LÉVI-STRAUSS, ALCINO LEITE E PENSE MODA

BororoRituel
o luxo dos Bororo

É engraçado que quando soube da morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, nesse último final de semana, mesmo nunca o conhecendo, parecia que tinha perdido um amigo ou um colega {para não fazer a íntima]. “Tristes Trópicos” teve grande impacto para mim como já escrevi aqui. É inegável que, mesmo sem sabermos, hoje a contemporaneidade dialoga com a maneira como ele orquestrou o pensamento no chamado estruturalismo e todo seu trabalho na identificação do “espírito” do homem, [Nota: estruturalismo vem da noção de estrutura e é entendida como um todo que só pode compreender-se a partir da análise de seus componentes e da função que cumprem dentro do todo. A partir que uma dessas funções muda, muda também a sua totalidade]. Por mais críticas que o estruturalismo veio sofrer depois, e todo o debate e enfrentamento com os existencialistas e os marxistas, o antropólogo francês é um dos meus heróis pela liberdade de encaminhar seu pensamento para longe, no início, das grandes correntes de ideias vigentes em sua época.
Alcino Leite escreveu dois textos interessantíssimos chamados “Lévi-Strauss e o Luxo dos Bororos” e Lévi-Strauss: A Nudez dos Nambiquara” no seu blog Última Moda [Nota: os links dos blogs da Folha só fornecem páginas de certo período e não dos textos específicos, por isso procurem eles na página, estão quase no final]. Os textos descrevem passagens do “Tristes Trópicos” e o encontro de Lévi-Strauss com os ínidos bororos e nambiquaras, no Brasil da década de 30. A discussão – nos textos de Lévi-Strauss – sobre nudez e sexualidade, papéis sociais e gênero na vestimenta podem nos trazer grandes pensatas sobre o Brasil de hoje. O mesmo que discute a legitimidade de usar ou não mini-saia numa universidade (estaremos negando a nudez ancestral ao condenar a universitária?), ou o papel das roupas como definidora da orientação sexual (serão os índios bororos menos machos porque se maquiam e costuram?), ou ainda a necessidade do luxo (que ideia temos de luxo, algo caro? algo exclusivo? algo especial?). Bom, isso são só algumas idéias que o recorte de Alcino sobre o texto de Lévi-Strauss nos propõem. Isso é pensar moda!
Acredito que esse é o papel de pensar moda, pensar ela de forma global, cultural, acima das marcas, dos desfiles e das semanas de moda. Pensar a moda como uma função que faz parte de um todo e se ela muda é por que algo na totalidade também mudou. Se identificarmos uma mudança muito brusca na moda é que algo no mundo mudou e é isso que tem que ser pensado.

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