Arquivo da categoria: eduardo rosa

VENEZA E AS CÓPIAS


ocidente-oriente

Do mesmo jeito que todo muçulmano deve ir um dia na vida para Meca, acho que os ocidentais deveriam ir pelo menos uma vez a Veneza. Essa foi minha segunda vez e acho que adoraria voltar mais.

Veneza, a Meca do Ocidente
Além de toda a beleza cenográfica, além de todos os tons de terrosos que tanto nos encantam quando vemos um quadro de Tiziano, além de todas as ruas e vielas e canais, existe uma cidade. Uma incrível cidade que não à toa é sede de uma importante Bienal de Arquitetura.
A cidade de certo modo está construída, a eterna Sereníssima República ninguém mexe – pelo menos nas fachadas -, até por isso, como observou Eduardo Rosa, meu grande amigo e arquiteto, as construções mais contemporâneas sejam túmulos e capelas no famoso cemitério da cidade. Mas o diálogo com o espaço faz de Veneza uma grande esfinge arquitetônica, pronta pra te devorar ou devorar-se em meio a tantos turistas.
Uma das instalações – se assim posso chamar – mais interessantes da Bienal de Arquitetura é um espaço que foram colocados uns bancos entre duas telas que representavam uma gôndola. Elas projetavam ora imagens de Veneza ora imagens de lugares como Las Vegas, Tóquio, etc que construiram uma cenografia-cópia da cidade de Venetto.
De alguma forma Veneza foi uma matriz desejada e copiada e entendi melhor a questão da cópia além da visão extremamente negativa que tinha sobre o ato de copiar.
Primeiro pra mim copiar era se apropriar de uma idéia original, tentar roubá-la, massificá-la, mas penso hoje que além disso ela é também difundir essa primeira idéia.
Depois, cópia pra mim representava e ainda representa um senso de inferioridade tremendo. A cópia escancara o complexo de inferioridade latente de quem copia. Vendo as réplicas de Veneza, penso que sim, existe inferioridade, mas também existe a sinceridade de quem copia, algo como a sussurrar pra nós: “Eu gostaria de ser assim e pelo menos eu tentei mesmo tendo fracassado”. Até porque Veneza não é apensa essa cenografia que imprime tão forte nos cartões-postais, existe a cidade dentro dela.
De muitas formas, existe muitas verdades originais em uma cópia!

apesar dos clichês, Veneza é uma cidade…

… com as contradições – espaciais e simbólicas- típicas de uma cidade

ORIENTE-SE RAPAZ!