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O POLITICAMENTE CORRETO, O CINISMO E A MODA

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Ao ver a imagem acima, nossa primeira reação é agradecer pelos tempos politicamente corretos que vivemos, pois sem eles ainda estaríamos vivendo sob a égide da misoginia. A força do politicamente correto veio se formatando junto com as lutas das minorias nos anos 60. Organizada de forma mais sistemática pelos New Studies e toda uma esquerda americana universitária, o politicamente correto ganha força nos anos 80 e imponência nos 90, forçando orgãos de mídia corrigirem, em seus manuais de redação, o palavreado para se referir a inúmeros assuntos e pessoas. Nunca mais preto e sim negro ou afro-brasileiro. nunca mais baitola ou bicha, agora é homossexual ou gay. Vira uma lei, uma imposição, não se fala mais assim, deve-se escrever dessa maneira – para seu bem e das minorias.
É engraçado imaginar que a esquerda norte-americana que tem uma expressão ínfima perto das esquerdas de outros países tenha tido tanto êxito em mudar o vocabulário do mundo. É também de se pensar o quanto de ingenuidade e porque não, de autoritarismo existe no politicamente correto e como esse pacote foi vendido e comprado com facilidade pelo mundo.
A ingenuidade vem de acreditar que eliminando palavras e atitudes o preconceito diminui e a violência do preconceito também. Nada mais tosco – ele só se dissimula, vira cínico, vem de forma inadvertidamente mais difícil de captar. Tanto que os grupos de defesa das minorias parecem hoje paranoicos porque veem preconceito onde não se tem certeza que realmente haja. E como ter a simpatia dos que não pretencem a tal grupo se a luta por direitos parece mais um discurso de paranoicos ainda não analisados?
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O politicamente correto trouxe com uma força assustadora o cinismo nas relações humanas mais pueris. Em moda, é muito comum todo mundo falar que pele só sintética, esse discurso invadiu as bocas dos quase ventrílocos depoimentos dos estilistas. A gente sabe que no fundo, o povo da moda, pelo menos boa parte dos fashionistas e os que amam a moda preferem a pele animal. Ela é realmente mais bonita, mais vistosa e esquenta realmente. Claro que no Brasil ela não faz sentido e nem estou fazendo um elogio pelo uso das peles. E a questão da matança ou de animais em cativeiro é uma outra discussão, estou falando do produto. Mas ficamos todos cínicos, para as televisões ou jornais, sempre respondemos que o lance é a pele sintética, e pronto. E porque isso?
O autoritarismo do discurso politicamente legitima práticas tão polêmicas como as que ele mesmo condena! Veja como agem o PETA e outros ecologistas. Em muitas redações é melhor nem tocar no assunto e evita-se qualquer polêmica em torno das peles, pois a ação do PETA será implacável e muitas vezes violenta. Sim, eles silenciam os que estão em oposição a eles, mas já é provado que isso não resolve o problema. Uma opressão, e o politicamente correto e os ecologistas radicais agem dessa forma em nome de um suposto bem comum, acaba por gerar coisas nefastas como resposta, quando não a volta com mais força em primeiro plano do que antes era combatido, o chamado antagonista. Quantas vezes a Cuba de Fidel se orgulhou de ter acabado com a prostituição e com a crise, ela voltou com força às ruas de Havana, ou como a Lei Seca trouxe um número muito maior de alcóolatras ou mesmo a queda de um regime autoritário como o da União Soviética mas que pregava valores como ordem, submissão ao Estado acabou por gerar uma das piores máfias do mundo. Enfim, está tudo politicamente careta!
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