileira lançar modelo que não são as apostas de fora e isso é um ponto bem positivo e deveria ser o caminho da revista pra tirar o complexo de inferioridade em relação às Vogues irmãs, já que eu nunca vi um editorial na Vogue brasileira em outra Vogue (pode até ter tido, mas é irrisório em comparação com o que sai na daqui).

E acho que essa reflexão só pode ser feita sem parecer ataque pessoal a Maria Prata, Giovanni Frasson (duas pessoas que respeito e muito) e todos da revista porque aconteceu o Pense Moda, um espaço para o começo de uma reflexão crítica em relação á moda.

Lá, atacou-se muito as editoras de moda e a questão da cópia. Fotógrafos, stylists e estilistas não cansaram de em algum momento alfinetar a crítica de moda. Só que é muito importante lembrar que em nenhum momento da história ocidental aconteceu de ter um grande crítico em um período que as obras eram menores e vice-versa. Mario Pedrosa não existiria sem Palatinik , os concretos e os neo-concretos e Paulo Emílio não sobreviveria sem Glauber e vice-versa. O crítico, seja ele de moda ou de qualquer outra manifestação, é um reflexo de seu tempo. Se não existem bons críticos de moda no país é porque ainda não existe uma boa moda brasileira. Pare e pense… Moda!

PS: E para a crítica de moda realmente funcionar ela tem que sair do âmbito pessoal, por mais prostituida que as relações de moda estão hoje entre marcas, imprensa e profissionais da área, se tudo for sempre levado como ataque pessoal, não se cria reflexão e nem resposta dos próprios criticados.