Arquivo da categoria: consumo

ESTAVA PENSANDO…

…quando estava fazendo compras, que se eu levo as ecobags no supermercado, pra não utilizar sacolas plásticas, como depois eu faço o meu lixo caseiro? 100% das pessoas que eu conheço usam as sacolas de plástico como lixinho em casa, o que também é uma maneira de economizar e de reaproveitar um produto, não?
Vi uma menina, a única no supermercado, que estava como eco-“fashion”-bag e fui perguntar como ela resolvia o problema do lixo. Ela disse que comprava sacos plásticos preto.
Oras, os ecologistas não dizem que o consumo é uma das principais razões da destruição da natureza?
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DUAS REFLEXÕES SOBRE PARIS E OS NOVOS TEMPOS

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Pensei em escrever sobre Paris, onde a questão que 2009 ia ser piriguete e que Jorge Wakabara via o sexo como uma saída para esses novos tempos das marcas de luxo foi a tônica dos desfiles. Além disso, não menos importante, apresentou-se na capital francesa o que foi chamado de “a nova modéstia” onde consumir tanto e ficar desejando e querendo muito foi reavaliado. Sempre achei que querer algo tudo bem, mas esse desejo promíscuo dos fashionistas (e mais ainda pelos aficcionados por design e tecnologia) sempre e toda hora por peças tão díspares e numa ascendência cada vez mais acelerada era algo muito falso e teatral tipo Escolinha do Professor Raimundo.
Para ser bem sincero não acho que esse desejar acelerado seja algo de gente insatisfeita, mas de uma infelicidade totalmente alienada com a vida. E isso não é de hoje nem desses novos tempos que penso assim.
Pois bem, como Alcino e Carol Vasone escreveram de lá com propriedade o que exatamente eu penso daqui, me questionei: Porque escrever outro texto com as mesmas idéias em palavras diferentes?
Aqui vai o link para o texto de Alcino Leite e aqui o link para o de Carol Vasone.
Boa leitura!

AVAFANDO=ABRAVANANDO COM AS ARTES PLÁSTICAS E COM A MODA

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Fábio Gurjão realizou sua performance-ação-desfile-ação comercial na última terça, dia 2 de dezembro, abrindo os trabalhos da a.v.a.f. [assume vivid astro focus] que desta vez vem com o nome Axé Vatapá Alegria Feijão e encerra em clima de grande festa com direito a trio elétrico sua intervenção na Bienal do Pixo no sábado, dia 6 de dezembro.
A princípio, o evento aconteceria no andar do vazio, mas acredito que por problemas técnicos + ideológicos, eles preferiram deixar o segundo andar para o autoritarismo da arte contemporânea de vassalagem. Pois bem, foi tudo no térreo mesmo e o clima era de galpão de Escola de Samba.
Enquanto sua ação era realizada ao passar do tempo (das 19 às 22 horas) – não se esqueça que além do desfile tem a ação dos fotógrafos, trilha e araras para a compra das roupas ali mesmo -, um carro alegórico era preparado por Eli Sudbrack, Silvia e equipe, a cantora Cibele Cavalli que virou Kivelle Bastos, a persona abravanada estava realizando ali uma mandiga-instalação e o talentoso Ed Inagaki, que montou seu Ateliê Abstração na paralela da ação de Fábio e sua FKawallys, mostrou uma camiseta com capuz que ele chamou de fantasmando e que também nos remete ao uniforme dos presidiários e/ou guerrilheiros – muito oportuno para esse momento portas fechadas da arte contemporânea de vassalagem ou aos fantasmas que rondam o andar do vazio.
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Buuuu Bienal
Já na entrada, um clima diferente daquilo que Denis Rodriguez também desenhou e era tão verdadeiro durante os dias de Bienal que antecederam a chegada dos avafanados=abravanados: a opressão dos seguranças [acredito que para combinar com o andar vazio e o autoritarismo de seus curadores].
O ar estava mais leve entre os seguranças e alguns até queriam se enturmar com os abravanados. Eles nem revistaram minha mochila…
Ao chegar, muita gente tirando fotos, e Fábio já nos mostrou a cadeira Fila A e cadeira de Imprensa pra gente sentar na passarela. Quer iconoclastia melhor que essa?
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Nossa, essa roupa é uó! Pena que esqueci meu bloquinho…
As coisas corriam soltas, algumas pessoas compravam as roupas na arara, outras cantavam as músicas do rádio, outras ficavam paisageando, Bianca Exótica fazia amizade com os bombeiros…
E foi assim, sem nenhum alvoroço, numa relax, numa tranquila e numa boa que Fábio Gurjão anarquizou com o mundo das artes plásticas e da moda.
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Ao vender as suas camisetas dentro de um espaço de arte, ele evidencia o jogo do comércio disfarçado em simulacros de “arte” feito pelas galerias, museus e bienais. A questão grife é tão mais importante na arte contemporânea de vassalagem que na moda. Afinal um Jeff Koons vale mais que um Marc Jacobs, não?
Existe um valor para aquilo que não tem valor – o espiritual da arte? Por isso seu preço será sempre alto conforme não o seu valor artístico mas seu valor de mercado – em contraposição a isso, as camisetas de artista de FKawallys eram baratíssimas, tudo 30 reais.
Sem falar da ocupação de um lugar sagrado das artes com um desfile de moda – considerado até pelos próprios críticos de moda (?) algo menor que a suprema arte.
Para a moda, ele trouxe orgulho e auto-estima. Não existe terreno mais almejado por jornalistas de moda, estilistas, stylists que o terreno das artes plásticas. Muito pelo valor [falso] e o status [de novo-richismo]que hoje as artes plásticas ganharam. Talvez porque lá o valor da grife [no caso o nome do artista] foi criada de maneira tão escondida e dissimulada que consegue iludir que estamos no terreno do espiritual e não do mercado.
FKawallys está fora dessa etiqueta e dessa lógica canhestra. Em nenhum momento ela se acredita menor que as artes plásticas, não procura como a maioria dos fashionistas aliar-se às artes para ganhar status, esse ISO de ignorância.
Se trabalha dialogando com as artes plásticas é em pé de igualdade. Ele não se acha inferior por fazer moda e muito menos por realizar camisetas [infelizmente considerada carne de segunda na moda].
Ao porpor um desfile em plena Bienal, ele sabe que aquele pode ser um de seus espaços, não o único. E ao vender seu produto que é o mesmo que está sendo desfilado tudo ao mesmo tempo agora ele critica a lógica da chamada imagem de moda tão difundida entre os fashionistas. Essa lógica: a grande parte das vezes o que se desfila não é o que se produz. Cria-se uma imagem falsa da marca, pois na loja temos, em geral, aquilo que é do mais comercial [de alguma forma ele dialoga com o excelente desfile Do Estilista para o verão 2009].
Agora o mais importante, ao fazer essa performance-ação-desfile-ação comercial que outros “artistas” também se acoplam, onde todos, público, visitantes, compradores, funcionários da bienal podem participar [ atentando ao detalhe que a Bienal é de graça], enfim, ali se realiza uma ação de inserção e inclusão. Ao final ele obtém uma obra verdadeiramente duchampiana onde todos que participam são artistas e estilistas ou melhor, vivem a arte como o mestre da roda de bicicleta sempre almejou!
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PS1: E o melhor, disse Fábio Gurjão o tempo todo como autor [não que ele não tenha participação decisiva] no texto por conformismo da linguagem que precisa nominar, mas sinceramente as fronteiras se romperam pois eu não sei se foi a a.v.a.f. , os abravanados, quem apareceu por lá para criar isso tudo que aconteceu no dia 2 de dezembro. Enfim, na realidade foi uma confluência de idéias e desejos!

FAMÍLIA VENDE TUDO

A estilista Rita Wainer sempre soube realizar com muito charme a idéia de unir pessoas, marcas e estilo. Vale lembrar da Fashion House que depois de duas passagens pelo Rio de Janeiro deixou a cidade muito mais colorida e estampada, mesmo dentro do ideário bermudinha+camiseta que reina na sede da Rede Globo.
Agora o projeto Família Vende Tudo traz outras e também as mesmas pessoas da Fashion House vendendo coisas bacanas de segunda mão ou novos trabalhos.
Essas novas experiências podem estar relacionadas com o consumo já que é uma de suas finalidades [talvez a maior] porém não a única, reduz o impacto da publicidade agressiva que sofremos todos os dias já que você pode tomar contato com trabalhos de artistas, designers, estilistas, fotógrafos sem necessariamente precisar comprá-los.
Em época de recessionistas, vale muito refletir sobre o que consumir e como fazê-lo, assim como escreveu Simone Esmanhoto em excelente post em seu blog. E Vivi Whiteman no texto “A Síndrome do Homem Placa”.

PS: O que Rita faz é um movimento importante porque ao invés de disfarçar um produto em arte para uma finalidade de venda-comércio como é exemplo claro na Galeria Vila Blaselândia, ops Vermelho que costuma fazer em seus eventos modernosos, sempre com DJs, gente “discolada” e cervejinha barata um simulacro. Ela deixa claro-transparente que aquilo é um produto para a venda em primeiro lugar, ganha conotação artística se seu comprador assim desejar.

PENSAMENTO ECO ECONÔMICO

Apesar do esquerdismo americano que o Brasil cara-pintada adora seguir e que dá tom a esse vídeo, é muito interessante vê-lo – apesar de longo – e entender que o sistema Moda está muito mais presente do que no exemplo citado dos sapatos. Assista aqui!