O FUNK CARIOCA

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Eu acho o funk carioca uma potência tanto musicalmente como no quesito estilo. Não foi à toa que para o “Moda & Música” fui firme na presença do funk como manifestação fundamental do comportamento jovem, pop e principalmente fashion – o que gerou um episódio dedicado só para o pancadão.
Na moda e no comportamente não digo apenas sobre o alcance da calça da Gang que por si já comprova o que o funk carioca tem a oferecer. Hoje as funkeiras adotaram o visual shortinho curto e o baby look, já os meninos pegaram emprestados o estilo vindo do hip hop com calças e camisas folgadas e bonés. Já o cabelo pode ser descolorido, ideia que veio do grupo Funk N’Lata.
A carga altamente erótica é outra chave assim como os diversos papéis da mulher no funk carioca. Temos desde as que se objetificaram como as frutas da vida até as Mcs como Tati Quebra-Barraco e Deise Tigrona que foram responsáveis e porta-voz da difusão internacional do movimento musical.
Abaixo está um pequeno trecho de uma matéria que escrevi para a falecida revista Beatz ainda sobre o impacto do meu encontro com o funk, em 2003, depois do Tim Festival, no Rio de janeiro:

NA TERRA DE MARLBORO:
Afrika Bambaata encontra a verdadeira música eletrônica brasileira

Prólogo:
No dia 1º de novembro, DJ Marlboro com seus diversos convidados que eu só conhecia dos programas de auditório encerraram o TIM Festival, no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro. A apresentação foi apoteótica por diversos motivos, mas principalmente pela descoberta, para boa parte dos espectadores, da qualidade das mixagens do funk e de uma pulsação fortíssima do grave que fazia vibrar todo o corpo, o chamado pancadão.
Dias depois para conseguir informações sobre uma matéria sobre o verão carioca, ligo pra Marlboro e meio sem saber o porquê começo a rasgar elogios empolgados pela apresentação no festival. Ele não perde tempo e convida: “Porque você não vem aqui na semana que vem? Vou dar uma volta com Afrika Bambaataa pelos bailes funks”.
Demorô, já é!!!

Sábado, dia 15 de novembro –

O primeiro encontro

Feriado, apesar do calor “dus infernus”, o dia estava nublado. Ligo para Marlboro e combino de encontrar com ele na rádio O Dia, onde grava de segunda a sábado, das 16h às 18h, o programa Big Mix para mais de meio milhão de ouvintes. E serão eles as primeiras testemunhas desse encontro histórico do embaixador do funk com o pai do hip hop e do electro.
Éééééééé Big Mix, ô mané!!!

Mané de primeira viagem

Chegando na sede da rádio, sou barrado. Motivo: estava de bermuda. Falo para Luciana, a fotógrafa, ir subindo e tento chantagear o pessoal da portaria. Eles são irredutíveis, mas como me autodenomino de mané, ganho a simpatia deles que indicam um lugar que poderia comprar uma calça bem baratinho: Central do Brasil. Saio correndo com o sol abrindo cada vez mais forte. Em um camelô consigo comprar uma calça de 3 reais da marca Sabotage.
Suado, mas já uniformizado, chego a tempo de ouvir o locutor Ricardo Gama apresentar Afrika como o “homem que está por trás de Marlboro”. O DJ rapidamente e cheio de humor interrompe e diz: “Por trás de mim não porque pega mal, que tal do lado”.
Apesar das brincadeiras, as reverências são mútuas. Bambaataa fala para Marlboro que tem um disco dele que nem o próprio se lembrava que tinha lançado. Ele descreve a capa rosa e a ficha cai: “Caraca, é o Funk Brasil 2!!!”, se surpreende o DJ com um sorriso no rosto.
Muitos ouvintes ligam para a rádio emocionados com a visita ilustre. Mas o programa acaba e eles combinam de trocar vinis e mais tarde ir a algum baile funk. Afrika sai com sua entouragé, mas Marlboro continua na rádio, uma revista francesa quer fazer uma entrevista sobre o funk com ele. Aliás, o interesse da imprensa estrangeira parece ser cada vez mais constante. No dia anterior, a BBC de Londres foi com Marlboro em diversos bailes funks para gravar um especial.

Uma aula sobre o funk

Depois de dar uma entrevista para a revista francesa, finalmente encontro frente a frente com Marlboro. Sempre simpático, fala da importância social do funk para as comunidades mais pobres do Rio e como esse ritmo musical pode tirar a falta de perspectiva dessa população. “Fazendo funk, eles podem ter uma saída além do tráfico ou de um subemprego”, afirma.
Didaticamente, ele me ensina os passos evolutivos do funk. “O baile funk é o primeiro a aceitar a música brasileira assim como James Brown, ska… e ‘Planet Rock’ [o grande hit de Afrika Bambaataa] foi entendido rapidamente nos bailes. Depois, no começo dos anos 80, vem a Miami Bass, de onde a batida grave também é integrada, mas só por volta de 88, 89 que acontece a nacionalização do funk”.
Marlboro explica que é nesse período que começam a ser feitas músicas em português e também os ritmos brasileiros são inseridos no funk. “Perceba como a melodia do ‘Rap da Felicidade’, de Cidinho e Doca e autoria de Kátia e Julinho Rasta (eu só é quero ser feliz / andar tranqüilamente na favela em que nasci) tem a estrutura de um samba enredo. E tem funks com estrutura de forró, folia de reis e axé. O funk é fruto legítimo da miscigenação, um caldeirão musical”, esclarece. E finaliza: “O funk é tão MPB quanto qualquer música feita aqui no país!”.
Ele começa a falar: “Afrika também tem essa noção de misturar tudo porque tem cultura e o preconceito só emburrece…”. Toca o celular!

Interrupção global da aula

Marlboro atende. É Regina Casé. Eles conversam com bastante familiaridade. O DJ diz a ela que está inconformado, pois desde o TIM soube do boato que o funk não estaria no especial da Globo sobre o festival. Regina diz que não foi a Globo mas a organização do festival que decidiu só pelas atrações estrangeiras.
Seja quem for o responsável, realmente foi bem vacilão (começo a me familiarizar com o vocabulário funk) quem não colocou no ar a apresentação mais quente e intensa de um festival, em geral, frio e apático.
Logo mudam de conversa e Marlboro convida Regina para ir na tour com Afrika. Ele diz que vai no complexo do Alemão e ela, do outro lado da linha, parece ficar com receio e ele a tranqüiliza: ”Regina, você está com Marlboro”.
Terminado o telefonema e a conversa quase no elevador, Marlboro fala orgulhoso que Afrika disse para ele que o funk é seu filho mais promissor… seu filho mais importante.

3 Respostas para “O FUNK CARIOCA

  1. ANGEL!! que coisa feia!! a gente não vai ler reKEnta de matéria publicada! queremos os ANGELUS INEDITUS!! vc tá parecendo editora brasileira que faz reKenta de material publicado, cria uma edição especial e coloca para vender pros desavisados!!
    E amanhã tem culto na minha paróquia!! culto ao FALO!!, boralá ou vc vai fashionar??!😉

  2. Mas e aí, foi no baile???
    Eu, como boa mineira roqueira, ex(-)preconceituosa e atual moradora do rj, adooooro ir ao baile! Mas só conheço os bailes da Rocinha, que é uma comunidade super acolhedora, batalhadora e festeira. É a melhor pedida pra domingão depois do trabalho.
    Ainda não fui a nenhum show do Marlboro..

  3. Pingback: A FOTO REVELA « dus*****infernus

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