Arquivo da categoria: campanha

MISOGENIA GAY FASHION

Na ignorância e no anseio por imagens aparentemente fortes ou que causem impacto, algumas grifes denuncuam seu íntimo. Veja a Dolce & Gabbana:

Da cena acima de uma imagem estilizada de estupro – que acabou censurada -, eles levam um ícone da mulher independente pra cozinha:

E na mesma campanha, mostra “gays” fazendo a corte:

Longe do politicamente correto, – que reafirmo minha abominação -, o que encontramos nas leituras das imagens acima é o caráter de uma marca, sua visão de mulher e sua visão de si e do mundo. Não duvido em nada que em um bom divã, a dupla de estilistas italianos possam revelar seu pavor pelo sexo feminino em todos os sentidos.

MAIS MAFUÁ

A Mafuá Jeans realmente virou a marca preferida das fashionistas.

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Tenho certeza que a Rosa Chá by Herchcovitch deve estar se mordendo… Isso sim é ser pop!

Obrigado Cacá pelas fotos

A MARCADA DE MARC

Recentemente saíram as fotos das camisetas militantes que o estilista Marc Jacobs fez em defesa do casamento gay e seus desdobramentos como a adoção de crianças. Ela diz: “Pago meus impostos, quero meus direitos”…
O que parece uma boa causa, esconde uma ideia perversa como bem salientou Antonio Farinaci no blog Sélavy.
Só os gays que pagam impostos tem direitos? É uma total inversão de valores pois não precisa pagar para se ter direitos – em tese. O direito no Ocidente – com a Declaração dos Direitos do Homem – se adquire desde o nascimento dos homens e está acima dessa lógica capitalista.
Aliás, eu não pagaria nada por essas camisetas, elas são horrorosas,- nem de graça – prontofalei.
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O OFOFI DA LANVIN

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Alber Elbaz, você é um fofo literalmente, mas na próxima campanha um desodorante pra modelo vai bem!

PS: Pra quem não sabe o que é ofofi que também pode ser usado como afofi, na “Aurélia, A Dicionária da Língua Afiada” diz: [do bajubá] s.m. Fedor, catinga.

TOM FORD, QUE CHEIRO ESTRANHO!

A Tom Ford adora causar… Essa nova campanha de perfume da marca do texano alguns podem considerar um cu, mas outros com certeza irão amar – os berlinenses por exemplo!

claro que a foto só poderia ser do Terry Richardson

A NUDEZ DA NOVA CAMPANHA DE TOM FORD É…

CAFONA!

Mas essa bobagem, mais um truque de mestre do marketing que se instala no belo corpo do senhor Tom Ford, tem a clara pretensão de polêmica fútil. Só cai quem gosta de uma boa poeira para os olhos.

foto: Ryan McGinley

O blog Nullius quando escrevi sobre a moda na década de 60 me chamou a atenção para as imagens do fotógrafo americano Ryan McGinley de uma nudez naturalista, sem o peso do pecado original e que foi fonte de inspiração para o belo videoclipe do Sigur Rós.

A moda vive do eterno avanço em seu diálogo com a nudez, não do seu choque.

POR UMA CRÍTICA DE MODA

O mundo da moda reclama muito da falta de uma verdadeira crítica de moda ou de um esforço de um pensamento crítico no Brasil. Tendo a pensar que algumas editoras e editores de moda se esforçam nessa construção, mas muitas vezes são impedidos de realizar algo mais profundo por culpa de diversos mecanismos.

Um deles é que os meios que representam (revistas e jornais) têm parte de sua receita vinda da publicidade de inúmeras das possíveis marcas criticadas. Outro ponto que também é um agravante faz parte de uma certa diplomacia que os editores fazem com assessorias e estilistas para a entrada nos desfiles, pois diferentemente das pessoas de fora da moda, sabemos da importância não só de assistir a coleção de uma marca como estar bem posicionada para poder perceber detalhes que podem construir uma certa visão. Essa diplomacia acaba sendo crucial para o acesso ao backstage, outro lugar importante para compreender uma coleção.

Acho engraçado que todo mundo acha compreensível se um crítico de música reclama do áudio de um show ou mesmo da visibilidade da performance do artista caso ele fique sentado em frente a uma pilastra, mas com a moda, parece frescura querermos estar na sala de desfile ou mesmo em um lugar que informações igualmente importantes como acessórios e make up (esse cada vez mais relevante) não possam ser percebidos. Mas isso será assunto para outro post.

Voltando ao povo da moda, crítica não significa falar mal. Não considero Regina Guerreiro uma pessoa que pensa moda porque fala ”mal” dos desfiles, mas sim porque tem um pensamento e uma visão de moda e é fiel a ele. Tão fiel que é capaz de cometer um grave delito para os fashionistas: criticar negativamente uma coleção em público (algo que sabemos é muito praticado a boca miúda). Talvez aí resida sua superioridade e a atenção que os fashionistas, e não só eles, têm para com a editora. Falo isso porque acredito que hoje, nesse momento, os sites e mais ainda os blogs seriam os lugares ideais para se fomentar um pensamento de moda, ou vários. 

Do mundinho

Um outro problema é que todos na moda se conhecem ou sabem mais ou menos que são ou ouviram falar, etc,etc. O primeiro passo é entender que os laços de amizade não devem ser escondidos, mas sim amenizados principalmente se for uma crítica em choque com o que foi visto na passarela ou no editorial.

Existe um paradoxo, os estilistas e criadores de moda sempre reclamam dessa falta de crítica, mas entram em pequenas rusgas com os editores e jornalistas quando a crítica não os favorece. E isso é generalizado, já vi estilista com carreira consolidada chateado (no sentido infantilóide) com a crítica negativa de uma editora. Ao que me parece vivemos um momento que ainda eles enxergam a crítica e os editores como aduladores de seus egos. Isso não é bom nem pra moda nem pra um pensamento crítico.

Exemplifico com algo que está causando polêmica aqui no meu blog: A nova campanha de Giselle Nasser.

Antes de qualquer coisa, adoro muito a Giselle e amei sua coleção e sobre os fotógrafos, por ignorância minha, assumo que não conheço o trabalho da dupla, por isso nenhum pré-julgamento.

Nota: No futuro, com uma crítica mais acentuada e consolidada, não precisaremos mais dos parágrafos acima, pois entenderão, principalmente os leitores, que a questão não é pessoal.

Quando disse que não gostei da campanha e que acredito que erraram no conceito da coleção, foi baseado na minha primeira crítica ao desfile de Giselle, que, aliás, coloquei o link. Lá estava a base do meu pensamento sobre a coleção ao qual não está muito distante do que a própria estilista pensava pois conversamos depois sobre o que escrevi.

Mas o que pra mim não fez sentido: 

1) A experiência religiosa ou o xamanismo visto como iluminação: o que pra mim não caberia fotos tão escuras, mesmo no que barrocamente está iluminado. Penso que talvez se o iluminado estivesse estourado como a luz do transe faria mais sentido pra mim. Era uma coleção iluminada, de cores, era felicidade, a felicidade do absoluto.

2) Não rolou o foco privilegiando o rosto da menina em detrimento à roupa ou estampas que eram de uma psicodelia formal muito rica, ou os debruns como limites. O rosto dela, apesar de bela, me diz muito pouco sobre a imagem da coleção.

3) O esforço de Giselle de mudar sua imagem de estilista correta dos vestidos de festa para algo mais livre e solto como ocorreu no desfile com a sua própria participação, não corresponde aos enquadramentos extremamente corretos, quase caretas de tão acertados formalmente. Uma anarquia formal e de enquadramento aqui seria inesperada e benvinda. 

Não acho incorreto o escuro, a foto privilegiar mais a atitude do que a roupa, fazer enquadramentos que chamei de caretas e corretos, (mas não no sentido pejorativo, por favor), mas acho que vão na contra mão da coleção da estilista. Por isso me desagradou. 

Por outro lado, alguns fashionistas como o Romeu e a Fernanda Resende enxergaram a coleção muito pela imagem da vocalista da banda Bat for Lashes, Natasha Khan. E para eles também não rolou. 

As defesas da campanha me pareceram mais emocionais e com o traquejo do desafio tecnológico tipo na internet, a definição, o papel…Tudo vai melhorar. Mas afinal pergunto para os que gostaram da campanha e para os que discordam de minha visão, o que a campanha tem em relação a coleção e a imagem criada na passarela? Ou isso não tem importância nenhuma, são coisas diferentes? 

O debate é sempre bom para críticos e criadores.  

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Alexandre, que eu considero grande, fez uma das campanhas mais feias que eu já presenciei e um dia eu explico o porquê.