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BLACKOUT

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Pretinho básico para todos

VOCÊ SABE O QUE É NUDE?

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Fiz uma matéria para o Vírgula com os fashionistas para saber se o nude, o famoso bege, o pele, se preferir, pega nas ruas, pois nessa temporada, o povo da moda ficou bege, quer dizer nude, com a quantidade avassaladora que a cor pintou na passarela. Como diria Regina Guerreiro: aiaiai!!! Dá uma olhada!

ABRAVANATION SOON

O artista plástico Rick Castro acaba de postar seu mais recente vídeo: “Super Rick Soon” no YouTube. Nele, Rick escreve que é “um trecho do vídeo […] que mostra o super herói RICK, vindo do mundo violeta, usando seus poderes de brilho e luz para salvar o mundo”.
A questão da cor é central nas artes plásticas brasileiras. Veja o caso Tarsila e seu status adquirido pelo uso das cores fortes e sempre em primeiro plano assim como todo o modo espartano que os concretistas tratavam a cor proibindo o uso de certos tons. O trabalho de Hélio Oiticica, hoje talvez o artista mais influente para uma nova geração, teve todo o seu percurso ligado a esse elemento, é só pensarmos que o parangolé, antes de ser um objeto de vestir, ou roupa mesmo (por que odeio esse puritanismo de escrita de curador) é também ao mesmo tempo o ato de liberar a cor para o movimento fora do quadro.
De certa forma Ricky, a Abravanation, A.V.A.F. e também a Neon na moda com Dudu Bertholini e Rita Comparato continuam esse trabalho tão caro à tradição visual brasileira.

A COR DA TEMPORADA JÁ ERA DESEJO

Esses tons de azul claro, azul nuvens se fashionista bom eu fosse, já era desejo nas ruas antes de virar pra mim a cor da temporada de moda.

SPFW – VERDE QUE TE QUERO VERDE

Segundo Jean Chevalier, autor do famoso “Dicionário de Símbolos”, a cor verde “é capaz de tudo atravessar, é portador tanto de morte quanto de vida. Pois, e é aqui que a valorização do símbolo se inverte, ao verde dos brotos primaveris opõe-se o verde do mofo, da putrefação — existe um verde de morte, assim como um de vida. O verde da pele do enfermo opõe-se ao verde da maçã e embora as rãs e as lagartas verdes sejam divertidas e simpáticas o crocodilo, escancarando a goela verde, é uma visão de pesadelo, portas dos infernos abrindo-se no horizonte para aspirar a luz e a vida. O verde possui uma força maléfica, noturna, como todo símbolo feminino. A linguagem o demonstra — podemos ficar verdes de medo ou verdes de frio. A esmeralda, que é a pedra papal, é também a de Lúcifer antes de sua queda.”

Pensando na cromoterapia: “O verde é considerado uma cor fria, porém muitos estudiosos o consideram como uma cor de transição entre as cores quentes e frias. Por ocupar essa posição de transição, o verde é tido como uma cor de harmonia e equilíbrio. Exige menos esforço dos músculos para a sua focalização e por essa razão, é mais relaxante, diminui a ansiedade, refresca e restaura”.

Depois do choque de realidade da coleção de inverno em pleno rio Tietê completamente poluído, a Cavalera nos leva para o universo lúdico do circo, do show de variedades, da representação. Eis aqui sua ambivalência (externo/interno, realidade/ficção).

Sua transitoriedade fica por conta de passar do símbolo (Tietê) para o signo (verde – leia-se ecologia).

Isso explicita o porque a cor foi unânime durante toda a coleção e não nos causou monotonia e sim um certo entusiasmo. Isso é pensar moda!

Quanto ao estilo, a ambivalência das casacas (ora mais requintadas – nobreza, ora mais humoradas – circo) e a transitoriedade do seu streetwear (passando de peças mais bem acabadas – o streetwear de luxo – para voltar a sua raiz, uma mesma realidade só que agora vista de forma muito mais madura, único lugar que não caberia o verde -desculpem o trocadilho), a marca prova que pode continuar um pensamento de moda sem cair na obviedade, só os mais verdes não perceberam.

SPFW – A COR DA TEMPORADA

Eu particularmente nunca gosto dessa coisa de cor, tecido, tendencinha da temporada, muito pelo peso e dimensão desproporcional e desnecessária que isso toma no mundo da moda e na visão que os que estão fora da roda fashion – parece que a gente só espera por essa novidade ou que a moda é feita só disso, esse “museu de grandes novidades”. Mas apesar da minha crítica, é claro que é uma informação relevante, ainda mais quando ela vem poética, amena, suave como esses tons de azul clarinho:

Huis Clos


Reinaldo Lourenço (fotos Charles Naseh – site Chic)

post-scriptum

Ronaldo Fraga (fotos Charles Naseh – site Chic)