Arquivo da categoria: cinto

O CADARÇO

 
Voltando de Veneza, meu amigo de quem sou padrinho de casamento Eduardo Rosa disse que como gosta de roupas práticas – aquilo que os fashionistas chamam de utilitarista que muitas vezes combina o chamado streetwear com o sportwear – e por isso mesmo ele realmente não tolerava o cadarço, achava algo antigo, sem sentido.
Antes de mais nada, quero ressaltar que Edu é um homem cheio de informações de moda, não no sentido label, mas no sentido imagético, isto é, não importa pra ela a marca e sim o efeito. Enquanto ele falava essa frase intrigante eu olhava para o seu incrível tênis prata com velcro e para o meu em estilo vans e pensei: ele está certo!
Se pensarmos um pouco mais perceberemos que o cadarço não tem nada de prático pros dias de hoje, tanto no momento de colocá-lo no spato ou tênis e ao usar sempre temos que ficar atento pra ver se o nó não desamarrou. E se formos um pouco mais a fundo nessa questão desataremos certas amarras do caso cadarço.
Se pensarmos no sapato social, um oxford é mais formal que um mocassim porque envolve o cadarço. Todo sapato – não sapatênis – com cadarço é mais conveniente ao terno em uma situação formal.
O que Edu também observou é que tinha algo de um fetichismo antiquado no cadarço e a partir de sua observação comecei a olhar o terno como uma elaborada forma de bondage, o ato sexual de amarrar o parceiro ou parceira. Se pensarmos na gravata, no cinto, no cadarço e por fim no colete, eles formam uma espécie de arqueologia da bondage, sua pré-história – e muito poderemos elaborar se pensarmos que o ápice do terno no século 19 coincide com a era vitoriana, a era do puritanismo.
Enfim , eles – gravata, cinto, cadarço, colete – não nos trazem conforto e sim prazer, o prazer do poder simbolizado no uso de um smoking ou terno!