A VIOLÊNCIA DOS MUROS E DAS ROUPAS

Não há nada mais violento simbolicamente que os muros. O de Berlim que festejou os 20 anos de sua queda no dia 09 agora, é talvez um dos mais cruéis – assim como o que margeia toda a Cisjordânia. Da mesma forma que o muro israelense é o sinal das lutas do nosso tempo que a questão religiosa ganha papel de suma importância, o de Berlim foi a cara do século 20 e suas questões ideológicas – dividindo o mundo em esquerda e direita, comunistas e capitalistas. No caso berlinense, ele dividiu famílias, privou a liberdade de ir e vir, além de prender e até matar quem tentasse ultrapassá-lo. O que de mais cruel na verdade os muros ostentam, e o caso do de Berlim não difere em nada, é a impossibildiade de escolha, ela coibe sua vontade, decidindo por você: ou se fica de um lado ou de outro, aliás ela decide para que lado você deve ficar. O muro pune quem ousar desafiar ter voz pessoal.
O mesmo acontece com as roupas fora do eixo, como o que aconteceu com Geysi na Uniban mostra que ela ultrapassou algum muro construído pro aqueles universitários e sofreu agressões verbais. Pior aconteceu com Lucy Emmingham que resolveu se casar de preto e com o cabelo tingido de rosa em Sheffield, na Inglaterra. Muito diferente das tradicionais noivas de branco, ela não inspirou paz em seus agressores que a espancaram em plena festa de casamento. Ela, assim como Geysi, desafiaram as normas de vestir, pularam o muro de uma suposta e questionável “conduta correta” e a resposta a isso sempre é violenta.
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7 Respostas para “A VIOLÊNCIA DOS MUROS E DAS ROUPAS

  1. a roupa da geysi era inadequada para sala de aula. é muito diferente de uma mini saia numa escola de filosofia, arte, etc. nao vejo muita diferença entre ela, os agressores e a direção da uniban. o bom senso passou longe dessa universidade.

  2. tudo isso me parece muito mais o instinto animal do ser humando querendo se manifestar em bando e esquecendo que já passamos do ano 2000… é triste, porque deveríamos aprender com tudo isso, mas é nessas horas que cada um quer ficar de um lado só ao invés de começar a aceitar e principalmente entender as diferenças das pessoas!

  3. Paula,
    Como assim vc não vê nenhuma diferença entre A Geisy, os Talebans e a direção da Universidade?
    Mesmo sendo inadequada a roupa, vc acha que a selvageria explícita com ares de nazismo e falta de maturidade sexual(além do evidente recalque feminino e do machismo e misoginia masculinos)e a atitude autoritária e equivocada de uma Universidade de fundo de quintal é igual a atitude da aluna?
    Francamente….Alguma coisa muito ruim está acontecendo com esse país, e parece que é saudades de tempos obscuros…

  4. a moda tem a capacidade de muitas vezes revelar o que não é dito, né?

  5. Paula, obrigado mesmo pela visita e o comentário, mas não consigo acreditar nesse texto da inadequação. algumas amigas próximas falaram isso para o meu espanto. Ao colocar que algo é ou não adequado ao ambiente de uma sala de aula, vai de encontro contra tudo que a universidade pós 68 pregou: a liberdade.
    Na Folha, Alcino e Vivian escreveram: “O caso gerou uma reação em cadeia de caretices, com direito à ressureição de manuais de estilo jurássicos que proíbem o uso dos minis em ambientes acadêmicos e de trabalho”.
    Acho muito estranho que a maioria dos brasilerios não sabem regras de convites como traje a passeio ou tenue de ville e em geral se equivocam em casamentos com dresscode específico e agora fiquem falando que o traje é inadequado pra sala de aula, não digo que é seu caso pois não a conheço, mas é o de muitos que a condenaram. E nenhum que errou o convite da festa foi humilhado como foi essa menina. Temos que pensar o quanto de machismo temos introjetado para fazer esse tipo de comentário já que a mini-saia como escrevi em outro texto é a representação máxima da liberação das mulheres nos anos 60. E ela pode estar – e já esteve – em todos os ambientes, até em casamentos.

  6. ola,
    apenas para esclarecer – por quem esteve em israel agora em setembro:
    a questao de ir e vir com o muro que separa as areas palestinas da israelense é do lado do palestino apenas feita pela segurança de israel – isso quer dizer todos os palestinos podem ir para as terras israelenses, só passam por uma inspeção verificando se nao portam armas ou bombas. por outro lado, se um israelense deseja entrar nas terras dominadas pelos palestinos esse direito lhe é negado.
    nao podemos comparar o muro de berlim com o da cisjordania – no primeiro nao havia possibilidade de passagem, no atual é uma fronteira, como outra qualquer entre diferentes nacoes.

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