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ABAIXO ASSINADO

Amigos do blog
Conversando com alguns amigos [Xico Sá, Kiki Mazzucchelli] que entendem mais em organizar política do que desorganizar que é o meu caso, resolvemos fazer um barulho e fazer um abaixo assinado [uma forma de pressão] contra a prisão de pixadora Caroline Piveta da Mota.
Aqueles que apoiam, aqui está o link do abaixo assinado direcionado pra Fundação da Bienal e pro Ministério Público
e por favor divulguem o endereço em seus mail lists, blogs, etc, etc

Aqueles que não apóiam a idéia, desculpe o incômodo mas me poupem de comentários toscos aqui no blog.

E não se esqueçam que o samba também já deu cadeia no começo do século 20 e tinha uma horda que proclamava que aquilo era som de bárbaro, negócio de quinta, arruinava nosso processo civilizatório e que os pretos que faziam isso deveriam apodrecer na cadeia etc, etc. Muito semelhante ao que vi escrito em muito lugares hoje. Infelizmente uma questão de classe, muita classe!

bjs a todos
Vitor

INJUSTIÇA SEJA FEITA

A pixadora continua presa, a crítica de artes da Folha de SP continua vendida, vedada e vendada e Celso Pitta tá numa boa.

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performance coletiva no encerramento da a.v.a.f. : “Eu Pixo a Bienal do Vazio ou Ficou Facinho Ser Artista desde 1917”

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Eu olho ao longe, bem longe essa tal de arte contemporânea de vassalagem!

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Suzy Capó, você também é artista

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Diversão de protesto

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Avafamos!

Enquanto isso, a pixadora fala (mas reparem que é para o editor de informática, não para nenhum dos jornalistas de artes plásticas da Folha – lamentável)…

A PIXAÇÃO E A ARTE CONTEMPORÂNEA

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Como a reação à ação dos pixadores foi muito mais tratá-la como um caso de polícia, vide o curador Ivo Mesquita em diversas ocasiões declarar que foi um atentado ao patrimônio público como no programa StArte da Globonews, é preciso antes de tudo não ficar em cima do muro e se posicionar sobre esse acontecimento.
Com certeza foi uma das ações mais importantes da arte brasileira dos últimos tempos. Sim, declaro que sou à favor da pixação – e ainda mais da que ocorreu na Bienal do Vazio, ou do Pixo -.
E como testemunha do que houve, acredito pela comoção que causou em todos nós lá – vejam o vídeo abaixo – e que ainda está causando pois ainda permanece na pauta e na agenda das discussões – apesar da Bienal ter apagado os pixos – que essa ação foi uma manifestação legítima e seu real significado ainda pode gerar muita discussão. Claro, se não formos preconceituosos o suficiente para tratarmos do caso como fait-diver distante da nossa vidinha de classe média – e olha que eu adoro ser classe média.

escutem os aplausos

Marcel Duchamp, o artista moderno que fez a cartilha para a arte contemporânea tinha em seu projeto esvaziar o sentido aurático da produção artística, uma arte que todos poderiam ser artistas. Em música (que nem arte é, pois é mais que isso, é um milagre como diz uma das mulheres mais elegantes desse país, a pesquisadora Luciana Araújo), na mesma época de Duchamp, na persona do compositor Arnold Schoenberg e sua Segunda Escola de Viena, também se pensou em uma música livre. Se nas artes plásticas, a liberdade foi se livrar das idéias tradicionais que sustentavam a pintura e escultura, na música foi se livrar da tonalidade – essa mesmo que perdura até hoje na chamada música popular do mundo inteiro. Com isso veio a atonalidade, a dissonância e a possibildiade de uma anarquia musical, todos poderiam fazer música, mas faltava critérios. Germanicamente, Schoenberg depois de uma fase atonal percebe que os critérios para julgar o que era música ou não no caso da liberdade total eram muitos precários, então inventou o dodecafonismo – sistema que todas as notas de uma escala tem que ser tocadas e só depois podem ser repetidas, isto é, toda nota tinha o mesmo valor, algo muito próximo às idéias marxistas que estavam chegando também na Rússia na mesma época.
Mas em artes plásticas, Duchamp não reinvindicou nada tão poderoso para resolver a questão de critérios do que é artes plásticas ou não depois de suas intervenções como “A Fonte”, por exemplo, obra que inverte a possição de um mictório. Enfim, deixou mesmo que a chamada anti-arte se radicalizasse, fazendo até uma mise-en-scéne de abandonar a arte pois já não fazia mais sentido ser artista pois todos poderiam ser. A partir de Duchamp, tudo pode ser artes plásticas, até um prato de comida como escrevi na Revista de Domingo da Folha como foi o caso do convite ao chief catalão Ferran Adrià feito pela Documenta de Kassel.
Como toda essa movimentação coloca certos perigos ao círculo de artes, uma relação de vassalagem entre curadores, artistas, críticos, galeristas e marchands formaram o que hoje é uma espécie de Colégio Eleitoral e elegem o que é ou não arte segundo critérios contraditórios e questionáveis.
Talvez o único deles realmente válido é que dentro do espaço expositivo – a galeria ou o museu ou a Bienal – o objeto escolhido por esse Colégio Eleitoral tem como princípio ser arte ou parte do princípio que é arte.
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Duchamp: a ‘moçadinha’ da arte contemporânea cagou no seu maiô
Ora, se Duchamp avalia que tudo pode ser arte e que a arte é coroada como tal em seu espaço expositivo, porque o que os pixadores fizeram – de pixar a Bienal e assim reivindicar o que fazem como arte não pode ser considerado um ato artísitico segundo esses parâmetros tão difundidos no meio de artes plásticas? Porque eles não foram eleitos pelo Colégio Eleitoral? Longe das questões de gosto, se você gosta ou não do trabalho dos pixadores, eles se inseriram no circuito de artes de maneira brilhante e provocadora, como só o que é arte mesmo consegue alcançar.
A jornalista Vivian Whiteman escreveu dois textos essenciais (procurar por Bienal do Pixo e Bienal do Pixo – parte 2) pra entender que talvez ao colocar o caso como polícia estamos no terreno das classes, mas o que foi feito está no terreno do artístico.

Frase no blog da Editora do Bispo, sobre a pixação na Bienal:
A única maneira coerente do pixo entrar nas galerias de arte é arrombando a porta

A BIENAL ESTÁ VAZIA!

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Na abertura da Bienal do Vazio confesso que fiquei impactado com o andar dedicado ao nada, ao vazio, à falência do modelo de uma certa arte contemporânea. Saí emocionado mesmo tendo um andar fantasmagórico – o 3º – com os restos da desastrosa Bienal passada, aquela que insistia em atualizar aquele tipo de arte maneirista e sem sentido que é a grande maioria da produção das galerias e dos museus hoje. Enfim, mercadoria travestida de arte!
Fiquei também bem impressionado pela qualidade dos textos e a iniciativa de um jornal de artes semanal sob o comando do jornalista Marcelo Rezende distribuído não só no Pavilhão como em toda a cidade, nos semáforos e nos metrôs.
Por um acaso eu visitei o andar com o ilustrador Fábio Gurjão que ao ver aquela amplidão logo falou: “Vou fazer meu desfile de camisetas aqui assim eu estreio na Bienal e no SPFW ao mesmo tempo e só faço coleção de 2 em 2 anos”.
O espaço convida pra “invasão”, pra algum a forma de ocupação, pois tem um projeto que pede para que ele seja preenchido, aliás essa é a beleza daquele andar vazio, a esperança que algo esta porvir. Todo o blábláblá de Oscar Niemeyer que Ivo Mesquita disse querer ressaltar é mitificação de curadoria, terreno de muitos pajés-pajem do tranca-arte.
No dia seguinte, o inevitável: Pixadores entram pela porta da frente em pequenos grupos, se organizam e pixam o vazio de uma forma bela, cheia de atitude e violência. Eu que estava vendo um vídeo de Marina Abramovic, aquela da performance, se penteando e gritando “art is beautiful”, me deparo com a curadora-adjunta Ana Cohen descabelada, chamando-gritando pelos seguranças, polícia.
Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas. Em alguns minutos depois, todos os visitantes estavam presos-enjaulados na Bienal sem poder sair por uns 15 minutos, afinal aquele vazio tem dono e cercas.
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Meu cineasta-artista preferido, Jean-Luc Godard, tem uma frase que diz muito do que penso sobre o atual momento e sobre essa ação dos pixadores: “Cultura é regra, arte é exceção”.
E nesse sentido, a Bienal ao apagar os pixos assim como a grande maioria dos senhores envolvidos com a tal arte contemporânea estão situados e sitiados no terreno da cultura, já os pixadores, eles estão no terreno da arte, sem sombras de dúvidas.
A verdadeira arte nunca foi palatável, educada, exatamente por nos tirar do eixo ela tem que ter condutas que nos perturbe, nos faça pensar, nos faça sentir, que possamos sair do óbvio.
Acredito que depois da Bienal da Grande Tela, importantíssima em seu ato paradigmático ao fundar no Brasil a persona do curador tal como a conhecemos nos dias atuais e criar a obra formadora dessa figura do curador como artista que reina até hoje, esse ato dos pixadores é a grande novidade em artes desde os anos 80.
Infelizmente a Bienal do Vazio por ser tacanha como escreveu em outras palavras Jorge Coli se mostrou em sua relação policialesca com os pixadores que essa história do vazio era mesmo uma falseta. E ainda dentro do antigo castelo da tal arte dita contemporânea preferiu apagar esse capítulo de seus anais, mas quem levou no rabo foi ela mesma, porque até hoje eles, os pixadores, ainda são assunto em meios que essa mesma tal arte adoraria ser incorporada.
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