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A MARCADA DE MARC

Recentemente saíram as fotos das camisetas militantes que o estilista Marc Jacobs fez em defesa do casamento gay e seus desdobramentos como a adoção de crianças. Ela diz: “Pago meus impostos, quero meus direitos”…
O que parece uma boa causa, esconde uma ideia perversa como bem salientou Antonio Farinaci no blog Sélavy.
Só os gays que pagam impostos tem direitos? É uma total inversão de valores pois não precisa pagar para se ter direitos – em tese. O direito no Ocidente – com a Declaração dos Direitos do Homem – se adquire desde o nascimento dos homens e está acima dessa lógica capitalista.
Aliás, eu não pagaria nada por essas camisetas, elas são horrorosas,- nem de graça – prontofalei.
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D’AROUCHE EM VÍDEO

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Rimbaud e D’Arouche

Fernando Molinari, o criador do Rio Moda Hype, evento que apresenta novos estilistas dentro do calendário do Fashion Rio foi categórico comigo ao falar: uma marca jovem para se manter ou mesmo um criador para ter uma carreira contínua tem que pensar em produto desde o primeiro momento. Algo que me parecia inusitado já que se espera ousadias e pirações de jovens estilistas. Mas essa opnião parece também ser compartilhada por André Hidalgo, o idealizador da Semana de Moda Casa de Criadores, outro evento importante que também lança jovens estilistas.
E Fernando foi enfático comigo quando contraargumentei sobre o quesito “criativo”. Ele disse algo como: “nada impede de você ser ousado e apresentar produto, agora querer fazer uma bermuda de alfaiataria com um tecido caro a um preço de 400 reais, sendo um jovem estilsita, é atirar no próprio pé. Tem que fazer camiseta”.
A D’Arouche, uma jovem marca super requintada dos stylists David Polack e Carol Glidden-Gannon, parece que sabe dessa lição. Além de apresentar produtos de excelente acabamento e modelagem, o que torna as peças caras, eles optaram também por ter uma linha de camisetas lindas. Eu mesmo tenho uma com o retrato do poeta francês Rimbaud que simplesmente eu sou apaixonado por ela. E agora eles lançam mais modelos em um vídeo do talentoso Dácio Pinheiro com Denis Giacobelis. Como a marca é feita por dois queridos da moda aqui de São Paulo, eles conseguiram o luxo de ter o make do top Daniel Hernandez e a presença luminosa da super top Ana Claudia Michels ao lado de Oscar Suonelid. Dá uma olhada como ficou:

AVAFANDO=ABRAVANANDO COM AS ARTES PLÁSTICAS E COM A MODA

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Fábio Gurjão realizou sua performance-ação-desfile-ação comercial na última terça, dia 2 de dezembro, abrindo os trabalhos da a.v.a.f. [assume vivid astro focus] que desta vez vem com o nome Axé Vatapá Alegria Feijão e encerra em clima de grande festa com direito a trio elétrico sua intervenção na Bienal do Pixo no sábado, dia 6 de dezembro.
A princípio, o evento aconteceria no andar do vazio, mas acredito que por problemas técnicos + ideológicos, eles preferiram deixar o segundo andar para o autoritarismo da arte contemporânea de vassalagem. Pois bem, foi tudo no térreo mesmo e o clima era de galpão de Escola de Samba.
Enquanto sua ação era realizada ao passar do tempo (das 19 às 22 horas) – não se esqueça que além do desfile tem a ação dos fotógrafos, trilha e araras para a compra das roupas ali mesmo -, um carro alegórico era preparado por Eli Sudbrack, Silvia e equipe, a cantora Cibele Cavalli que virou Kivelle Bastos, a persona abravanada estava realizando ali uma mandiga-instalação e o talentoso Ed Inagaki, que montou seu Ateliê Abstração na paralela da ação de Fábio e sua FKawallys, mostrou uma camiseta com capuz que ele chamou de fantasmando e que também nos remete ao uniforme dos presidiários e/ou guerrilheiros – muito oportuno para esse momento portas fechadas da arte contemporânea de vassalagem ou aos fantasmas que rondam o andar do vazio.
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Buuuu Bienal
Já na entrada, um clima diferente daquilo que Denis Rodriguez também desenhou e era tão verdadeiro durante os dias de Bienal que antecederam a chegada dos avafanados=abravanados: a opressão dos seguranças [acredito que para combinar com o andar vazio e o autoritarismo de seus curadores].
O ar estava mais leve entre os seguranças e alguns até queriam se enturmar com os abravanados. Eles nem revistaram minha mochila…
Ao chegar, muita gente tirando fotos, e Fábio já nos mostrou a cadeira Fila A e cadeira de Imprensa pra gente sentar na passarela. Quer iconoclastia melhor que essa?
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Nossa, essa roupa é uó! Pena que esqueci meu bloquinho…
As coisas corriam soltas, algumas pessoas compravam as roupas na arara, outras cantavam as músicas do rádio, outras ficavam paisageando, Bianca Exótica fazia amizade com os bombeiros…
E foi assim, sem nenhum alvoroço, numa relax, numa tranquila e numa boa que Fábio Gurjão anarquizou com o mundo das artes plásticas e da moda.
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Ao vender as suas camisetas dentro de um espaço de arte, ele evidencia o jogo do comércio disfarçado em simulacros de “arte” feito pelas galerias, museus e bienais. A questão grife é tão mais importante na arte contemporânea de vassalagem que na moda. Afinal um Jeff Koons vale mais que um Marc Jacobs, não?
Existe um valor para aquilo que não tem valor – o espiritual da arte? Por isso seu preço será sempre alto conforme não o seu valor artístico mas seu valor de mercado – em contraposição a isso, as camisetas de artista de FKawallys eram baratíssimas, tudo 30 reais.
Sem falar da ocupação de um lugar sagrado das artes com um desfile de moda – considerado até pelos próprios críticos de moda (?) algo menor que a suprema arte.
Para a moda, ele trouxe orgulho e auto-estima. Não existe terreno mais almejado por jornalistas de moda, estilistas, stylists que o terreno das artes plásticas. Muito pelo valor [falso] e o status [de novo-richismo]que hoje as artes plásticas ganharam. Talvez porque lá o valor da grife [no caso o nome do artista] foi criada de maneira tão escondida e dissimulada que consegue iludir que estamos no terreno do espiritual e não do mercado.
FKawallys está fora dessa etiqueta e dessa lógica canhestra. Em nenhum momento ela se acredita menor que as artes plásticas, não procura como a maioria dos fashionistas aliar-se às artes para ganhar status, esse ISO de ignorância.
Se trabalha dialogando com as artes plásticas é em pé de igualdade. Ele não se acha inferior por fazer moda e muito menos por realizar camisetas [infelizmente considerada carne de segunda na moda].
Ao porpor um desfile em plena Bienal, ele sabe que aquele pode ser um de seus espaços, não o único. E ao vender seu produto que é o mesmo que está sendo desfilado tudo ao mesmo tempo agora ele critica a lógica da chamada imagem de moda tão difundida entre os fashionistas. Essa lógica: a grande parte das vezes o que se desfila não é o que se produz. Cria-se uma imagem falsa da marca, pois na loja temos, em geral, aquilo que é do mais comercial [de alguma forma ele dialoga com o excelente desfile Do Estilista para o verão 2009].
Agora o mais importante, ao fazer essa performance-ação-desfile-ação comercial que outros “artistas” também se acoplam, onde todos, público, visitantes, compradores, funcionários da bienal podem participar [ atentando ao detalhe que a Bienal é de graça], enfim, ali se realiza uma ação de inserção e inclusão. Ao final ele obtém uma obra verdadeiramente duchampiana onde todos que participam são artistas e estilistas ou melhor, vivem a arte como o mestre da roda de bicicleta sempre almejou!
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PS1: E o melhor, disse Fábio Gurjão o tempo todo como autor [não que ele não tenha participação decisiva] no texto por conformismo da linguagem que precisa nominar, mas sinceramente as fronteiras se romperam pois eu não sei se foi a a.v.a.f. , os abravanados, quem apareceu por lá para criar isso tudo que aconteceu no dia 2 de dezembro. Enfim, na realidade foi uma confluência de idéias e desejos!

ALESSA PELO MENOS NÃO FAZ A ECOLOGICAMENTE CORRETA.

Eu confesso que tenho uma simpatia por Alessa, ela faz algo sempre divertido no meio da pseudo-seriedade do Fashion Rio. Dessa vez, ela fará hoje, dia 09 de junho, às 18h30, na Sala Ipanema, na Marina da Glória, um desfile que o tema é “Miss Universo”. Poderá ser um ótimo contraponto com a coleção da Thais Losso que discute a feiúra.
Junto com o desfile, Alessa criou uma camiseta com um X, todo em cristais cor de rosa, que é o símbolo da campanha contra os perigos do HPV e do câncer do colo do útero. Tudo isso faz parte da campanha Evite o Câncer do Colo do Útero – Se Cuidar Está na Moda.
Acho tão mais honesto que esse papo ecologicamente correto.
Se tem uma coisa que já me encheu antes de começar são as ecobags, tão hipócritas

MAIO DE 68 E A MODA

Ao observar a foto acima de Henri Cartier-Bresson percebemos claramente o retrato de uma era. Maio de 68 é uma data simbólica de uma mudança cultural radical: os jovens no poder, pelo menos no poder da imagem.

Se hoje vivemos uma crise de autoridade e também uma exaltação da juventude, eles são resultados desse confronto entre velha e nova geração. Até então a sociedade fazia o elogio dos adultos, hoje, a nossa ode é pela juventude. E uma peça fundamental foi a mini-saia. Considerada por muitos fashionistas como a última grande invenção da moda, ela é unicamente jovem, sempre quando alguém com mais idade “ousa” estar de mini-saia, vide Susana Vieira, é sempre ridicularizada.

Outra questão importante vivenciada pelos mods dos 1960 e resgatada por Hedi Slimane no final da década de 1990 é o terno mais sequinho, ajustado ao corpo, sempre muito magro, afinal estamos falando de jovens que por meios genéticos são sempre mais slim na adolescência. Mas isso ainda está muito vinculado ao século 19 e toda uma tradição estanque da moda masculina. A novidade veio do jeans, pelo caráter democrático e a camiseta, talvez a mais formidável peça urbana de todos os tempos. A camiseta é um outdoor ambulante, tela para o agit-prop, campos de idéias e individualidades. Apesar do desprezo dos fashionistas pela camiseta, principalmente pelo trato esnobe que a peça dá à alfaiataria, ela ainda é um campo fértil de novidades mesmo sendo um quadrado.

As frases dos muros saltaram para as camisetas!

Com a simbologia de 68, a roupa pode ser nudez, pode ser finalmente e verdadeiramente voltar-se para o seu papel: construir individualidades.

 

PS: Em 2008, uma banda como Sigur Rós concebem um video nesse porte, o “Gobbledigook” porque hoje vivemos ainda sobre o fluxo, para o bem e para o mal, de Maio de 68.

 

DAS PASSARELAS PARA A AVENIDA

Sempre fashionista, mas sabendo muito bem como usar as tendências ou os truques da moda, Adriane Galisteu não se fez de rogada e fez de sua camiseta-abadá um ótimo mini-vestido.

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Em pleno verão 2008, ela ressuscitou um look importante da coleção de Adriano Costa para o inverno 2006!

adriano-costa.jpg foto de Charles Naseh

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