Arquivo da categoria: alek wek

ALEK WEK E O MULTICULTURALISMO


Alek Wek é o símbolo da beleza negra, também é a chave para entendermos o que realmente significa multiculturalismo.

Escrevi para o Virgula, no dia do suposto aniversário da top model. Dá uma olhada!

A MODA É RACISTA!!!!!

Bom, não a Moda no sentido mais profundo do termo, mas o sistema moda hoje ainda é extremamente racista. E um excelente começo para mudarmos (ou não) esse estado de coisas é assumir esse racismo, não individualmente, mas sim perceber que fazemos parte de uma engrenagem excludente e entre os excluídos, talvez o mais chocante seja o caso dos negros. E principalmente no Brasil. Sim, eles são boa parte da população do nosso país. Mas eles não têm direito à imagem de moda, apesar do discurso hoje falar em democracia e diversidade no terreno fashion. Sim, a moda é racista e o primeiro passo para enxergamos preto no branco que isso é fato e não tem nada de subjetivo.
Mas nesse terreiro percebemos outra atitude, outra desculpa. “Não vende, negro na capa de revista não vende” é uma das palavras de ordem da moda para indicar algo prático e embaralhar mais a questão. Realmente os negros, escravos de uma lógica mercadológica, não têm direito à imagem de moda, parece dizer a frase acima.

“pra moda praia eles são até que são bons e pra mostrar o seio”, outro lugar comum do pensamento na moda

Para uma edição em homenagem à África no SPFW algum tempo atrás, fiz algumas matérias, na época para O Estado de São Paulo e para o GNT Fashion, sobre a questão. E qual o meu espanto! Todos se isentam da culpa, para as agências são os estilistas que não escolhem os negros, para os estilistas são as agências que não os oferecem. Enfim, ninguém é responsável, é tudo subjetivo, abstrato.
A contagem de negros nas passarelas feita há duas edições por Eva Joory na Folha de São Paulo também é tratada com indiferença, quando não com certo desdém. Sim, faz parte do manual do fashionismo ser blasé até em questões relevantes.
Voltando à edição africana do São Paulo Week, na época para o GNT Fashion fizemos uma enquete sobre a negra mais linda da temporada e ganhou Emanuela de Paula, que é bela sim, mas a razão que muitos a elegeram era “os seus traços finos, o rosto delicado…”, quer dizer, a beleza branca ocidental.
Quando Cathy Horyn coloca que belo é belo em um recente artigo que discute o racismo na moda, ela se equivoca em não ir fundo na questão. que beleza ela está se referindo?
Em “Banalogias”, Francisco Bosco escreve: “Hoje assistimos, sem qualquer assombro, as negras louras como Mariah Carey ou Beyoncé Knowles: louras de cabelo liso e traços finos […] o que se nota é que a beleza de todas as ‘raças’ é admitida desde que seja mediada por traços ocidentais. Em outras palavras, isso quer dizer que o japonês será mais bonito quanto mais ocidental e menos japonês ele for, o negro idem, o chinês, também etc. Em suma, o multiculturalismo estético é, em sentido profundo, a negação da diversidade das culturas”.
A exceção que confirma a regra: Alek Wek e no Brasil, Rojane.

nada de ocidental na beleza de Wek, a exceção que confirma a regra

No entanto aliado a diversos fatores, temos hoje na moda um “black is fashion” e não estou falando do pretinho básico, Sylvain explica bem a tendência assim como Oliveros identifica a onda Obama como causa e efeito desse olhar da moda para os negros.
foto Marcio Madeira
senhores do engenho, os gêmeos da D-Squared, se jogam na onda negra

Como sempre alerto, o nefasto de estar na moda é que rapidamente se está fora dela. e esse assunto, o racismo na moda não deve ser sazonal!