UNIVERSO A GO GO – A MODA SEGUNDO MARINÊS CALIL

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Marinês na Torre. foto: Fábio Motta

Marinês é uma das personagens mais enigmáticas da noite de São Paulo. Ela ficou muito em evidência no começo dos anos 90 (apesar de vê-la agitando bem na cidade nos 80) quando chegou a dar entrevistas para jornais e televisão sobre sua tese sobre os clubbers que fez para a Antropologia da FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Usp – para quem conhece a Academia sabe que temas que flertam com o que está acontecendo right now e carece da chamada “perspectiva histórica” não são benvindos. Mas isso não parecia uma preocupação de Marinês na época, ela queria retratar o que estava vivendo. Se a tese ficou pronta, não sei…
Ela mesma sumiu durante um tempo e reapareceu anos atrás com uns makes absurdos indo à Torre ou ao Hell’s no Vegas com um carrinho de feira cheio de bolos e fanzines que ela distribui para quem lhe dá na telha. O fanzine: Universo a Go Go.
Nele, Marinês, na parte mais compreensível diz: “Marinês Antunes Calil é artista plástica, Bacharel em Direito e Bacharel em Ciências Sociais. Mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo, escreveu “A Aventura do Estilo – um pequeno estudo dos Fashion Clubs de Dance Music na cidade de São Paulo” e “O Retrato da Nation Disco Club – os neodândis do final dos anos 80’s” e está escrevendo “GOD is fashion – a nova Filosofia da Moda” e “Jantando na Selva”, um livro de etiqueta, e está preparando novo texto de Club Culture, Moda e Estilo, e arte jovem e pós-modernidade, e é autora-redatora do “Universo A GO GO”
Quando disse compreensível, não foi no sentido demeritório. Como Glauber Rocha em seus últimos escritos, trocava a grafia das letras dificultando a leitura (um exemplo clássico do cineasta baiano era que ele escrevia estética assim: Eztetyka), Marinês também se utiliza desse procedimento de escrita misturando também com o francês, inglês e italiano – as línguas da moda.
O fanzine, meio delirante como a moda, traz uma escrita quase indecífravel com críticas de desfiles como: “Osklen faz laá mmmoôóòddée lascée em vérbbéêéè dé rock” ou “Patrícia Viera faz lóoukc de especialista em geomhéetricous e couros…!!!!!!!!!!” ou quando escreve sobre uma antiga coleção de Fause Haten diz: “O ballonné. Ninguém gosta. Todos e todas querem se enfiar na Bomboniére e sair gritando que a roupa é liiiiiinda…….!!!!! bom. Era isso. Saia em éergaaevéée. Parte blusa em casaquito de aabaérvaavêée. Cintos de apertar a alma. Inteira. Ali dentro.”
Sem falar que ela é sempre grata a Maison Chanel e faz também uma espécie de dicionário que chama de COLLEZIONI – Passarelle. Um exemplo:
Domar: ter para ser considerado fora de si
Hegemonia: o nome da posição principal dentro de uma curva de aparição
Vanguarda: um nome de onda que não aparece sem crespos

Essa nonchalance e ao mesmo tempo essa seriedade – através de muitas mitificações da moda – (podemos até pensarmos que é algo pseudo-sério, mas isso é nossa resposta como leitor), faz do fanzine de Marinês um objeto único pois nos coloca em xeque – fashionistas e não fashionistas: Sabemos o que é mito ou não construído pela moda e em relação a ela? E ainda: Sabemos rir de nós mesmos em relação à moda?

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Marinês sabe. foto: Fábio Motta

15 Respostas para “UNIVERSO A GO GO – A MODA SEGUNDO MARINÊS CALIL

  1. Eu me lembro da Marinês e sua “tese”… e como vc mesmo disse, se a tese ficou pronta, ninguém sabe… mas o tempo de Marinês passou, ela teve sua chance. Parece que só restou sua caricatura da irreverência.
    Hoje em dia a academia, tanto no Brasil, como fora, está cheia de teses super consistentes sobre os temas que M.K. gostaria de ter retratado.

    Eu mesmo fiz uma homenagem a moça e a todos os acadêmicos, no personagem do Rui, que fez sua tese sobre Raves e Clubes e seus Ambientes Imersivos no texto A Vingança dos Acadêmicos (2006).
    Nossa cultura (minha e sua, Angel) baseada no destronamento do que achavamos careta, nos anos 70/80, tirou essa turma do seu devido lugar, mas eles, os acadêmicos, estão anos-luz a frente de qualquer pensamento rasteiro e moderninho que colocamos em nossos blogs. Só para citar um exemplo, tem a turma do Planetary Collegium, ligada ao Roy Ascott.
    ;0)

    • dá pra perceber que vc nunca pôs os seus pés, ou melhor, suas rasteirinhas de blog na Academia…
      a turma do planetária é boazinha sim, mas profundidade, baby, só os gregos… fui ( me arrastando)

  2. acabei de me lembrar do Vidal e sua Moto!!
    hahahahahahahhaahah

  3. Marinês Calil, tem um capítulo no livro Na Metrópole, do professor José Guilherme Magnani, um retrato antropológico de um certo período da noite paulistana, caminho posteriormente seguido por Erika Palomino em livro superficial com o mesmo teor. A PUC/ECA/FAU/FFLCH está cheia de boas teses sobre apropriação, recriação do espaço urbano e tecnologia. Vitor Angelo, foi uma pena você abandonar a Academia e isso faz muito tempo, as coisas mudaram.
    Sabe que depois dos gregos apareceu muita gente boa e profunda? Está precisando se reciclar, sai dessa pobreza de pseudointelectual de “ilustrada” e vai fundo nas suas pesquisas sobre moda.

    • Fabio, são realmente essas teses relevantes – no sentido de abrangência? Tenho certeza que não, senão teria chegado até nós mortais que moramos longe do Olimpo de alguma forma. Não é nada de discurso “anti-academicismo’ mas acho que hoje o que vc chama de pobreza de pseudointelectual de “ilustrada” é muito mais abrangente em todos os sentidos, – até para o que era o papel de intelectual – por isso mesmo não é anti-academicismo. E desculpe, quem precisa reciclar não sou eu não, é todo o o pensamento ocidental que até hoje mantem diálogos com os gregos em todas as instâncias. Desculpa, mas isso é meu discurso – imaginado por mim, mas com certeza profundos são os gregos, alguns reciclam o que eles disseram e outros só mudam seus totens, como esse fervor estranho à Academia da sua parte. Paulo Arantes, explica aí ou a misssa é que horas?

  4. olá!

    vendo “persona”, do bergman, hoje, só conseguia me lembrar de você…

    enfim, abraços!

  5. A moda vive um momento acadêmico?

    Angel, hj o estilista Mario Queiroz, me contava do seu livro, resultado do mestrado em comunicação e semiótica da PUC (lembra??!!) com a diva da semiótica e do pós-humano Ana Lucia Santaella e Norval Baitello!!
    Se a moda pega imagina a SPFW toda pós-graduada!! Então até 13 de agosto com o Herói Desmascarado! Já estou preparando meus nudes e cítricos!!!

    See you darling!!
    ;0)

  6. avisa a sobrinha que eu já estou investindo nos cítricos desde o começo do ano, olha a minha balaclava, arrasando de antenada com a tendência!!
    ;0)

  7. Acadêmicos do Salgueiro. Serve?

  8. puxa, será que alguém pode pegar um zine desses com a marinês e enviar aqui pro rio de janeura, fazendo a caridade?

  9. o Penguin do Batman!!! AHHHHH

  10. o pinguim do batman com 2 kilo de padê na napa
    ahhuauhuauh

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