COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 14/03/2010

Nesses dias obscurantistas de Big Brother Brasil nasceu uma polarização entre os adoradores do personagem Dourado e os gays, que enxergam em sua mise-en-scène algo de nefasto para os homossexuais. Acredito que para além de Emilinhas versus Marlenes, devemos transcender essa caricatura criada pela edição do programa como se fosse realidade e perceber o imbroglio maior que essa questão nos coloca.

Ao tatuar em um dado momento o logo do programa, o lutador se funde simbolicamente com a corporação que “o apoia” – “A edição está fazendo a coisa certa” é um “douradofacts”. Aliás, realmente é muito espontâneo (NOT), característica elogiosa dos que idolatram Dourado, tatuar símbolos de empresas no corpo, mas ela denuncia o gaúcho como mero peão nesse xadrez de intolerância. Oras, não podemos esquecer que é exatamente nessa emissora que o beijo gay é sempre vetado. E é sempre bom lembrar que o Ministério Público investiga suposta responsabilidade de homofobia da Globo no reality.

Tentando escapar, a emissora do plim-plim diz em voz baixa a baixaria de não ser responsável pelas “declarações e opiniões pessoais de participantes de reality shows”.

Somando a essa covardia, temos também o silêncio ruidoso de muitos simpatizantes. Na cartilha das antigas revoluções dizia-se que o povo não tomaria o poder sem a ajuda de alguns burgueses. O mesmo acontece com os gays que não mudarão sua posição de sub-cidadãos sem a ajuda de héteros mais progressistas. Mas hoje percebemos que muitos deles eram simpatizantes pelo hype [dá um ar de modernidade ter um amigo viado, não?]. E dentro do fosso escuro que se encontram, abrem precedentes para discursos de ódio de outros que até então se envergonhavam de sua raiva para com os homossexuais.

Realmente , no paredão da idiotização, esses supostos simpatizantes e essa emissora “global” formam uma bela dupla – de extermínio.


Nosso verdadeiro Grande Irmão

20 Respostas para “COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 14/03/2010

  1. Como foi o adeus da Revista da Folha? já que a grande bobagem acabou! Vc vira Serafina?
    Mas gostava dos seus textos! Beijinhos

  2. Graças a Deus ainda existem jornalistas que observam e comunicam com exatidão os absurdos midiáticos a que somos submetidos. Assistir uma manipulação ridícula e constatar a que ponto um ser humano se submete a um jogo e uma corporação baseada em más condutas, é ser insultada com hora marcada… Parabéns, sua coluna vai além das questões de diversidade sexual querido amigo . Menos globalização massificadora, mais compreensão da humanidade por favor ! É na diferença que nos tornamos semelhantes…

  3. Essa é fantástica:
    “Mas hoje percebemos que muitos deles eram simpatizantes pelo hype [dá um ar de modernidade ter um amigo viado, não?].”
    Espero que esses/as simpatizantes leiam e se toquem.
    Essa de dizer “Ele é bronco, babaca mas gosto dele” é assinar em baixo tudo que ele prega.
    Ótima materia e ótimo texto mais uma vez.

  4. Ai, Vitor.. pra variar eu, infelizmente, vou contrariar.

    Até li esse seu texto na coluna da Revista essa semana. Eu acho que pregar o “extermínio” (seja do que for) coloca algumas coisas em pé de igualdade, sim. Mas não a que tanto se prega.

  5. Hahha quanta besteira. Essa vitimização é ridícula. Sou gay e não preciso disso pra me legitimar.

    Acorda, Vitor Angelo.

    • eu estou bem acordado e acredito que vc também deveria… Vitimização? Meu texto é uma psotura contra isso… Depois vc me conta da Record, tá… E saiba desde já: odeio groupies, se é que vc me entende, entendido em besteira!

  6. Só o fato de um monte de gente assistir mas pouquíssimos saberem de onde vem o termo “Grande Irmão” já diz muita coisa.

  7. Bernardo de Aguiar

    gostei vivi. bj_in!!!!!

  8. O mais legal é que no fundo no fundo o olho/logo do grade irmão é um arco-íris…

  9. Texto irretocável! Enquanto eu o lia, fazia conexões com tantos outros autores – desde Guy Debord a Orwell – e refletia sobre a nossa sociedade espetaculosa… Aí, recorro ao GM, “acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.”
    Algumas dessas “celebridades nissin miojo”, acabam por ter mais do que seus 15min, de fama, como preconizou o Andy Warhol…😉

  10. oi vitor,
    A globo não é maior que o brasil e o povo brasileiro. Aquilo que vemos ali sob a aura de show é também aquilo que vemos na sociedade, quase soberanamente.
    Longe da resignação! Mas de qualquer forma fazemos parte de tudo isso.
    Por fim, por exceção, confirmamos a regra.

  11. Bem lembrado: a Globo veta beijo gay em novela. Infelizmente a discussão pára, convenientemente, no BBB e não avança noite afora, questionando programas como Zorra Total, Casseta e Planeta etc que estereotipam, deturpam e sujam a imagem dos gays muito mais do que dourados, serginhos e dicesares possam jamais tentar.

    • Não é convenientemente, o programa BBB mobiliza paixões e emoções como nenhum desses humorísticos. E forma ideologias de forma muito mais perpicaz. E nisso eu discordo de ti e dos militantes gays que condenam esses programas de humor por mostrar um gay efeminado. Acho excelente que ele seja efeminado, que ele seja engraçado, mas principalemnte, nos quadros de humor, eles não levam coió, já o âmbito do BBB…

  12. Por isso disse ‘convenientemente’… o assunto rende mais, é fato. Depois de ver um BBB tendo um comportamento absolutamente condenável, vc pode tender sim a ficar com ódio de gays, pitbulls, judeus, negros ou patricinhas. Mas acho que no quesito ‘formador de preconceito’ a longo prazo outros programas são mais eficazes e nocivos. Não por mostrar o gay como efeminado, claro, mas caricato e desesperado por macho. Ou algum deles mostra o gay como o oposto disso? Agora, eu, como mulher, branca, hétero, não vejo a menor graça nisso. Você vê?

  13. No mundo da moda, todos os gays são afeminados, mas juram que não! Tirando o Marcelo Sommer, que faz “o discreto”.

  14. E depois da saída do último gay da competição e do pré paredão lia-fe, a final promete e faz jus ao nome:
    Na final do BBB: o Bobo, o Bronco, e a Baixa.

  15. Pingback: COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 28/03/2010 « dus*****infernus

  16. sinto muito que tu foste.mas quero deixar bem claro para todos que quem falar de David azulay eu ~mãe da sharon …sua única filha prossesaria de todas as formas ;;;;;;;;;;porfavor deixe minha amada filha em pazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

  17. Quer coisa mais CONSERVADORA, estilo da época de meu bisavô, careta, fácil e imbecilóide,

    — sem uso da IMAGIN-AÇÃO — do que PICHAÇÃO?… ¿Pra que perder tempo com isso, esse gozo

    de classe média em crise. Vá pegar um ônibus cheio ou lavar um tanque cheio de roupa em

    vez de beber “suco de laranja” já espremido pela mamãe e depois sair pra rua para pichar

    fraqueza imaginativa…
    Atenciosamente e sinceramente,
    João.

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