COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 13/12/2009

Você sabe que é gay. Talvez experimentou relações com meninas, mas sentiu que algo mais forte te levava a querer brincar com os meninos. O que te incomoda nem são as conversas de vestuário sobre a gostosa da classe ou a saída com outros garotos pra fazer a “zoação” com as garotas que praticam a profissão mais antiga do mundo. Ancestral mesmo é sua vontade de ser o que realmente é e ter que dissimular sentimentos como falar mecanicamente que aquela “mina é da hora”. Olha para a bichinha da escola e sente que ela, apesar das possíveis humilhações, é mais feliz e autêntica que você. Nesse momento, tem certeza que, apesar da ideia de inferioridade que fazem das quá quás, ela está em posição superior a sua. Todos não tem dúvidas sobre ela enquanto você é um poço de interrogações para si mesmo.
Em casa, seu pai, meio de sacanagem, quer saber se você é o garanhão da escola e sua mãe, religiosa, adoraria te ver no altar casando com toda a pompa. São eles que pressionam, para o bem ou para o mal, pelas suas respostas. Como um Cristo ou um Diabo perante a cruz, não há muita saída, você não os quer decepcionar mas também não quer se torturar. Como se livrar dessa angústia? Alguns infelizmente não aguentam e respondem da forma mais triste: o suicídio, se recusando à verdade e à vida. Mas outros preferem apenas sair de casa, se afastar da família, viver feliz sua sexualidade longe daqueles que preferem a mentira. E há ainda outros que respondem saindo do armário e acabando com toda essa encenação de uma vez por todas. Em todos os casos, muito antes de suas respostas, já houve a decisão dos pais, que – posso estar enganado – sempre souberam que você é gay.

8 Respostas para “COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 13/12/2009

  1. quanta verdade! tô beiji!

  2. Sigo te amando, Vitor.
    Beijo

  3. Vitor to de cara! diisse tud.

  4. minha mãe sempre soube mas meu pai teve um resistência enorme sempre e até hj. faz 16 anos que não vejo meu pai por conta desse asunto.
    Fica a pergunta: Será que o ódio mortal dele por mim foi o seu passado de não aceitação?
    Resumindo: eu sempre soube que meu pai era gay…mas nunca assumiu.

  5. Esse comentário do Alex é duca&¨%$#@

  6. Vitor,
    Admiro o que vc escreve, mas me parece não fazer mais sentido, você se prende a bobagem de assumir ou não assumir. Acho as qua-quas engraçadas, estão ai para nos divertir. Todos os assumidos vão na parada gay, a maior do mundo e isso politicamente não serve para nada. Não me identifico com a cultura gay, apenas gosto de transar com homem. Na minha familia, só meu irmão sabe e não preciso de mais, acho gostoso fazer o dissimulado, o enrustido, inclusive é um grande fetiche que atrai homens mais interessantes que os seus chamados gays assumidos.

  7. Eu tenho que viver essa maldita vida. Cara é muito difícil ainda mais quando se ter irmãos, não desejo essa vida pra ninguem. Muito humilhante ser “inferior” ao seu irmao.

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