AINDA SOBRE JOGO DE CENA – ROUPAS, COMPORTAMENTO E ÉTICA

Ainda refletindo sobre o papel ético das roupas no filme “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, é interessante falar – mesmo que rapidamente sobre a história de Nilza, a babá do Leblon – no trailer é a segunda mulher a aparecer.

Vaidosa, sua personalidade se afirma pelo seu estilo. No trailer, ela aparece pedindo para São Pedro deixar o tempo bom, com Sol, porque ela queria ir bonita na filmagem. Logo visualizamos uma negra vistosa, com um batom vermelho e pouquíssima roupa. No decorrer de sua história percebemos como a sua relação com a roupa faz com que ela se ressalte no cenário. No breve período que viveu em São Paulo – sua passagem pela praça da Sé -, sua roupa sumária nos dá a entender que os homens a olhavam muito, mas isso parecia não a incomodar – aliás é um intratexto, está entre as linhas de seu depoimento. Mas também temos algo mais explícito sobre as roupas como a utilização dela como marcação de território e personalidade. Ao conta que sempre ao pedir um emprego, ela logo avisa que gosta de se vestir daquela maneira e diz algo como: ” se quiser assim tudo bem, senão eu não aceito o emprego”.

Você já está totalmente entregue no jogo da representação, quando no final do depoimento, ela vira pra câmera e diz: “Ela disse”. Nilza estava sendo interpretada pela atriz Débora Almeida. Nesse momento a roupa assume um outro significado, aquele que está no cerne da moda: o de fantasia. A roupa nos fez crer – além da estupenda interpretação – que se tratava de Nilza. Estamos na chave do naturalismo, mas também além dele,

A partir daí queria comentar as observações de dois amigos sobre meu primeiro texto sobre “Jogo de Cena”. John Wagland, que foi ator do grupo catalão Fura Del Bals, apesar de gostar do filme de Coutinho, acredita que ele não se aprofunda nos jogos de interpretações ao optar apenas pelo naturalismo como forma de representação, pois – segundo ele – existe uma gama de possibilidades além daquela que a “Imitação da realidade” nos sugere.

Entendo o argumento de John e como disse a ele, ao optar, questionar e desmontar o naturalismo, tem ali uma questão ética. Todo o senso comum – muito difundido pela tv e o cinema hollywoodiano – tem como parâmetro da ideia de representar o tal do naturalismo, aquilo que parece estar perto ou colado à realidade. Não podemos deixar de falar que ao atriz comentar que aquilo é uma representação – por mais naturalista que seja – acabamos saindo do naturalismo. existe um espaço off de pensamento muito grande em “Jogo de Cena”

Sueli, outra amiga, me escreveu nos comentário:

“Ao render-se ao personagem Sarita, Marília esta “copiando” ou “representando”?
Em filosofia – me corrija se eu estiver errada por favor – a representação é uma figuração concreta de um “conteúdo” apreendido pelos sentidos, pela imaginação, pela memória, ou pelo pensamento.
A representação surge da relação entre o representante e o representado: um símbolo, nao?
Eu sei que copia e representação podem ser sinônimos, mas o processo de criação de uma copia pode ser bem diferente da origem de uma representação. A representação pode resultar da utilização de símbolos, que apenas sugerem o que esta sendo representado.
A criação de um símbolo – que pode originar-se de uma apropriação intencional de um elemento visual que se assemelhe ao conteúdo (objecto ou idéia que representa) – tem, geralmente, como objetivo facilitar a comunicação”.

Novamente Sueli está certíssima ao esclarecer que nem toda representação é cópia. Sua questão esbarra na de John. Mas no caso do naturalismo, anseia-se a cópia para chegar mais perto da verdade representada e é nessa chave que o filme trabalha, exatamente para poder implodí-la.

Por fim,a aproximação de representação com cópia feita no primeiro – e segundo – texto, para falar de roupas e da moda e da fantasia é também um exercício ético.

3 Respostas para “AINDA SOBRE JOGO DE CENA – ROUPAS, COMPORTAMENTO E ÉTICA

  1. Vitor, querido! que texto encantador! Genail como sempre! Que falta vc faz na PUC!
    Esta semana falando com Ravi, comentei sobre a teatralidade dos anos 90, tema que discutia muito com NUCOOL e aproveitei para resgatar um Buddha Bar. NUCOOL sempre me alertou que os tais chill in/out eram compostos de uma trilha sonora que nada mais era que um pano de fundo para uma grande cena que inventávamos, um filme onde eramos os personagens principais, tanto é que na música eletrônica ninguém queria ver a cara da banda, djs, mas sim aproveitar as sensações que a música criava e dar vazão as suas personas. Então, o cenário foi sempre muito importante, fosse um bar muito bem ambientado ou um sunset em algum lugar paradisíaco do planeta. Mas já estamos no século XXI e o jogo de cena é outro.

    BEIJO GRANDE!
    Maria Eduarda Pimentel Loureiro
    Dir. Executiva do Departamento Arqueológico Virtual

  2. Vi, esse filme/doc. do Coutinho é novo? já estreiou?
    bj
    Naja

  3. Taryk Al Jamahiriya.Afro-indigena brasileira

    A meGaLOBO RACISMO? A violência do preconceito racial no Brasil personagem (Uma negra degradada pedinte com imagem horrenda destorcida e bosalizada é a Adelaide do Programa Zorra Total, Rede Globo do ator Rodrigo Sant’Anna? Ele para a Globo e aos judeus é engraçado, mas é desgraça para nós negros afros indígenas descendentes, se nossas crianças não tivessem sendo chamadas de Adelaidinha ou filha, neta e sobrinha da ADELAIDE no pior dos sentidos, é BULLIYING infeliz e cruel criado nos laboratórios racistas do PROJAC (abrev. de Projeto Jacarepaguá, como é conhecida a Central Globo de Produção) é o centro de produção da Rede Globo que é dominado pelos judeus Arnaldo Jabor, Luciano Huck,Tiago Leifert, Pedro Bial, William Waack, William Bonner, Mônica Waldvogel, Sandra Annenberg Wolf Maya, Daniel Filho e o poderoso Ali Kamel diretor chefe responsável e autor do livro Best seller o manual segregador (A Bíblia do racismo,que ironicamente tem por titulo NÃO SOMOS RACISTA baseado e num monte de inverdades e teses racistas contra os negros afro-decendentes brasileiros) E por Maurício Sherman Nisenbaum(que Grande Otelo, Jamelão e Luis Carlos da Vila chamavam o de racista porque este e o Judeu racista Adolfo Block dono Manchete discriminavam os negros)responsável dirige o humorístico Zorra Total Foi o responsável pela criação do programa e dos programas infantis apresentados por Xuxa e Angélica, apresentadoras descobertas e lançadas por ele no seu pré-conceitos de padrão de beleza e qualidade da Manchete TV dominada por judeus,este BULLIYING NEGLIGENTE PERVERSO que nem ADOLF HITLER fez aos judeus mas os judeusionistas da TV GLOBO faz para a população negra afro-descendente brasileira isto ocorre em todo lugar do Brasil para nós não tem graça, esta desgraça de Humor,que humilha crianças é desumano para qualquer sexo, cor, raça, religião, nacionalidade etc.o pior de tudo esta degradação racista constrangedora cruel é patrocinada e apoiada por o Sr Ali KAMEL (marido da judia Patrícia Kogut jornalista do GLOBO que liderou dezenas de judeus artistas intelectuais e empresários dos 113 nomes(Contra as contra raciais) com o Senador DemóstenesTorres que foi cassado por corrupção) TV Globo esta mesma que fez anuncio constante do programa (27ª C.E. arrecada mais de R$ 10,milhões reais de CENTARROS para esmola da farsa e iludir enganando escondendo a divida ao BNDES de mais de 3 bilhões dollares dinheiro publico do Brasil ) que tem com o título ‘A Esperança é o que nos Move’, o show do “Criança Esperança” de 2012 celebrará a formação da identidade brasileira a partir da mistura de diferentes etnias) e comete o Genocídio racista imoral contra a maior parte do povo brasileiro é lamentável que os judeus se divirtam com humor e debochem do verdadeiro holocausto afro-indigena brasileiro é lamentavel que o Judeu Sergio Groisman em seu Programa Altas Horas e assim no Programa Encontro com a judia Fátima Bernardes riem e se divertem. (A atriz judia Samantha Schmütz em papel de criança no apoteótico deste estereótipo desleal e cruel se amedronta diante aquela mulher extremem ente feia) para nós negros afros brasileiros a Rede GLOBO promove incentivo preconceito raciais que humilha e choca o povo brasileiro.Taryk Al Jamahiriya. Afro-indigena brasileira da Organização Negra Nacional Quilombo – ONNQ 20/11/1970 – REQBRA Revolução Quilombolivariana do Brasil quilombonnq@bol.com.br

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