O PODER DAS ROUPAS

Mideast Sudan Women Trousers
Lubna Hussein e suas calças

No começo do mês passado, no dia 8 de setembro, li uma notícia “curiosa” na Reuters, assinada por Andrew Heavens:

Sudanesa presa por usar calças é libertada

CARTUM – Uma sudanesa que foi presa por usar calças tidas como indecentes foi libertada nesta terça-feira após o sindicato de jornalistas do Sudão pagar uma multa de 200 dólares em nome dela, informou o diretor do sindicato.
Lubna Hussein foi condenada na segunda-feira por indecência, num caso que atraiu a condenação internacional. Ela foi sentenciada a pagar uma multa ou a passar um mês na cadeia, mas foi poupada da pena de 40 chicotadas.
Presa numa festa em Cartum em julho, juntamente com 12 outras mulheres, Hussein tinha dito à Reuters depois da leitura do veredicto que se recusaria a pagar a multa, optando em lugar disso por cumprir a pena de prisão, para contestar a legitimidade da lei.
“Eles acabaram de me procurar na prisão, alguns minutos atrás, e me disseram para ir embora. Não faço ideia do porquê. Não estou contente. Eu disse a minha família e meus amigos para não pagarem a multa,” disse ela à Reuters. “Mas fui libertada.”
Ex-repórter, Hussein estava trabalhando para as Nações Unidas quando foi presa. Ela disse acreditar que houve pressões políticas para sua libertação e para pôr fim a um caso que ganhou destaque e passou a ser visto como teste das normas de decência vigentes no Sudão.

Antes que nosso olhar etnocêntrico acuse o atraso de um “país abandonado no meio da faminta África”, um mês depois no dia 8 de outubro, a BBC Brasil solta uma matéria sobre um fato que aconteceu no País de Gales:

Vândalos atacam ‘travestis’ e descobrem que eram lutadores de vale-tudo
Uma noite de bebedeira e violência terminou mal para dois jovens na cidade costeira de Swansea, no País de Gales.

Dean Jonathan Gardener, 19, e Jason Andrew Fender, 22, atacaram um grupo de homens que passavam na rua vestidos de mulher – para descobrir, pouco depois, que os “supostos travestis” eram lutadores de vale-tudo festejando uma despedida de solteiro.
O episódio, flagrado do início ao fim por uma câmera de circuito interno, foi para no site de vídeos YouTube. Minutos antes, os dois haviam se envolvido em outra briga de rua.
As imagens mostram o que parece ser Gardener e Fendner gabando-se de suas habilidades e relembrando momentos do enfrentamento anterior enquanto caminham pela calçada.
Eles cruzam na rua com os dois homens vestidos de mulher e Gardener resolve abordá-los. Ele peita um deles e depois desfere um soco.
A resposta vem em questão de segundos: um dos lutadores de vale-tudo, em vestido preto e peruca, tenta retribuir a pancada – mas Fendner se coloca entre seu amigo e o rival.
Mas um segundo lutador, que se acerca aos dois pelo outro lado, golpeia com dois diretos certeiros os jovens, que caem na calçada.
Depois que os lutadores partem, as imagens da câmera de circuito interno mostram os dois jovens se levantando e Gardener cambaleando e caindo logo depois. Minutos depois, a polícia prendeu os jovens.
No processo, concluído no início desta semana na corte de Justiça de Swansea, ambos admitiram ter adotado comportamento intimidatório na noite de 30 de agosto.
A defesa argumentou que os réus não tinham intenção de se meter em confusão naquela noite, mas haviam bebido muito além dos limites toleráveis.
Gardener e Fendner foram condenados a quatro meses de trabalho comunitário e receberam uma tarja eletrônica para garantir que durante esse período permanecerão em casa entre as 19h00 e as 07h00.

Países de culturas e religiões diferentes, mesmo distantes travam uma discussão semelhante sobre o status da roupa nas nossas vidas e o código de conduta que nos permite prender ou bater em alguém porque violou, fantasiou, inverteu, fugiu, se libertou dessas regras. Nesses momentos percebemos o papel político das roupas e de como os códigos culturais se dão através delas.

5 Respostas para “O PODER DAS ROUPAS

  1. a roupa é um delimitador ou um apontador de quanto temos no bolso, de quão up-to-date somos e tudo mais sobre status quo, né? falo de grana, música e moda no meu blog hoje. veja lá!

  2. Vitor, casa comigo? hahaha Adoro as reflexões desse blog querido! =)

  3. Vândalos atacam ‘travestis’ e descobrem que eram lutadores de vale-tudo, hahahah adorei

  4. Pingback: A MINI-SAIA E OS UNIVERSITÁRIOS « dus*****infernus

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