AINDA SOBRE ORIGINALIDADE: COPIAR OU NÃO COPIAR, EIS A QUESTÃO

Acima é a campanha mundial que Ryan Mcginley – fotógrafo querido desse blog – fez para a Levi´s mundial “Go Forth”.

E abaixo a adaptação nacional da campanha.

Uma amigo ao ver as fotos me escreveu: “Sim, foi uma ‘adaptação’, que é o que as agências às vezes fazem, assim como a Dove, que fez a campanha com as mulheres reais nos EUA, e aí executaram o mesmo briefing aqui de um jeito cu! Com filmes p&b. cu, e fotos cu, e casting cu, essas coisas, que toca numa outra parte de algo que venho notando e vendo como verdade: o mercado publicitário brasileiro, que se acha tanta coisa (por todos os leões que ganha em Cannes) não preza pela estética das coisas e não tem tradição na parte imagética da coisa. Tanto que eu aposto que a grande maioria dos prêmios brasileiros são relacionados a “copy” (texto), e suas idéias, e nunca a direção de arte, que tende a ser genérica e pobre”.

Isso prova que a síndrome da cópia faz parte de um certo teor da nossa nacionalidade (não como algo no tempo, que se perpetua, mas sim no espaço, como uma ação que ocorre em todos os segmentos da sociedade brasileira), até os mais prepotentes da casta de brasileiros – os publicitários – e digo isso por ser assim que eles constroem as suas imagens, se equivocam. Ao afastar a ideia de copia, por prepotência manifesta e preferir a tal da adaptação, eles ainda se confinam no sentimento final da cópia e dos que copiam, a afirmação de inferioridade e incapacidade.

O correto seria testar algo totalmente inverso, quem sabe com as letras das pichações das nossas cidades, quem sabe apenas com o jogo de luzes de Ryan em diálogo com a luz chapada de Vidas Secas ou outro filme – apenas uma relação hipotética. Ou quem sabe copiando mesmo, como os jovens estudantes de artes copiam os clássicos para no futuro poderem se libertar deles.

9 Respostas para “AINDA SOBRE ORIGINALIDADE: COPIAR OU NÃO COPIAR, EIS A QUESTÃO

  1. CU

    eita pobreza de espírito. isso aqui é um paraguai. mas no paraguai eles assumem e dizem que gostam ser o reino da cópia.

  2. amei. achei que fosse a única pessoa do planeta terra que achou a campanha da Dove um cu quando veio ao brasil. nenhuma diversidade, gordinhas de lado…argh! sinto-me mais feliz e menos implicante.

  3. O pior é que é cópia mal feita.

    O trabalho original, do Ryan Mcginley, usa a “sujeira”, o “barro”, o “suor”: o foco é o trabalho manual.

    A cópia é limpinha, tipo “fim de semana dos colarinhos brancos”.

    Tem gente que nem mesmo é capaz de copiar.

    Entao pra que copiar?

  4. Oi Vitor,
    Não pude deixar de notar que este post ficou meio estranho, não chega nem perto de seus costumazes profundos e despretenciosos comentários. Enfim…como a via aqui é de mão dupla, aí vai o meu percurso.
    Empresas globais são acima de tudo empresas, seu objetivo final é o lucro. O alinhamento de imagem da marca é primordial, assim como uma boa dose de adequação local. Não faz parte da intenção ser um ícone da arte, um mártir da publicidade ou entrar para historia da comunicação. O foco é o consumidor. E sinceramente as gordinhas brasileiras não estão nem aí para a estética “cú”. Fato é que todas se sentiram menos deslocadas no meio desse amontoado de imagens ideais tão comuns por aqui.

    Nenhum diretor de arte com algum amor próprio, premiado ou não, se sente feliz em ter de simplesmente cumprir um briefing onde a manutenção da imagem global serceia a criação.

    Enfim, para poder virar a esquina: essa mágoa de cabloco é um saco.

  5. Conteúdo super atualizado! Super show todo o blog! quando estava no brasil nao encontrava blogs tao bons quanto esse! Parabéns!

    http://www.livebehavior.blogspot.com

  6. Vitor eu adooorooo vir aqui e ler os seus textos!!

    Saio me sentindo bem mais inteligente.

    Acredito também que além de tudo o que foi dito, é importante também lembrar que nem sempre idéias inovadoras sejam compradas e desenvolvidas.

    Muitas vezes o novo até tenta ser proposto, mas a idéia de que o mercado não está pronto para assimilar, acaba levando a um produto final mal maquiado e copiado.

    Beijos

  7. estética brega…

  8. num país que o povo não tem , nem se fala então em cultura de moda ou de imagem?! As pessoas realmente irão se importar com uma campanha mal copiada? Creio que não pois aqui ainda muitos preferem aplaudir para continuarem sendo convidados pras festinhas e desfiles da marca! Seu blog é ótimo!

  9. O que é pior : a cópia bem feita descaradamente ou a cópia mal feita? Pq segundo essa campanha que copia a da Levi’s é bem mal feita por sinal, dá pra passar meio desapercebido, não?
    Uma pobreza…afff

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