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ENCONTRO DE GERAÇÕES

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Fábio Gurjão, Jorge Kaufmann, Marcos Brias e Nina Lemos

Nina Lemos ao conhecer Jorge e Ana Kaufmann me falou de imediato: “Eles precisam conhecer o Dudu”. Logo convenceu Marco Brias e os dois fizeram a ponte com os abravanados e tudo resultou na festa de sexta feira, dia 28, na casa do próprio Dudu, tudo feito de maneira informal, só para os amigos de ambas as turmas.
Alê Farah logo soltou notinha no dia seguinte no Glamurama e no fim a festinha teve também caráter de evento social mesmo. Mas longe da ideia de cada estampa era um flash, o que tinha ali era aparentemente muito mais modesto e ao mesmo tempo ambicioso.

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Dudu, Ana e Jorge Kaufmann e Reinaldo Lourenço

Já comentei aqui no blog que numa conversa com Alcino Leite, ambos cinéfilos, que achávamos estranho o isolamento dos estilistas, jornalistas de moda, fashionistas que diferentemente do pessoal do cinema que sai de um filme e comenta sem parar o que achou, suas decepções e seus deslumbres, a reunião entre fashionistas se dá em eventos sociais muito programados, preparados e anunciados na mídia com muita antecedênciae sem muito debate, tudo no amsi cordial “olá, querida”. Em geral, diz o povo da moda, por trabalhar em mídias diferentes (acredita-se muito nessa desculpa), o silêncio reina na troca de ideias. Como se “sua sacada de mestre sobre tal desfile ou estilista” fosse ser roubada por algum outro espertinho.
Ainda comparando com a 7ª arte, em um festival de cinema, os cineastas discutem seus filmes e os dos outros, existe uma troca intensa de opiniões e posições. Aqui na moda, só recentemente isso tem acontecido, muito modestamente, com uma geração mais nova de fashionistas que se reúne no bar/boteco, que entre xoxos e devaneios coloca suas posições ou mesmo depois do desfile existe uma troca de impressões sobre a coleção de uma maneira mais aberta, quase cinéfila e típica de uma atitude que está em formação. Bom, quero deixar claro que não digo que antigamente não tinha conversa ou troca entre os fashinoistas, mas se ela acontecia, acontecia de maneira insípida pois não gerou esse exercício que os cinéfilos tem desde o nascimento do cineclubismo ou quem sabe até antes. Não se historizicou essa troca de ideia e nem a tornou tradição entre os fashionistas.
Como um terreno muito novo, a moda no (ou do?) Brasil como expressão cultural, se formos generosos, tem por volta de 50, 60 anos e estamos começando a historicizá-la (ato da maior importância para não acharmos que descobrimos o ovo de Colombo)
Isolados, muito dentro de suas próprias casinhas, sem discussão (só medalhas) os estilistas e os fashionistas tendem a uma zona de conforto irreal.
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Ao promover o encontro entre Jorge e Ana Kaufmann (donos há 19 anos da grife Aquarela e figuras importantes dos primeiros Phytoervas, evento que desencadearia o SPFW) e uma nova geração de moda: Neon, Amapô, Fkawallys e os chamados abravanados, acontece um movimento de sair de uma imaginada zona de conforto e partir para o desconhecido, nem que disso apareça ou parcerias ou conflitos ou apenas mais uma festa, não importa, pois gerou movimento, historicizou personagens pois de alguma forma existe respeito e interesse dos novos fashionistas para quem já está na estrada da moda brasileira faz muito tempo.

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Marcelle, Carol e eu, já que foi também um evento social: flash!

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O CANTHO DE MARC JACOBS

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Festa de Marc Jacobs é underground, pelo menos é o que nós aqui tupiniquins que somos pensamos quando vemos as fotos da movimentação toda de seus rega-bofes em Nova York. Então, uma festa aqui tem que seguir as mesmas normas, correto?
E escolheram a Cantho, a boate – “trash” para muito fashonista que adora frequentar ou dar uma passadinha por lá na calada da noite – é de meu primo que é hétero, mas acredita no pink money.
Tinha go go boys, tinha djs inusitados e animados, tinha Costanza dançando com Christian Pior – pra mim o melhor momento da festa. Costanza arrasou nos passinhos! Tinha uma fila na entrada que lembrava um show de Julio Iglesias no Macksoud Plaza. Tinha gente montada linda, – desculpe, mas todos meus amigos ciganos arrasaram – e tinha gente que veio a negócios – desculpe, mas tinha gente de camisa e gravata que eu não sabia se era garçom ou empresário!
Mas tinha segurança demais, isso acaba com qualquer proposta underground.
Agora, foi bonito ver Marc e seu namorado Lorenzo mega apaixonados em uma cena digna de gay pride. E a moda brasileira que até pouco tempo era mega homofóbica e toda espremida dentro de um armário, por mais paradoxal que isso possa paracer, se rendeu ao casal, ou fingiu… sei lá.
Os relatos da festa que mais me encantaram vieram de 3 fontes distintas: a anarquia de Jana, a iconoclastia de Mario e o profissionalismo de Fernanda.
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Marc que cachorrada é essa?

3 VÍDEOS CIGANOS

Ruth Slinger me conheceu quando ela fez uma exposição de sua vasta videografia no SESC Pompéia no começo desse milênio. Os anos 80, a década do videomaker, estava toda registrada pelas lentes de Ruth. Numa tarde de conversa e risos com Mario Mendes, ele falou pra mim a seguinte frase: “Na década de 80 todo mundo era videomaker como hoje todo mundo é estilista”. Então hoje quem ainda é videomaker como Ruth, é porque acreditava no meio e na mensagem e atravessou toda a modinha pra afirmar seu trabalho como uma profissão de fé.
Bom, ela me conheceu já nos anos 2000, mas eu conhecia ela desde muito tempo. Eu já, nos anos 80, estava de olho na família Slinger. Seu irmão, Carlos, dono da hoje histórica e clássica linha de maquiagem Liquid Sky que vendia também roupas incríveis, bem ao estilo new wave, fez festas incríveis na cidade e eu tive o prazer de ir em uma delas, de penetra, é lógico. Até porque festa sem penetra nunca é boa!
Depois, nos anos 90, ele mudou-se para Nova York, ajudou a projetar o drum’n bass e o jungle e era Dj de uma festa incrível de segunda-feira: Koncrete Jungle. Lembro que o ambiente apesar de – muito – diferente, era o mesmo da festa que fui de penetra: Clima de atitude descontraída.
No final dos anos 90, Ruth aqui no Brasil atacava de DJ – nos anos 90 todo mundo era DJ – e difundiu o drum`n bass em terras brasilis em festas que lembro que ia de muleta pois tinha quebrado o pé.
Enfim, foi uma honra tê-la no aniversário cigano e mais ainda ela ter gravado esses 3 pequenos vídeos
Um bj, Ruth

FRASES DE UMA PARTY ANTI-CONFORMISTA

Com o stereo total [mente] animados, loucos e felizes, porque ali reinava a amizade e a anarquia, aqui estão frases desconexas, brilhantes, instigantes que surgiram em um festa que sacudiu São Paulo, Brasil no sábado passado:

“Dá pra separar as mulheres por aquelas que acham ótimo quando um cara diz: Vamos trepar e as que fazem cara de nojo. Eu prefiro as primeiras” [frase dita por um mulher]

“Ela pegou o pior do comunismo: o corporativismo”

“Vocês já repararam que só em São Paulo as pessoas falam: Obrigado! E as pessoas respondem: Imagina!”

“E quando a pessoa fala: Obrigado e a outra responde: Relaxa!”

“Recife é uma mesa lotada de garrafas de cerveja”

“Só existe duas coisas no mundo: o que abandona e o que é abandonado, o resto é fru fru”

“O sistema da moda é o Michael Moore. Ela manipula só quem não entende verdadeiramente de moda”

“Erika Palomino datou”

“Mas ela provou ser humana. O humano é feito pra datar”

“Eu adoro gastar muito”

“Os seus vizinhos querem transformar essa festa na festa da Casa de Anne Frank”

“O ser amado é o verdadeiro filha da puta”

“O melhor de entender a moda é saber sobre tudo aquilo e compreender que você não precisa de nada daquilo. É libertador”

“Quando chega a semana de moda e a bicha fashionista está na tendência sempre me vem na cabeça: Vera Loyola”

“A Madonna na Espanha só canta em Sevilha, cidade do interior, pois as bichas de Madrid acham ela cafona”

“A melhor coisa que a Madonna fez foi fazer uma filha terceiro mundista sair de seu ventre, sem precisar adotar, pena que fashion victim que é teve que seguir os passos da Jolie, sem perceber que estava na frente”

“A índia agora está mais calma”

“A gente é amigo de facebook”

“Eu gozo com a existência”

“Já existe travesti futurista. Elas chegaram lá no centro”

“O MAG pirou com a torta de palmito”

“Entre o cru e o cozido, entre o cozido e o assado…..”

“O abandonado alimenta a industria da mágoa”

“A Amy Winehouse é a descoberta da luz em Paris”

“A Amy faria o Baudelaire dançar”

“A Amy faria com Baudelaire, Verlaine, Rimbaud e Mallarmé um jogo de dardos”

“A Amy é a Collete [a escritora] tocando guitarra no Breeders”

“A pixadora virou mártir”

“Quer coisa mais chata que dizer que maconha é do bem, cocaína é do mal”

“Haxixe me dá sono. Já tomou ácido?”

“Eu quero que José Serra seja eleito, vai ser lindo. Eu amo José Serra eleito. Estratégia. Alta política, baby”

“O João Moreira Salles é a Maricona Brandão do Xico”

Moreira Salles… hotmnepdmekfdmsk [som de incorporação de pomba gira]

“Tá gostando da festa, Vitor?”