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KIM GORDON & LOVEFOXXX (FEMINILIDADES NO MUNDO DO ROCK)

Kim Gordon
Desde a primeira vez que vi Kim Gordon, ela era só atitude, não no sentido pejorativo que às vezes essa plaavra apresenta, mas sim atitude como a palavra que atualiza uma outra: elegância. Sempre vestindo comprimentos curtíssimos de saia e empunhado o baixo do Sonic Youth, banda fundamental da década de 80 e 90, ela era um contrapeso contra ou a virilidade excessiva (meio básica demais, meio cafona de menos) de certas bandas de rock da época ou o estilo não-estou-nem-aí-pro-que-visto e sujinho, que resultaria no look grunge, e disseminado em muitas bandas importantes da época.
Seu potencial fashion a levou a uma amizade importante com Marc Jacobs. No auge do grunge (é importante resaltar que Sonic Youth apesar de relações estreitas com diversas bandas de Seattle, entre elas, o Nirvana, eles nunca foram grunge), a banda grava o clipe “Sugar Kane” tocando na loja do estilista, com Chloë Sevigny como protagonista. Sem falar que o próprio estilista a convidou para estrelar uma de suas campanhas sempre fotografadas por Juergen Teller.
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No ano passado, ela lançou uma grife para mães ou mulheres mais velhas que não queriam roupas muito clássicas. A Mirror/Dash (nome também de um dos inúmeros projetos paralelos de Kim) foi criada em parceria com os amigos Melinda Wansbrough e Jeffrey Monterio. Sua primeira criação foi o uma jaqueta de lã estilo militar inspirado em Françoise Hardy. Ela mesma foi a maior garota propaganda da peça.
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Sua marca vai bem obrigada, já para o verão 2009 criou peças para a Urban Outfitters, mas essa não é natureza desse post e sim tentar desenhar a sua postura, muito através do estilo e da moda, na cena rock sempre tão machista. Contra a lógica de que para ocupar terrenos masculinos, as mulheres tem que ter comportamentos masculinos (no rock, muito bem representado pelas Riot Grrrls e Courtneys da vida), Kim nunca deixa sua feminilidade de lado, mesmo quando tem que gritar e esbravejar.

E não tenho dúvidas que a questão moda + atitude agem de maneira positiva para sua afirmação como legítima persona rock’n roll em um terreno tipicamente comandado pelos homens.
Penso em Karen O., mas não sei se ela usa seus figurinos de palco ousados, femininos, abusados no dia-a-dia, assim como fazem os nossos abravanados que não diferenciam a roupa para cada ocasião ou papel social. Mas penso ainda mais em Lovefoxxx. Ela eu sei que como Kim, o que veste é tanto na vida real como no palco. Não quero dizer que a transfiguração ou a criação de um figurino tenha menor valor do que um look mais orgânico, mas na questão das mulheres no rock, com certeza esse é um valor em si para imprimir a feminilidade em um primeiro plano (longe das groupies) em um ambiente totalmente masculino.

RUFOS, CÓPIAS, COLONIALISMO E PREPOTÊNCIA

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Como disse um amigo: “Os rufos de jornal vêm com tudo”…
Na foto acima tem Beth Ditto para a “Dazed & Confused” de maio. Fizeram um rufo de jornal igual ao que Antonio Farinaci construiu para Lovefoxxx usar no show do Festival da Ilha de Wight, no Reino Unido no dia 06 de setembro de 2008. Infelizmente, na única foto da vocalista do CSS, com o rufo no palco, a produção já está meio se desmontando…
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Sim, é cópia, está claro. O curto espaço de tempo entre as duas ações garantem o sentido de cópia hoje. E se “os rufos de jornal vêm com tudo”, as cópias continuam em alta.
Tenho sentido uma vontade da imprensa nacional de levantar a lebre que marcas estrangeiras estão nos copiando – exatamente dentro desse contexto de enxergar a cópia como algo que acontece em curto espaço de tempo, senão já vira referência, homenagem, citação, etc.
Marco Sabino em seu blog deu um alerta, devagar com o andor, pois uma coisa é numa mesma temporada surgirem desejos semelhantes, afinal todos meio que seguem os mesmos bureaus de tendências, com exceção dos legítimos criadores como a Prada que fazem seu próprio caminho – enfim, no fim o que existe é a cópia do que é dito como tendência. A outra é copiar coleções que se consagraram nas temporadas passadas recentes, e esse festival tem dominado as semanas de moda, apesar de todos falarem o contrário.
Sofremos de um colonialismo atroz, mas é importante saber o que é cópia e o que é sensacionalismo ou ufanismo.
Todos copiam, me parece, mas poucos assumem. Até porque copiam de referências claras e conhecidas. O bom copaidor, se é que isso existe, procura o underground para copiar como aconteceu no famoso caso do Nicolas Ghesquière, da Balenciaga. Mas teve a “ética” de assumir para a New York Times que realmente colou e plagiou um vestido do estilista Kaisik Wong, conhecido apenas das rodas fechadas na Califórnia dos anos 70. Agora você me pergunta, mas não poderia ser referência, citação? Não, pelo motivo das peças serem idênticas e não apenas um pouco semelhantes.
Ao assumir a cópia, o estilista da Belenciaga demonstra, mais do que tudo, prepotência. Acredito que Ghesquière pensava que nunca ninguém iria perceber a “referência”. Assim como de certa forma os rufos de Lovefoxxx foram vistos por poucos, em apenas um festival. Os stylists da revista deixaram se enganar pela “nova falsa modéstia”.

O ato de copiar tem sido uma discussão constante no blog. Mas já não a vejo de maneira plenamente negativa, aliás acho cada vez mais revelador ver a cópia e quem a copiou.

100 ANOS DE IMIGRAÇÃO JAPONESA

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Lovefoxxx é incrível, sou fã desde sempre. Lembro de uma vez produzir-dirigir umas vinhetas para abertura do falecido Amni Hot Spot e ela cantaria enquanto as imagens eram projetadas. Eu e o coletivo Rosângelos resolvemos fazer uma citação mangá de uma luta de karatê filmada toda na estação de metrô Paraíso. Para que a edição tivesse ritmo, liguei pra Lovefoxxx pra ela me passar a música. Liguei, me apresentei e tivemos uma conversa meio surreal:
– Ai, eu não posso falar agora,… mas você pode, conta sobre o vídeo! disse Lovefoxxx
Eu disparei e falei sobre o vídeo, sobre o trabalho, sobre a gravação, sobre o tempo frio que estava fazendo, falei do filme que eu vi na semana passada e num instante interrompi e ficamos mudos.
Até que ela gritou:
-Ai, vou entrar, eu já te ligo!
E a ligação caiu. Depois de uns 20 minutos ela retornou, me deu o número do celular do Adriano Cintra – ele sim tinha a música para dar ritmo na edição das imagens – e me disse que tinha adorado tudo sobre o vídeo, isso em menos de 1 minuto.
Nos reencontramos no dia da apresentação e ela me falou:
– Adorei falar contigo no telefone!
Conto tudo isso, muito menos pra mostrar meu lado viptima e muito mais pra ressaltar a faceta despretensiosa e relax de Lovefoxxx que a fez esse ano ser uma das 50 celebridades mais cool da NME.
Fora isso, depois de um show em Tóquio, a marca japonesa-cool Graniph resolveu chamá-la pra produzir duas camisetas pra grife que serão lançadas agora, dia 20 de novembro.
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Minha admiração por Lovefoxxx está, entre tantas coisas, pelo fato dela entender elegância não como um amontoado de grifes de luxo e regras a serem seguidas, mas por perceber que atitude, humor e despretensão podem estar acima disso tudo e serem ingredientes fatais para ser verdadeiramente cool.
Abaixo, o curta “Handmade” com ela de atriz e direção de arte de Olívia Hanssen Frasa e figurino de Amonstro

E, é claro, a alegria é a prova dos 9: Lovefoxxx ensinando como fazer uma coxinha = delícia!

SPFW: ADIVINHA QUEM VEM PARA O LOVE STORY?

Não tinha Juliana Paes, Supla ou Cansei de Ser Sexy certo. Na festa da Zapping, Dus*****Infernus furou a Tv Al Jazeera e encontrou o homem mais procurado do mundo.

Sim, Bin Laden está o Brasil e declara que agora é só love, só love.

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Lovefoxxx apóia o movimento dos sem cavernas de Bin

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Been Laden abravanou!

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” A gente não gosta de ser xoxodo, não!”

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E Bin Laden bombou!

SPFW: ZAPPING ATUALIZA SUA IMAGEM COM FESTA DE ARROMBA

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foto Cobrasnake  

Em moda, os desfiles servem muito mais para formarem a imagem de uma marca e sua visão de mundo naquele momento do que realmente apresentar o produto.

Apesar dessa visão, muitos editores e críticos querem ver “roupa” na passarela, coisa que acho “passê composê”. Basta lembrar o desfile de roupas de papel de Jun Nakao para entendermos quem acredita no desfile como produto e naqueles que acreditam como imagem. Claro que uma se alimenta da outra, mas quando a imagem é mais forte não tem acabamento certo.

Radicalizando essa idéia, Maurício Ianês, Fred Gabrielli e Márcia Matsuno resolvem ao invés de apresentar uma coleção na passarela, dar uma festa para a Zapping.

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foto Cobrasnake: Ianês: colorido e brilhante literalmente

A capacidade criativa de Ianês é espantosa nessa área e consegue com algo aparentemente banal (uma festa!!!) fazer avançar a imagem da marca que por sua ausência nas semanas de moda e nos corações das pessoas estava muito calada. Quando se fala em Zapping sempre nos vem à cabeça algumas palavras como: cultura de rua, juventude descolada e desencanada, alegre e antenada.Como atualizar esse vocabulário? Primeiro fazendo uma das mais incríveis ações de marketing fashion do ano. Em um mercado dominado por celebridades e um certo naif mas sempre com um pé no óbvio e no mau gosto, eles apenas eliminaram tanto o óbvio e o mau gosto e chamaram as celebridades do Cansei de Ser Sexy para desenharem algumas camisetas.

E foi a banda brasileira, um dos maiores sucessos na cena musical mundial que fizeram um enlouquecido dj set na festa da Zapping que aconteceu em um puteiro cult no centro de São Paulo, o Love Story em plena noite de domingo, para o lançamento da marca.

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foto Cobrasnake: Essa é a nova Zapping!

Tudo tão jovem e tão fresco que a coleção estava nas pessoas que foram ao evento, estava na alegria, no hedonismo, na felicidade e não nas roupas, apesar de ter muita gente com looks incríveis.

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foto Cobrasnake: O mais incrível é que o editorial parece já estar fotografado

Com isso, a coleção anárquica da Zapping parece ter muito glitter/brilho, o preto e as cores convivem em harmonia e todos os penetras são bem vindos e convidados, tanto que Ianês não titubiou ao me oferecer a festa para comemorar meus 40 anos com direito á lista de meus amigos. A generosidade também está nesse brinde oferecido pela nova Zapping

Parabéns!

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6 horas da mnhã de segunda, eu e minha grande amiga, a escritora Clarah Averbuck, ainda endemoniados e a pista que não queria esvaziar.

Não foi à toa que muitos ressaltam a festa como o grande momento da semana de moda.

CANSEI DA MESMICE

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cuenda!

Cris Gabrielli (adoro!!!!!) do Oficina e Luigi do About Fashion já escreveram sobre e é claro virou assunto da bloglândia: a parceria Zapping e com a banda Cansei de Ser Sexy!

E começou muito bem, de maneira jovem com um marketing inusitado. Os integrantes da banda em seu primeiro show no país, depois do mega-sucesso no exterior, apareceram usando camisetas que criaram para a marca mais nova da Zoomp. Coisas de Márcia Matsuno e Maurício Ianês. E a gente agradece.

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Adriano e Maurício vestindo a (nova) camisa!

Pois como me escreveu Luciene sobre o caso Ellus, a mesmice impera no marketing e na publicidade. E a Zapping deu um passo pra frente.  

Oi, Vítor:

Só que os publicitários ainda não cansaram dessa fórmula. (celebs nuas cheias de acessórios em cima, etc)

Para este verão veremos Alinne Moraes coberta pelas bolsas da Arezzo (vi no Chic)Meus olhos cansados imploram: boicote total à industria da mesmice! 

Abração,

Luciene.

CANSEI NO IPOD TOUCH

Acredito que termos uma banda no mundo nos faz muito mais brasileiros e globalizados do que sediar a Copa em 2014 (sem precisar pagar propinas e superfaturamentos).