CASA DE CRIADORES – SEXTO DIA


Infelizmente o último dia das coleções da Casa de Criadores que aconteceu nessa sexta-feira, dia 27, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo, foi o mais fraco dessa edição de inverno 2010 do evento sem nenhum grande destaque. E exatamente por isso, acabou ressaltando problemas que até apareceram durante todo o percurso da semana, mas que lampejos de boas ideias e o brilho da personalidade de alguns estilistas nos fizeram esquecer. É muito importante que as criações tenham um bom acabamento, o que aconteceu raramente nas coleções apresentadas no evento. Os estilistas também não devem tentar dar um passo maior do que a perna. Um exemplo é o excesso de ombreiras mal feitas, engenhosamente “experimentais” para camuflar a falta de técnica. Ora, os ombros fortes são tendência, mas se ainda não possui know how ou personalidade para fazê-los, o estilista deve procurar outras saídas até porque verdadeiros criadores não precisam necessariamente seguir tendências. Outro fato diz respeito à edição dos desfiles, muitas vezes mal contadas, narradas de forma repetitiva ou confusas, claro que isso tem melhorado, mas é preciso um acerto definitivo nesse assunto, para que as coleções fiquem para além do amadorismo.
A noite começou com o Ponto Zero, projeto das escolas de moda que se mostrou mais travado e menos interessante que o LAB e até mesmo que o Fashion Mob que teve uma participação anárquica e feliz no meio dos desfiles de hoje. Desfilaram no Ponto Zero: Leandro Gabionette (Universidade Anhembi Morumbi), Ana Paula Becker (Centro Universitário Belas Artes), Bruno Gonzaga (Fundação Armando Álvares Penteado), Alice Sinzato e Helena Luiza Kussik (Santa Catarina Moda Contemporânea), Cynthia Hayashi (Santa Marcelina), Cristiane Carla Soares (Senac) e Ana Beatriz Almeida e Claudia Leimi Yasumura (USP). De todos, o que se mostrou com mais personalidade de moda foi Bruno Gonzaga com uma cartela de cores ousada, uma bacana brincadeira com texturas e um belo vestido de paetês colorido. No final foi anunciado o vencedor, Cynthia Hayashi. Ela apresentou um trabalho que lembrou um pouco do trabalho de Erika Ikezili – saibam que isso é um elogio – com um interessante trabalho de formas e aplicações de pequenos tecidos sobrepostos.

Bruno Gonzaga, Ponto Zero, inverno 2010

Geraldo Couto olhou para o filme “De Olhos Bem fechados”, de Stanley Kubrick e nos mostrou bons minivestidos com brilho e um uso inteligente do lamê. O ponto alto foram os últimos looks dourados em paetês, mas não funcionou o vestido longo do mesmo material que encerrou o desfile, a modelo Marina Dias teve que segurá-lo para poder andar e não era nenhum efeito dramático. Menos ainda deram certo as aplicações de rosas.
Já André Phergom acertou nas camisas de meia-malha e nos moletons, em sua coleção dedicada a Portugal, mas em nome da obsessão por ombreiras nessa temporada, caiu na cilada das proporções da alfaiataria, fazendo blazers que o ombro estava nitidamente fora do lugar correto. Esse mesmo erro nos ombros aparece na marca Diva, mas tirando um certo exagero cenográfico, a estilista Andréa Ribeiro faz alguns vestidos de festa interessantes como os acinturados de silhueta 50. Prints I Like foi até o art noveau e o gótico para montar uma coleção fluida com cara de inverno brasileiro, mas ainda com alguns problemas de acabamento como as costas do último look.

Weider Silvério, inverno 2010

Michael Jackson foi o ponto de partida para a graciosa coleção de Weider Silvério. As estampas da lua nos tops fazendo referência ao moonwalk, o brilho no barrado dos vestidos e as medalhas e principalmente os vestidos curtíssimos como o feito de canutilhos foi o momento forte do dia. Além disso ele descontruiu a jaqueta militar que Michael adorava e novamente os canutilhos fazendo as dragonas foram uma boa sacada. Tudo corria muito bem, mas Weider se descuidou por não se descolar da imagem da Balmain que durante duas temporadas fez referência à mesma jaqueta, aos ombros estruturados e ao brilho de minivestidos que aparecem também no desfile do estilista. Aqui não é uma questão de cópia, que fique bem claro, mas de imagem. A imagem produzida pela marca francesa e com certeza captada por Weider fez seu olhar não ser livre o suficiente. Mas mesmo assim, foi com certeza um bom momento de uma noite difícil.

Weider Silvério, inverno 2010

Encerrando a 26ª Casa de Criadores, Gustavo Silvestre trouxe sua sempre inquietante pesquisa com os trabalhos manuais. O ponto russo e o chenile aparecem preciosos na coleção do estilista pernambucano, mas com uma edição confusa no começo, que atrapalhou o segundo bloco de looks que eram muito bom, o estilo acabou enfraquecendo o desfile.

Texto escrito especialmente para o Uol Estilo. Para ver as fotos e ler no site, clique aqui e aqui.

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