COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 15/11/2009


Todos já sabem da saia justa que aconteceu na Uniban quando a estudante de Turismo, Geisy Vila Nova Arruda, 20, no dia 22 de outubro, foi agredida verbalmente, acuada, xingada e ameaçada de estupro porque estava usando um mini-vestido. A primeira reação da universidade não poderia ser mais cinto de castidade, expulsou a aluna por “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”. A mini-treva só não aumentou porque parte da sociedade progressista do país fez uma enorme pressão e a universidade teve que revogar a decisão.
Mas o que foi mais impressionante nessa discussão toda foi a reação de muitas mulheres que condenaram veemente o uso da mini-saia de Geisy, esquecendo que foi essa peça exatamente o símbolo da liberação feminina que começou nos anos 60. E se hoje elas podem frequentar uma universidade ao invés de ficar o dia inteiro no fogão, algo se deve à esse pequeno pedaço de tecido. Como bem disse uma amiga esclarecida, Malu Lopes, ao dizer que foi a aluna que causou a situação, temos o mesmo raciocínio machista que diz que mulher só é estuprada porque provoca o estuprador. Isso diz muito sobre as minorias: as mulheres continuam seus maiores algozes, assim como os gays. Veja quando um viado apanha na rua de uma gangue, as bichinhas são as primeiras a proclamar: “Com certeza devia estar mexendo com os bofes”, como se isso fosse algo profundamente condenável, se tivesse acontecido. É um triste sinal que as minorias pensando assim permanecerão servas voluntárias por muito tempo. Contra isso, viva a mini-saia de Geysi!

20 Respostas para “COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 15/11/2009

  1. CA&¨*LHO vitorrrr, vc disse exatamente o que eu achava e não conseguia verbalizar

    fiquei chocada com a opinião das mulheres sobre esse caso. ela pode ter levantado a saia e mostrado as coisas q nao justificaria. sociedade hipocrita, meu deuuus

    bjss

  2. Te AMO vitor!!

    É tudo verdade e uma tristeza de se perceber ainda hoje!

    =(

  3. É isso aí,vamos acabar com a hipocrisia e esse falso moralismo imbecil que persiste e insiste em existir por conta dos grupos religiosos escrotos nesse pais…
    VIVA!

  4. Se a mini-saia tivesse um propósito digno, td bem!!Mas esta pessoa que se intitula universitária, só queria aparecer e graças a nossa maravilhosa mídia, ela está conseguindo!!Ridículo!

  5. E porquê isso te incomoda, Luciane?
    Só por ela aparecer?
    Não tem nada mais escondido aí???

  6. será que o povo está regredindo então?

  7. Concordo plenamente com você.

    A minissaia foi uma peça fundamental do vestimentario das mulheres que participaram do movemento contra a repressão politica durante toda a ditadura militar. A minissaia não era apenas uma expressão individual. Ela fazia parte de uma identidade coletiva feminina que corajosamente enfrentava até mesmo policia montada para exigir o fim da repressão politica que iniciou em 1964.

    Foi atraves de um grito de horror que a minha amiga Regiane Bochichi deu no facebook que eu fiquei sabendo desta noticia feia: o que esta acontecendo com esta geração?!

    Eu e a Regiane somos mais novas do que as corajosas heroínas dos anos 60 e eu não quero roubar a estrela destas mulheres maravilhosas. Mas, eu e a Regiane juntas vivemos e enfrentamos a invasão da PUC pela tropa de choque, a policia montada e do Dops em 1984 vestindo minissaia. Na noite da invasão do ”Je vous salut Marie” (Godart), eu sai correndo com uma das televisões, escondi ela numa cabine do banheiro, tranquei a porta por dentro, pulei para a cabine do lado e sai correndo do banheiro quando fui parada pela policia aos berros. Eles me arrastaram até o saguão principal para me dar uma revista. Imagine: eu deitada de barriga pro chão, em posição de cruz (braços abertos) sentindo o cano de um fúsil passando em volta do meu corpo e – eu vestindo minissaia. Que espetáculo, não: eles devem ter ficado satisfeitos de verem o fundo da minha calcinha. Mas a culpa foi minha: quem mandou eu usar minissaia? Também foi de minissaia que fomos ao primeiro comício em Sao Paulo pelas Diretas Já em 1984 e quando houve o ”black-out” (sera que alguem se lembra que as luzes apagaram na cidade toda quando a noite chegou no dia do grande comício das Diretas Já?), eu andei do Anhangabau ate Santana vestindo minissaia e scarpin. E tem muito mais historia que vivemos naquele período de horror que nos foi imposto por aquele Pacote de Abril do Figueiredo…

    Eu não sou nenhuma heroína, mas eu tenho um orgulho imenso de ter vivido este período tao importante da nossa historia vestindo minissaia.

    • nossa, fiquei emocionado, porque vivi exatamente esses momentos. Estava na Puc no dia da invasão por causa do filme: “Je Vous Salue Marie”, estava no apagão das Diretas, estava nas Diretas e não estava nem um pouco preocupado se era adequado ou não usar mini-saia nesse momento.

      • hahaha

        talvez teria sido uma preocupaçao se voce tivesse experimentado o choque eletrico do cacetete da policia na perna descoberta pela minissaia, como eu recebi!!! Doi, viu…

        Para minha surpresa, os meus amigos barbudos que sempre estiveram ao meu lado nunca tomaram choque de cacetete. Apos questiona-los, a conclusao foi obvia : ”o Sueli, o DOPS ta te paquerando, minha querida. Também, nao é pra menos: olhem as pernas da moçinha! Evamos terminar esta conversa com uma cerveja gelada por que a garganta esta queimando de tanto gritar. Diretas Ja!”

  8. Muito acertado o resgate político/histórico da minissaia para analisar este caso. Claro que a mulher agredida nao tinha as mesmas reinvindicaçoes do passado, os tempos sao outros, mas a luta pelos direitos e liberdades individuais continuam na pauta.
    Nao por sorte, mas graças à luta de muita gente, podemos ver hoje a luz de alguma melhoria neste sentido.
    O poder combatido no passado estava centralizado, tinha uma cara reconhecível, as estratégias podiam ser mais direcionadas. Hoje a dominaçao esta diluida e as estratégias se configuram através de “micro-políticas”. O direito sobre o próprio corpo já é uma grande causa.
    Despertemos minorias, o pior machismo é feminino, a pior homofobia é gay!…nao que exista algum machismo, homofobia, racismo, etc, que seja menos mal; mas a falta de consciencia de estes coletivos acabam por legitimar ainda mais os poderes hegemonicos.
    Estes temas ainda precisam dar muito “pano para as mangas”….do contrario seguiremos falando muito de “burka” e usando pouca minissaia.

  9. A UNIBAN errou e errou feio . Até porque ninguém tem autoridade para ficar jogando pedras . Agora que aquele pequeno pedaço de pano no quadril da guria era tudo menos uma mini-saia , isto eu tenho certeza … rs !!!

  10. o que mais impressiona é como disse o reinaldo consoli é como essas diluições ideológicas de poder vão ganhando terreno. vi a Geisy no programa “altas horas” e ela foi novamente hostilizada sobretudo por mulheres que faziam perguntas do tipo: ué mas voce não acha que provocou? e eram sumariamente aplaudidas.
    mais preocupante do que a Uniban – fruto desta expansao universitaria irresponsavel – são as mulheres que dão uma olhadinha de viés e dizem : é… injusta a perseguição … mas o vestido era meio curto, né?
    recalque disfarçado, opinião manipulada e o inimigo da bestialização coletiva só engorda.
    saudações vitor!

  11. Há uma certa dissonância de pensamento, e principalmente de atitude da maioria das mulheres de recriminaram de forma tosca e sem muito conhecimento de causa, a maneira selvagem que a estudante de Turismo Geisy Arruda foi linchada verbalmente na UNIBAN. Se o país em que vivemos se diz detentor de uma democracia plena, por quê ainda há censura na forma de se vestir?
    Salve Mary Quant pelo seu evolutivo modo de romper as barreiras do tempo.
    Em relação aos homossexuais o preconceito também se atém ao próprio meio, onde deveria haver apoio contra a homofobia, percebe-se que inconscientemente ou não há um certo apoio aos algozes. Infelizmente!

  12. Li esse na revista nesse domingo. Muito bom.

    Você chegou a ver o parecer da comissão de direitos humanos do senado sobre a PLC 122/06? O caso Geysy também é mencionado. Se não viu tem lá na página do senado, mas também disponibilei no meu último post.

    Abraço

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