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A NAU DE MARCELO SOMMER

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Se na temporada passada, a grife Do Estilista nos levou para os limites da moda, em suas fronteiras, dessa vez mergulhamos em sua essência, sua células, sua origem: o design.
Marcelo Sommer viajou até a Holanda para nos trazer em estampas, a lembrança afetiva dos azulejos portugueses. Essa questão afetiva é primordial no desfile pois é primordial nas criações de Sommer. Por mais que tudo indique para a criação holandesa, é nessa ponte entre os grandes navegantes do século 16 que nossa mente embarca.
Em um exercício sagaz, Sommer traz, ou melhor, evidencia o chamado Decorativismo, uma tendência de design contemporâneo que brinca com o kitsch (é preciso informar que o folk – dos xadrezes por exemplo – elemento presente em quase todas as criações de Sommer é mercadoria direta do kitsch) e a ironia, algo que percebemos no marear do andar das modelos em suas plataformas-tamancos-holandeses e nas cores azul e branco tão referentes a Delft, uma cidadela perto de Amsterdã conhecida pela porcelana feita exatamente dessas cores. E é na viagem dessas cores que aportamos imediamente aos azulejos portugueses, pois navegar é preciso! Avançar para além-mar, para além dos azulejos.
Diz a Wikipedia: “A palavra em si, azulejo, tem origem no árabe azzelij (ou al zuleycha, al zuléija, al zulaiju, al zulaco) que significa pequena pedra polida e era usada para designar o mosaico bizantino do Oriente Próximo. É comum, no entanto, relacionar-se o termo com a palavra azul (termo persaلاژورد : lazhward, lápis-lazúli) dado grande parte da produção portuguesa de azulejo se caracterizar pelo emprego maioritário desta cor.”
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E é no azul das roupas como no vestido de tricô que existe uma vontade de tridimensionalização dos azulejos, como se ele quissese sair do seu espaço mas não conseguisse. Como se o marinheiro o tempo todo nos dissesse: é impossível ir além da essência. Navegamos por terra firme pois tanto os azulejos como o imaginário e a criação de Marcelo Sommer nos remetem que podemos mudar, viajar por todos os lugares, mas nunca mudar a nossa essência.
E isso estava em imagem quando os modelos em suas esteiras e bicicletas ergométricas pedalavam, corriam e nunca saiam do lugar. Do lugar que é só seu, como no caso de Sommer, onde todos os seus elementos primordiais (símbolos, melancolia, folk-pop) ancoram e nos mostram a essência da moda (design – como também fez brilhantemente Reinaldo Lourenço na temporada passada) e a do próprio Marcelo Sommer.

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A COR DA TEMPORADA JÁ ERA DESEJO

Esses tons de azul claro, azul nuvens se fashionista bom eu fosse, já era desejo nas ruas antes de virar pra mim a cor da temporada de moda.

SPFW – A COR DA TEMPORADA

Eu particularmente nunca gosto dessa coisa de cor, tecido, tendencinha da temporada, muito pelo peso e dimensão desproporcional e desnecessária que isso toma no mundo da moda e na visão que os que estão fora da roda fashion – parece que a gente só espera por essa novidade ou que a moda é feita só disso, esse “museu de grandes novidades”. Mas apesar da minha crítica, é claro que é uma informação relevante, ainda mais quando ela vem poética, amena, suave como esses tons de azul clarinho:

Huis Clos


Reinaldo Lourenço (fotos Charles Naseh – site Chic)

post-scriptum

Ronaldo Fraga (fotos Charles Naseh – site Chic)