Arquivo da categoria: 28ª bienal de artes de são paulo

AVAFANDO=ABRAVANANDO COM AS ARTES PLÁSTICAS E COM A MODA

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Fábio Gurjão realizou sua performance-ação-desfile-ação comercial na última terça, dia 2 de dezembro, abrindo os trabalhos da a.v.a.f. [assume vivid astro focus] que desta vez vem com o nome Axé Vatapá Alegria Feijão e encerra em clima de grande festa com direito a trio elétrico sua intervenção na Bienal do Pixo no sábado, dia 6 de dezembro.
A princípio, o evento aconteceria no andar do vazio, mas acredito que por problemas técnicos + ideológicos, eles preferiram deixar o segundo andar para o autoritarismo da arte contemporânea de vassalagem. Pois bem, foi tudo no térreo mesmo e o clima era de galpão de Escola de Samba.
Enquanto sua ação era realizada ao passar do tempo (das 19 às 22 horas) – não se esqueça que além do desfile tem a ação dos fotógrafos, trilha e araras para a compra das roupas ali mesmo -, um carro alegórico era preparado por Eli Sudbrack, Silvia e equipe, a cantora Cibele Cavalli que virou Kivelle Bastos, a persona abravanada estava realizando ali uma mandiga-instalação e o talentoso Ed Inagaki, que montou seu Ateliê Abstração na paralela da ação de Fábio e sua FKawallys, mostrou uma camiseta com capuz que ele chamou de fantasmando e que também nos remete ao uniforme dos presidiários e/ou guerrilheiros – muito oportuno para esse momento portas fechadas da arte contemporânea de vassalagem ou aos fantasmas que rondam o andar do vazio.
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Buuuu Bienal
Já na entrada, um clima diferente daquilo que Denis Rodriguez também desenhou e era tão verdadeiro durante os dias de Bienal que antecederam a chegada dos avafanados=abravanados: a opressão dos seguranças [acredito que para combinar com o andar vazio e o autoritarismo de seus curadores].
O ar estava mais leve entre os seguranças e alguns até queriam se enturmar com os abravanados. Eles nem revistaram minha mochila…
Ao chegar, muita gente tirando fotos, e Fábio já nos mostrou a cadeira Fila A e cadeira de Imprensa pra gente sentar na passarela. Quer iconoclastia melhor que essa?
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Nossa, essa roupa é uó! Pena que esqueci meu bloquinho…
As coisas corriam soltas, algumas pessoas compravam as roupas na arara, outras cantavam as músicas do rádio, outras ficavam paisageando, Bianca Exótica fazia amizade com os bombeiros…
E foi assim, sem nenhum alvoroço, numa relax, numa tranquila e numa boa que Fábio Gurjão anarquizou com o mundo das artes plásticas e da moda.
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Ao vender as suas camisetas dentro de um espaço de arte, ele evidencia o jogo do comércio disfarçado em simulacros de “arte” feito pelas galerias, museus e bienais. A questão grife é tão mais importante na arte contemporânea de vassalagem que na moda. Afinal um Jeff Koons vale mais que um Marc Jacobs, não?
Existe um valor para aquilo que não tem valor – o espiritual da arte? Por isso seu preço será sempre alto conforme não o seu valor artístico mas seu valor de mercado – em contraposição a isso, as camisetas de artista de FKawallys eram baratíssimas, tudo 30 reais.
Sem falar da ocupação de um lugar sagrado das artes com um desfile de moda – considerado até pelos próprios críticos de moda (?) algo menor que a suprema arte.
Para a moda, ele trouxe orgulho e auto-estima. Não existe terreno mais almejado por jornalistas de moda, estilistas, stylists que o terreno das artes plásticas. Muito pelo valor [falso] e o status [de novo-richismo]que hoje as artes plásticas ganharam. Talvez porque lá o valor da grife [no caso o nome do artista] foi criada de maneira tão escondida e dissimulada que consegue iludir que estamos no terreno do espiritual e não do mercado.
FKawallys está fora dessa etiqueta e dessa lógica canhestra. Em nenhum momento ela se acredita menor que as artes plásticas, não procura como a maioria dos fashionistas aliar-se às artes para ganhar status, esse ISO de ignorância.
Se trabalha dialogando com as artes plásticas é em pé de igualdade. Ele não se acha inferior por fazer moda e muito menos por realizar camisetas [infelizmente considerada carne de segunda na moda].
Ao porpor um desfile em plena Bienal, ele sabe que aquele pode ser um de seus espaços, não o único. E ao vender seu produto que é o mesmo que está sendo desfilado tudo ao mesmo tempo agora ele critica a lógica da chamada imagem de moda tão difundida entre os fashionistas. Essa lógica: a grande parte das vezes o que se desfila não é o que se produz. Cria-se uma imagem falsa da marca, pois na loja temos, em geral, aquilo que é do mais comercial [de alguma forma ele dialoga com o excelente desfile Do Estilista para o verão 2009].
Agora o mais importante, ao fazer essa performance-ação-desfile-ação comercial que outros “artistas” também se acoplam, onde todos, público, visitantes, compradores, funcionários da bienal podem participar [ atentando ao detalhe que a Bienal é de graça], enfim, ali se realiza uma ação de inserção e inclusão. Ao final ele obtém uma obra verdadeiramente duchampiana onde todos que participam são artistas e estilistas ou melhor, vivem a arte como o mestre da roda de bicicleta sempre almejou!
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PS1: E o melhor, disse Fábio Gurjão o tempo todo como autor [não que ele não tenha participação decisiva] no texto por conformismo da linguagem que precisa nominar, mas sinceramente as fronteiras se romperam pois eu não sei se foi a a.v.a.f. , os abravanados, quem apareceu por lá para criar isso tudo que aconteceu no dia 2 de dezembro. Enfim, na realidade foi uma confluência de idéias e desejos!

CAMPANHA VOTE NA TORTA DE PALMITO

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Digamos que a Torta de Palmito foi a 4ª ou 5º coisa mais importante da Bienal do Pixo depois dos pixadores, a.v.a.f., desfile de FKawallys e Maurício Ianês. Pra mim, não houve polêmica melhor na Bienal do Vazio do que essa, completamente arte contemporânea de vassalagem, isto é, vazia.
Foi algo que comoveu a tantas pessoas que o site Chic na eleição dos melhores de 2008 colocou entre os concorrentes de melhor Momento Fashion, A polêmica da torta de palmito na performance de Mauricio Ianês
Ultimamente tenho feito muitos votos nulos, mas nesse caso meu voto é certeiro: A TORTA DE PALMITO FOI O MOMENTO FASHION DE 2008..

TORTA NA CARA 2, A MISSÃO

Inspirado em Marcel Duchamp, – já que é pra ser maneirista ops, contemporâneo, deve-se ir direto na fonte – e em Erika Palomino,- já que é pra ser modernoso-pra-frentex-descolex e ter “um histórico de doar Tortas de Palmito para artistas plásticos” -, apresento aqui os registros – a receita – da minha primeira performance feita pra Bienal do Pixo ops, Vazio chamada Torta na Cara 2, a Missão!

1º – Compre uma torta de palmito em uma confeitaria-rotisseria mais próxima, não pode ser feita por você mesmo, pois deve ter a “energia” e a mão na massa de estranhos. Atenção: só pode ser esse famoso alimento que vem do interior do pecíolos das folhas de determinadas espécies de palmeiras!
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2º – Leve até a Bienal de São Paulo, ou em qualquer lugar onde o artista plástico e stylist Maurício Ianes estiver fazendo a performance “Bondade de Estranhos”. Ache uma pessoa ou um grupo que não seja amigo do artista. Para isso, elimine todos os tatuados, fashionistas, homossexuais e gente com cara de artista plástico, isto é, com cara de blasé. E entregue a torta de palmito para esse estranho indicando que ela deva parar nas mãos de Maurício. Cuidado: se for na Galeria Vila Blaselândia ops, Vermelho pode ter muita gente fazendo o mesmo que você, dado o grande número de amigos de Ianes que vive nesse habitat, fora que será difícil achar alguém fora do chamado grupo de risco que citei acima para a entrega da torta.
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3º – Faça o estranho ou o grupo de estranhos, como foi o meu caso, entregar a torta para Maurício. Peça também que eles falem coisas bonitas para ele. no meu caso, um das meninas se superou e disse: “O Brasil todo está de olho em você!”
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4º – Espere ele inserir sua torta entre as doações e voilá: performance cumprida!
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Seja você também um artista, esqueça as altas taxas de mensalidade da FAAP. por apenas R$13,71 você pode participar de uma Bienal…

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Essa performance é dedicada ao olhar de Asuzi F. Assunção e aos gritos histéricos e ofensivos de Ana Paula Cohen para a pixadora que foi presa durante a ação dos pixadores, porque sem a generosidade de Asuzi não entenderia porque sra Cohen não tem mesmo nenhuma bondade para os estranhos.

Adendo: Eu, que nunca gostei de nenhuma performance de Maurício, adorei tudo que ele fez! Tem força, teatralidade, energia e representação, ainda escreverei sobre, mas isso é outra performance!

A PIXAÇÃO E A ARTE CONTEMPORÂNEA

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Como a reação à ação dos pixadores foi muito mais tratá-la como um caso de polícia, vide o curador Ivo Mesquita em diversas ocasiões declarar que foi um atentado ao patrimônio público como no programa StArte da Globonews, é preciso antes de tudo não ficar em cima do muro e se posicionar sobre esse acontecimento.
Com certeza foi uma das ações mais importantes da arte brasileira dos últimos tempos. Sim, declaro que sou à favor da pixação – e ainda mais da que ocorreu na Bienal do Vazio, ou do Pixo -.
E como testemunha do que houve, acredito pela comoção que causou em todos nós lá – vejam o vídeo abaixo – e que ainda está causando pois ainda permanece na pauta e na agenda das discussões – apesar da Bienal ter apagado os pixos – que essa ação foi uma manifestação legítima e seu real significado ainda pode gerar muita discussão. Claro, se não formos preconceituosos o suficiente para tratarmos do caso como fait-diver distante da nossa vidinha de classe média – e olha que eu adoro ser classe média.

escutem os aplausos

Marcel Duchamp, o artista moderno que fez a cartilha para a arte contemporânea tinha em seu projeto esvaziar o sentido aurático da produção artística, uma arte que todos poderiam ser artistas. Em música (que nem arte é, pois é mais que isso, é um milagre como diz uma das mulheres mais elegantes desse país, a pesquisadora Luciana Araújo), na mesma época de Duchamp, na persona do compositor Arnold Schoenberg e sua Segunda Escola de Viena, também se pensou em uma música livre. Se nas artes plásticas, a liberdade foi se livrar das idéias tradicionais que sustentavam a pintura e escultura, na música foi se livrar da tonalidade – essa mesmo que perdura até hoje na chamada música popular do mundo inteiro. Com isso veio a atonalidade, a dissonância e a possibildiade de uma anarquia musical, todos poderiam fazer música, mas faltava critérios. Germanicamente, Schoenberg depois de uma fase atonal percebe que os critérios para julgar o que era música ou não no caso da liberdade total eram muitos precários, então inventou o dodecafonismo – sistema que todas as notas de uma escala tem que ser tocadas e só depois podem ser repetidas, isto é, toda nota tinha o mesmo valor, algo muito próximo às idéias marxistas que estavam chegando também na Rússia na mesma época.
Mas em artes plásticas, Duchamp não reinvindicou nada tão poderoso para resolver a questão de critérios do que é artes plásticas ou não depois de suas intervenções como “A Fonte”, por exemplo, obra que inverte a possição de um mictório. Enfim, deixou mesmo que a chamada anti-arte se radicalizasse, fazendo até uma mise-en-scéne de abandonar a arte pois já não fazia mais sentido ser artista pois todos poderiam ser. A partir de Duchamp, tudo pode ser artes plásticas, até um prato de comida como escrevi na Revista de Domingo da Folha como foi o caso do convite ao chief catalão Ferran Adrià feito pela Documenta de Kassel.
Como toda essa movimentação coloca certos perigos ao círculo de artes, uma relação de vassalagem entre curadores, artistas, críticos, galeristas e marchands formaram o que hoje é uma espécie de Colégio Eleitoral e elegem o que é ou não arte segundo critérios contraditórios e questionáveis.
Talvez o único deles realmente válido é que dentro do espaço expositivo – a galeria ou o museu ou a Bienal – o objeto escolhido por esse Colégio Eleitoral tem como princípio ser arte ou parte do princípio que é arte.
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Duchamp: a ‘moçadinha’ da arte contemporânea cagou no seu maiô
Ora, se Duchamp avalia que tudo pode ser arte e que a arte é coroada como tal em seu espaço expositivo, porque o que os pixadores fizeram – de pixar a Bienal e assim reivindicar o que fazem como arte não pode ser considerado um ato artísitico segundo esses parâmetros tão difundidos no meio de artes plásticas? Porque eles não foram eleitos pelo Colégio Eleitoral? Longe das questões de gosto, se você gosta ou não do trabalho dos pixadores, eles se inseriram no circuito de artes de maneira brilhante e provocadora, como só o que é arte mesmo consegue alcançar.
A jornalista Vivian Whiteman escreveu dois textos essenciais (procurar por Bienal do Pixo e Bienal do Pixo – parte 2) pra entender que talvez ao colocar o caso como polícia estamos no terreno das classes, mas o que foi feito está no terreno do artístico.

Frase no blog da Editora do Bispo, sobre a pixação na Bienal:
A única maneira coerente do pixo entrar nas galerias de arte é arrombando a porta

TORTA NA CARA

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Todo mundo comentou a performance de Maurício Ianês, eu faço parte da voz que achou um pouco óbvia no começo. Ele ficar nu = espaço vazio = os participantes interagem e preenchem esse espaço, blábláblá, mas a ignorância-falásia dos curadores dessa Bienal perante a liberdade e o real questionamento da ação artística – vide episódio dos pixadores – fez mudar a minha perspectiva dessa performance e até resolvi vê-la no último dia.
Mas o bizarro-engraçado-constrangedor segue no e-mail abaixo:

“Queridos amigos Artistas e Entusiastas,
Gostaria de denunciar o episódio da Torta de Palmito na performance “A Bondade de Estranhos”, do artista plástico Maurício Iânes na 28va Bienal de Arte de São Paulo.
Acompanho os trabalhos do artista há muitos anos, e gostaria de constatar aqui, junto a voces que no dia 04/11/2008, uma matéria escrita por Gustavo Martins sobre as primeiras doações que o artista recebeu na estréia de sua performance (http://diversao.uol.com.br/arte/bienal/ultnot/2008/11/04//ult6000u11.jhtm), uma pessoa “não identificada” doou ao artista uma Torta de Palmito, junto com uma camiseta e um amigo imaginário de papel feito pelo coletivo de arte do doador anônimo.
Denuncio que a Torta de Palmito foi doada pela jornalista de moda Erika Palomino (www.erikapalomino.com.br), amiga de décadas de Maurício! Pode ser que não foi ela que entregou a torta, mas foi ela que doou. Me baseio no fato de que em março desse ano, a jornalista doou a mesma Torta de Palmito para o também artista plástico Marcelo Cidade!
Não é muita coincidencia?
E quem, além de uma amiga íntima, saberia que o artista é vegetariano? Porque ela não deu uma torta de frango? Porque não um empadão de carne?
Estou realmente revoltada, pois uma obra que poderia ter toda a pureza e limpeza pretendida pelo artista esta sendo corrompida pelo escândalo da Torta de Palmito.
Não preciso nem dizer que uma Torta de Palmito usada com parcimônia, pode ser utilizada em até 2 semanas, e isso já compromete todo e qualquer desafio que a performance propunha.
Indignada pela grande farça da Torta de Palmito, mandei um email para a curadora do evento, Ana Paula Cohen, e ainda não recebi resposta.
Segue o email:

‘Querida Curadora da 28va Bienal:

gostaria de denunciar que a Torta de Palmito doada por uma “pessoa que não quis se identificar”, é na verdade doada pela jornalista de moda, e baluarte da cena art-fashion de São Paulo, Erika Palomino
(www.erikapaomino.com.br).
Erika já tem um histórico de doar Tortas de Palmito para artistas plásticos. Em março desse ano, a jornallista doou uma torta de palmito, junto com a sua namorada Digão, para o também arista plástico Marcelo Cidade.
Esperamos mais fiscalização na performance!!! A Bondade tem que ser de estranhos, e Erika tem um longo relacionamento de amizade, de mais de uma década com o artista.

Obrigada,
Asuzi F. Assunção’

Se você, assim como eu, também está indignado, encaminhe esse email para seus amigos Artistas e entusiastas! Não vamos deixar o Escandalo da Torta de Palmito terminar em Pizza!

Obrigada
Asuzi F Assunção”

É tudo tão bom que quase não quero comentar, mas é tão denunciador do quão patética é a essa tal faceta da “arte plástica=contemporânea” e o pensamento pueril que a cerca que só mesmo uma torta na cara pra encerrar esse pastelão todo.
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Erika Palomino, que pastelão ops, papelão! ahahahahah

A BIENAL ESTÁ VAZIA!

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Na abertura da Bienal do Vazio confesso que fiquei impactado com o andar dedicado ao nada, ao vazio, à falência do modelo de uma certa arte contemporânea. Saí emocionado mesmo tendo um andar fantasmagórico – o 3º – com os restos da desastrosa Bienal passada, aquela que insistia em atualizar aquele tipo de arte maneirista e sem sentido que é a grande maioria da produção das galerias e dos museus hoje. Enfim, mercadoria travestida de arte!
Fiquei também bem impressionado pela qualidade dos textos e a iniciativa de um jornal de artes semanal sob o comando do jornalista Marcelo Rezende distribuído não só no Pavilhão como em toda a cidade, nos semáforos e nos metrôs.
Por um acaso eu visitei o andar com o ilustrador Fábio Gurjão que ao ver aquela amplidão logo falou: “Vou fazer meu desfile de camisetas aqui assim eu estreio na Bienal e no SPFW ao mesmo tempo e só faço coleção de 2 em 2 anos”.
O espaço convida pra “invasão”, pra algum a forma de ocupação, pois tem um projeto que pede para que ele seja preenchido, aliás essa é a beleza daquele andar vazio, a esperança que algo esta porvir. Todo o blábláblá de Oscar Niemeyer que Ivo Mesquita disse querer ressaltar é mitificação de curadoria, terreno de muitos pajés-pajem do tranca-arte.
No dia seguinte, o inevitável: Pixadores entram pela porta da frente em pequenos grupos, se organizam e pixam o vazio de uma forma bela, cheia de atitude e violência. Eu que estava vendo um vídeo de Marina Abramovic, aquela da performance, se penteando e gritando “art is beautiful”, me deparo com a curadora-adjunta Ana Cohen descabelada, chamando-gritando pelos seguranças, polícia.
Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas. Em alguns minutos depois, todos os visitantes estavam presos-enjaulados na Bienal sem poder sair por uns 15 minutos, afinal aquele vazio tem dono e cercas.
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Meu cineasta-artista preferido, Jean-Luc Godard, tem uma frase que diz muito do que penso sobre o atual momento e sobre essa ação dos pixadores: “Cultura é regra, arte é exceção”.
E nesse sentido, a Bienal ao apagar os pixos assim como a grande maioria dos senhores envolvidos com a tal arte contemporânea estão situados e sitiados no terreno da cultura, já os pixadores, eles estão no terreno da arte, sem sombras de dúvidas.
A verdadeira arte nunca foi palatável, educada, exatamente por nos tirar do eixo ela tem que ter condutas que nos perturbe, nos faça pensar, nos faça sentir, que possamos sair do óbvio.
Acredito que depois da Bienal da Grande Tela, importantíssima em seu ato paradigmático ao fundar no Brasil a persona do curador tal como a conhecemos nos dias atuais e criar a obra formadora dessa figura do curador como artista que reina até hoje, esse ato dos pixadores é a grande novidade em artes desde os anos 80.
Infelizmente a Bienal do Vazio por ser tacanha como escreveu em outras palavras Jorge Coli se mostrou em sua relação policialesca com os pixadores que essa história do vazio era mesmo uma falseta. E ainda dentro do antigo castelo da tal arte dita contemporânea preferiu apagar esse capítulo de seus anais, mas quem levou no rabo foi ela mesma, porque até hoje eles, os pixadores, ainda são assunto em meios que essa mesma tal arte adoraria ser incorporada.
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