Arquivo da categoria: alexandra farah

FASHION RIO GESTÃO PAULO BORGES OU A PROVÍNCIA VISTA DA METRÓPOLE

pier-maua
Não fui ao Fashion Rio, aliás não tenho ido à temporada carioca faz umas 3 estações e para falar a verdade não é algo que sinta muito falta – e isso não é mágoa de caboclo, é entender prioridades. O ano passado fui só para o desfile de Lenny, para entrevistá-la para uma matéria que infelizmente nunca foi publicada.
Também não tenho muitas boas lembranças do evento. Eu tinha uma carga de trabalho absurda, pois toda manhã fazia matérias gerais de moda para o GNT Fashion [isso me fez trabalhar na praia, de roupa, por algumas temporadas e um problema na perna que já tinha se agravar por horas e horas de pé sem uma alimentação adequada]. Só quando cobri para o Uol em uma temporada, as coisas foram mais tranquilas [ou será humanas?]. Isso sim é mágoa de caboclo, pois não fazia nenhum almoço demorado ou compras tão típicos durante o Fashion Rio!
Mas sinceramente, mesmo ou trabalhando “como uma negra” ou dentro das leis trabalhistas de Getúlio Vargas, sempre percebia que a imprensa estava lá mais para um esquenta pré- SPFW ou mesmo uma espécie de relax na cidade maravilhosa antes do “verdadeiro” trabalho.
Era [é?] comum você escutar dos fashionistas que no Fashion Rio é possível fazer longos almoços, encontros e até compras, fora as festas vão até tarde mesmo, com os jornalistas de moda nelas. Me diga você se é possível fazer compras ou longos almoços no SPFW? Sim, é uma questão de line up, o do Rio com horários mais frouxos e muitos desfiles que “pode-se perder sem culpa”, frase que ouvi repetidas vezes, faz com que esse seja o comportamento normal dos fashionistas durante a temporada carioca.
Acho que em nome disso, existe [ou existia] um pacto silencioso de também não questionar muito a qualidade sofrível do evento. Não lembro, tirando alguns cariocas com seu bairrismo, de nenhum editor ou jornalista de moda ou fashionista falar que alguma edição do Fashion Rio foi realmente boa. O que existia era: “pelo menos vai ser uma edição de verão, porque a de inverno é de chorar”.
Nessa temporada, o clichê do lifestyle carioca deu lugar ao do paulista empreendedor. Paulo Borges antes mesmo de assumir, já recebia elogios de que pelo menos o evento ficaria mais profissional. Para muitos cariocas, e isso eu li em muitos comentários, existia um misto de satisfação e revolta: “tem que vir um paulista pra dar ordem na casa”.
Tirando o fato dele ser paulista ou não pois isso é outra mitificação, a persona Paulo Borges é uma grande empreendedora mesmo e isso não tem relação nenhuma com sua origem, ou local de nescença mas sim com sua história pessoal. Fez marcas que nunca se bicaram conviverem juntas em um evento, organizou um calendário e produziu tudo com muito savoir faire.
Sua mão, logo na primeira edição, foi sentida, sinal de sua personalidade, [nunca vi uma cobertura tão boa do Rio Moda Hype] mas acabou chamando atenção ou evidenciando o problema de criação de grande parte das grifes que desfilam no evento. E a imprensa de moda finalmente resolveu deixar o assunto que possivelmente era tocado nos longos almoços e durante as compras [a qualidade da moda apresentada no Fashion Rio] e colocar no papel. Finalmente, nessa edição, tocaram em um assunto nevrálgico do Fashion Rio: a moda feita pelas grifes.
Tanto Gloria Kalil no Chic como Alexandra Farah escreveram sobre isso, como a força da organização demonstrou a fraqueza da moda no evento. É interessante que Farah acaba o texto com uma música que amo: ‘Você Não Vale Nada Mas Eu Gosto de Você”, algo que explica muito da relação dos editores e jornalistas de moda com o Fashion Rio.
Alcino Leite e Vivian Whiteman também escreveram sobre a mudança numa boa crítica que entretanto tropeça em bairrismos como “paulistanização” ou uma tal “brasilidade, tão presente no Rio, para o bem ou para o mal, virou material escasso”. Apesar de discordar dessas premissas, o importante é o fator elitização que eles apontam no texto. E se juntam ao coro e ressaltam a fraqueza das marcas. Dizem: “Uma certa afetação nouveau-riche, quando não ‘intelectual’, chegou a infestar a mentalidade de algumas marcas”.
Não estive lá como disse, mas essa mentalidade já existia desde que frequentava o MAM e a Marina, basta lembrar de certas cenografias de Bia Lessa, Arnaldo Antunes dando uma de poeta concreto recitando em um desfile e muitos etcs. O que parece que ficou claro agora, ou pelos menos a imprensa de moda resolveu tocar nesse assunto finalmente é o descompasso de algumas marcas que sempre se apresentaram no evento.
Isso sem falar de um grande paradoxo. Foi o próprio Paulo Borges e o SPFW responsáveis nos últimos anos pelo esvaziamento do evento, o mesmo que hoje ele tem a missão de dar um up grade. Mas como convencer marcas de excelência que optaram pela visibilidade e a importância do SPFW retornarem ao Rio? Como melhorar o line up do Rio com as mesmas grifes que desfilam por lá? Aguardemos os próximos capítulos.
novo-logo-fashion-rio
PS: O título “a província vista da metrópole”, é uma provocação aos bairristas e aos elitistas, que fique claro!

Anúncios

CIGANISMO ENTRE AMIGOS

Desculpe, mas eu tenho amigos e amigos bons no mundo da moda, pra derrubar mais uma lenda fashion.
Enfim, eu tenho amigos
dsc02135
A Fernanda eu conheci na Namídia em uns debates sobre moda contemporânea que a Mercedes Tristão promovia e foi amor à primeira vista. E o Jorge a gente fez junto o primeiro Filme Fashion com a Alexandra Farah, lembra?
dsc02218
Simone deu a dica no seu blog. Enfim, como ficar bem à vontade e com estilo numa tarde de sol em SP: só o ciganismo salva. Sua barriga está estilosa mamãe Cris. Fred, vc é o meu mais novo querido amigo!
dsc02203
Acendendo a fogueira mística!
dsc02193
Denise Dahdah pronta pra se entregar ao ciganismo amigo!

Muito ritual cigano aqui, aqui e aqui!
Obrigado Janessa, todos os ciganos te amam!

CAMPANHA FILME FASHION

Além da torta de palmito, o dus*****infernus apóia a campanha lançada pela meninas do Oficina de Estilo e replicado na Casa da Narcisa: FILME FASHION é o blog! Já votei como melhor blog de moda de 2008 lá no Chic e espero que a mãe de todos os blogueiros de moda ganhe pra que justiça seja feita nesse reino sem lei que ficou nosso país [um pouco de revolta fashion] .
campanha_filmefashion1

SUZY MENKES AOS 20

Diz a lenda que se hoje o povo da moda adora as palavras perfume ou DNA é porque teve Suzy Menkes atrás desses verbetes, os utilizando em primeira mão de forma repetitiva e intensa.
Em Paris, Alcino Leite me chamou atenção para o tipo de texto de contaminação de Suzy. Ele disse que em todo os seus textos nessa temporada ela tentava imbutir a idéia de crise. Isso desde antes das bolsas desvalorizarem e eu não estou falando de nenhuma Louis Vuitton.
Resultado: todas as análises da temporada tinham a crise econômica como mote ou esbarravam nela. e convenhamos que a crítica de moda odeia assuntos externos aos seus específicos, então é muito interessante ver a deliciosa alienacão da moda se conectar com a chamada realidade negra da economia atual. Obra de Menkes!
Isso demonstra a influência da editora do International Herald Tribune que fez festa em Paris no museu Galliera para a abertura da exposição Suzy at 20. Quem não foi, mandou uma mensagem por vídeo tipo Anna Wintour.
Lacroix, Alber Elbaz, Giambattista Valli, Olivier Theyskens, Yamamoto foram ao beija-mão e Dries Van Noten disse ao WWD que todos, sem exceção, naquela sala já foram demolidos por ela mas sempre com coerência por isso estavam lá.
Bom, o que eu mais gostei foi vê-la menos enfezada ao lado das netas na temporada, pena que não achei a foto, mas aqui tem Alexandra Farah que foi na abertiura da exposição e teve a sorte de pegá-la de bom humor e até responder umas perguntas.