Arquivo da categoria: bienal de arquitetura

VERGONHA E ORGULHO

Brasiiiiiiiiiiiiiiiiilllllllllllllllll!!!!
Em Veneza, cheia de propostas de diversos países sobre o entendimento de arquitetura, o que mais me decepcionou foi o Pavilhão do Brasil. Com curadoria do arquiteto Roberto Lobo, e curadoria adjunta do jornalista Silas Martin – que faz excelentes críticas de artes plásticas na Folha de São Paulo, o Brasil faz a seguinte proposta de arquitetura ”No Architects. From urbanity to intimicy”. Essa idéia de uma arquitetura sem arquitetos, segundo disse um amigo que entende do carteado, já é gasta, mas mesclada com um ranço de arte conceitual, torna a idéia razoável em uma montagem muita aquém das boas possibilidades de discutir um assunto morno em arquitetura.
O espaço consistia de displays com personalidades, entre elas Alexandre Herchcovitch, Eliana Tranchesi e Zé Celso, falando de sua íntima relação com a cidade. Uma espécie de Caras da Casa do Saber!


pensamento de Eliana Tranchesi

No meio tinha mesas grandes com os livros em versão mais completa dos depoimentos o que permitia até ter um parecer de um motoboy.
Bom, no meio disso tudo, eu tive muito orgulho de ver um dos displays com uma entrevista de Marcelo Rezende, grande amigo e jornalista, e que está cuidando das publicações da Bienal, que de cara eu já amei pois vai ser distribuido nos semáforos da cidade como aqueles jornais Destak e Metronews.

Como Marcelo mesmo diz “Eu não tenho casa, eu tenho uma pequena mala”

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VENEZA E AS CÓPIAS


ocidente-oriente

Do mesmo jeito que todo muçulmano deve ir um dia na vida para Meca, acho que os ocidentais deveriam ir pelo menos uma vez a Veneza. Essa foi minha segunda vez e acho que adoraria voltar mais.

Veneza, a Meca do Ocidente
Além de toda a beleza cenográfica, além de todos os tons de terrosos que tanto nos encantam quando vemos um quadro de Tiziano, além de todas as ruas e vielas e canais, existe uma cidade. Uma incrível cidade que não à toa é sede de uma importante Bienal de Arquitetura.
A cidade de certo modo está construída, a eterna Sereníssima República ninguém mexe – pelo menos nas fachadas -, até por isso, como observou Eduardo Rosa, meu grande amigo e arquiteto, as construções mais contemporâneas sejam túmulos e capelas no famoso cemitério da cidade. Mas o diálogo com o espaço faz de Veneza uma grande esfinge arquitetônica, pronta pra te devorar ou devorar-se em meio a tantos turistas.
Uma das instalações – se assim posso chamar – mais interessantes da Bienal de Arquitetura é um espaço que foram colocados uns bancos entre duas telas que representavam uma gôndola. Elas projetavam ora imagens de Veneza ora imagens de lugares como Las Vegas, Tóquio, etc que construiram uma cenografia-cópia da cidade de Venetto.
De alguma forma Veneza foi uma matriz desejada e copiada e entendi melhor a questão da cópia além da visão extremamente negativa que tinha sobre o ato de copiar.
Primeiro pra mim copiar era se apropriar de uma idéia original, tentar roubá-la, massificá-la, mas penso hoje que além disso ela é também difundir essa primeira idéia.
Depois, cópia pra mim representava e ainda representa um senso de inferioridade tremendo. A cópia escancara o complexo de inferioridade latente de quem copia. Vendo as réplicas de Veneza, penso que sim, existe inferioridade, mas também existe a sinceridade de quem copia, algo como a sussurrar pra nós: “Eu gostaria de ser assim e pelo menos eu tentei mesmo tendo fracassado”. Até porque Veneza não é apensa essa cenografia que imprime tão forte nos cartões-postais, existe a cidade dentro dela.
De muitas formas, existe muitas verdades originais em uma cópia!

apesar dos clichês, Veneza é uma cidade…

… com as contradições – espaciais e simbólicas- típicas de uma cidade

ORIENTE-SE RAPAZ!