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MAFUÁ ATTACKS

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Lembra de quando a Forum, bem no comecinho dos 2000 e ainda sob o comando de Tufi Duek fez umas camisetas que tinham escritos as palavras fé, honestidade, luta, esperança e respeito? Essas palavras de ordem em branco apareciam em um fundo preto para, segundo a marca, ser um manifesto para arrecadar fundos para projetos sociais. Se não me engano o projeto se chamava A Camisa do Brasil e muita celebridade na época como o Rodrigo Santoro e a Malu Mader posaram na campanha de lançamento.
O que chamava muito a atenção era o preço: R$49,00. Algo bem salgado na época, quando se encontravam camisetas muito boas por 5 ou 10 reais.
Adriano Costa não deixou de fazer um comentário – irônico – sobre isso nesse vídeo que ele lançava uma de suas coleções de camisetas.

As camisetas de Tufi venderam muito, a gente sempre cruzava com alguém com o peito estufando Honestidade ou Esperança. Mas tinha algo de oco, de estranho naquilo tudo, até que uma das minhas marcas preferidas dentro do meu imaginário hoje, a Mafuá Jeans, lança essa grande homenagem remix:
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Acho que ela é muito mais A Camisa do Brasil que todas juntas da Forum!

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O TEMPO FECHOU NO CLARO RIO SUMMER

Se acreditamos que se uma semana de moda não necessariamente precisa trazer grandes novidades – papel que só as mais importantes devem realmente ter como foco principal – mas se trouxer, excelente! -, pelo menos que ela sirva para bons negócios, ou no mínimo para agitar o calendário de eventos culturais de uma cidade. Com muito esforço e boa vontade, talvez apenas o último ítem foi parcialmente alcançado pelo Claro Rio Summer.
Sobre o primeiro tópico, a inovação em moda ficou difícil porque nem moda eles apresentaram. O comentário geral era exatamente esse como bem escreveu Jorge Wakabara. Sobre o segundo ítem, os negócios, eles não aconteceram como bem relatou Milene Chaves. Sobre o terceiro e último ítem, considerando que festas nababescas podem ser consideradas eventos culturais, já que os desfiles de tão fechados estavam vazios, podemos dizer que talvez o CRS cumpriu o velho ditado: “Comeu mortadela e arrotou peru”.
Como um evento com os grandes nomes da moda-praia brasileira foi um verdadeiro fiasco? Acredito que eles perderam o foco com tanta champagne e esqueceram de tomar anti-ácido, enfim, mal começou e em todo fashionista com um mínimo de neurônio, o CRS se mostrou uma grande ressaca. Salvo algumas exceções como bem reportou Alcino Leite referindo-se à falta de foco.
Talvez a atenção dada ao evento foi feito “pela força da grana que ergue e destrói coisas belas” porque realmente, de fundo, ele se equivale a um Capital Fashion Week ou um Dragão do Mar Fashion, semanas de moda que ocorrem respectivamente em Brasília e Fortaleza. Mas trouxe os convidados internacionais e nós como verdadeiros tupiniquins nos curvamos a esse fato com algo realmente importante.
claro
Se moda é imagem, o mais lamentável do CRS não foi não apresentar moda, mas sim fazer um retrocesso da imagem do país pra inglês ver, confirmando a farseta para todos eles a ponto de todos estrangeiros declararem que era isso mesmo que esperavam do Brasil.
Samba, caipirinha e felicidade são elementos forjados na era getulista – década de 1930 – para nos dar uma identidade nacional, é um projeto altamente elaborado e ideologizado que as décadas seguintes tentaram ou combatê-las ou reatualizá-las.
Todo esse aparato da imagem e identidade nacional evoluiu muito desde então e mesmo na moda, até então insipiente no Brasil, teve seus movimentos que, ou contestaram essa imagem getulista como as coleções “de protesto” de Zuzu Angel ou a reatualizaram com novos elementos como a Forum na década de 90 e sua famosa procura da brasilidade no Cinema Novo e na arquitetura de Niemeyer.
Nesse pensamento que acredita que esse é o modo de vida do brasileiro, grandes estilistas estarão sempre de fora porque já transcenderam esse estágio, aliás como toda a sociedade brasileira. Não há espaço para a genialidade de Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço e Alexandre Herchcovitch no CRS por enquanto. Só há espaço para o ufanismo com bem espetou Carol Vasone. Brassssssssssiiiiiiiiillllllllllllll!
Por fim, refaço o pensamento de Sarah da Colette que comentou que é melhor apresentar clichês do que copiar a moda americana. Mas Sarah, o que você viu foi uma cópia do clichê!

SPFW: DIÁLOGOS IMPERTINENTES (PRA QUE DISCUTIR COM MADAMES)

Maria Cândida Coutinho de Andrade e Cleide Camargo tricotam em frente à torre do São Paulo Fashion Week no Pavilhão da Bienal:

– Queridinha, foi bafo o desfile na casa do Tufi!
– Por que, darling, o que aconteceu?
– Nada, só estava um bafo de calor infernal, me senti no Senegal, lugar, aliás, que nunca pus meus Manolos.
– Me falaram que tinha uma escadaria meio Chanel dos trópicos. Mas você sabe, eu não fui, não frequento edifícios neoclássicos.
– Quem você está querendo enganar. Não precisa se preocupar que eu não sou a turma da Casa do Saber não… E já te vi inúmeras vezes na Daslu!
– Bem (desconversando), em compensação no Fause e na Cori eu fui.
– É verdade que os estilistas da marca, a Rita e o Dudu, deram uma última chance para a Fernanda Motta?
– E olha que ela nem bateu cabelo, mas e no Herchcovitch, você vai dar pinta?
– Modernidade pra mim só o Guggenheim!
– Francamente meu amor, desce desse salto que ele não te pertence.
– É Jimmy Choo!

Nota: na verdade a casa do Tufi é estilo eclético, mas as colunas fazem a pobrezinha se confundir, já que tudo é neoclássico ultimamente em São Paulo.

MAMÃE FAZ 100 ANOS (OSCAR NIEMEYER)

Esse final de semana foi geriátrico, só se falou nele (e no Ryan Grace também), mas ele, nossa mamãe faz 100 anos, Oscar Niemeyer!

Tenho que assumir que já compartilhei de discursos contra o arquiteto, como “Brasília são só escritórios” ou “o Memorial da América Latina é seco”! Mas são só discursos.

Lembro que fui conhecer a capital federal já com mais de 20 anos e todo cheio de preconceito. Eu e outros alunos da ECA fomos selecionados para o Festival de Cinema de Brasília e como não tinha passagem e hospedagem pra todo mundo dividimos assim, os que ganharam hospedagem pagaram a viagem de ônibus e os que ficaram na casa de amigos ou parentes foram de avião pelo Festival.

Fui de ônibus com minha grande amiga Ana Cabeças. Lembro que era umas 9 da manhã quando o ônibus entra na cidade. Eu e Ana ficamos espantados, parecia o antigo Egito, monumental, belo, avassalador. A partir daí não tinha discurso certo. Oscar NinguémMalha tinha entrado no meu coração. Desse momento em diante foi como se eu entendesse ‘o monumento no planalto central do país”.

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O impacto emocional surgiu na Catedral, eu ainda comunista de fim de carreira, pensei como um ateu podia fazer um ato de fé tão transcendente como aquela construção onde os anjos sustentam todo o alicerce.

Enfim, minha admiração por Oscar vai além das obras, mas como seu signo invadiu tantos pensamentos e artes no Brasil.

No cinema além dos filmes do Cinema Novo feitos pelo susto de Brasília e o “Idade da Terra” que no delírio glauberiano se transforma numa cidade futurista e ao mesmo tempo no centro das civilizações da Antiguidade. Mas Oscar tem uma participação espetacular em “Conterrâneos Velhos de Guerra” de Vladimir Carvalho. Ele diz atrocidades e incoerências sobre um massacre que houve na época da construção da capital federal. Pede pra desligar a câmera, mas o som continua ligado e a cena é um impacto para quem assiste, pois todo o sectarismo, e ele é comunista histórico, tem uma razão que a lucidez não aprova. Mas dentro da linguagem do cinema, vivemos um grande momento e uma experiência que só Oscar nos faz passar ao assistir a esse filme.

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Na moda, ele vive sendo referência. Mas o grande momento é quando em um ato Vera Cruz, a poderosa marca Forum nos anos 90 resolve olhar para o Brasil e lançar as hoje históricas coleções inspiradas na cultura nacional, como o cinema e a arquitetura e claro Oscar estava presente. Tinha meias com os desenhos dele, eu bem me lembro. Foi uma reviravolta na época. Vale lembrar que a marca voltou ao tema Niemeyer recentemente, na coleção de inverno 2007, mas na minha opinião sem muito sucesso.

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Forum inverno 2007

Enfim, a mamãe está sempre presente, guiando e ajudando seus filhos. Parabéns pelo centenário!