BRÜNO É OU NÃO É UM FILME DE MODA?

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No meio do filme “Brüno”, uma amiga virou pra mim e disse meio indignada: “Isso não é um filme de moda!” Como o fato de um filme ser de moda ou não nunca foi fator imperativo para eu gostar ou não de uma película, não me preocupei muito com a observação. Mas depois do fim da sessão parecia ser fator imperativo pra boa parte dos fashionistas presentes na sessão de pré-estréia do filme aqui em São Paulo: Brüno não era um filme de moda e isso contribuia pro valor qualitativo da película. Já dessa primeira premissa discordo, mas resolvi ensar sobre se le é ou não um filme de moda.
Parei pra pensar um pouco sobre e logo percebi que primeiro era importante entender o que é um filme de moda.
Em geral considera-se um filme de moda aquele que transita pelo mundo da moda, com personagens envolvidos e referentes à esse universo. Se pensarmos nesse sentido, “Brüno” é um filme de moda pois transita nesse universo e tem no principal personagem, um fashionista.

Mas muitos alegarão que o filme não se passa só no mundo da moda, e que toca em outros assuntos como a homossexualidade e o preconceito que são centrais no filme. Visto dessa maneira Brüno não é um filme de moda. Caminhando nesse mesmo terreno podemos arriscar dizer também que um filme como “O Diabo Veste Prada” também não é um filme de moda, pois a questão principal do filme não é a moda e sim as relações humanas dentro de um mercado altamente competitivo e autoritário ou o equilíbrio, os efeitos e a impossibilidade de tentar separar relações privadas (a secretária Andy com seus amigos e namorado) com as relações públicas ( a secretária Andy com sua chefe). Essas questões estão acima da moda apresentada no filme, que assim como em “Brüno” tem um papel mais figurativo.
Mas se pensarmos um pouco mais a fundo nessa pergunta, percebemos que muito em “Brüno”, assim como também em “Prêt-à-Porter”, de Robert Altman [e quem sabe no “Diabo”], as questões importantes ao mundo da moda são evidenciadas, pois na moda tratamos daquilo que é visível e elas estão presentes de maneira forte e até pertuboradora.
Começamos com o mundo das aparências, fundamental para os jogos de fantasia e identidade na moda. Ele se demonstra em sua totalidade quando Brüno quer se tornar um heterossexual, suas mudanças são sentidas através da roupa. No iníco, seus looks únicos beiram o absurdo, uma histeria de fashionista. E é um desses absurdos de fashion victim – a roupa de velcro – que o leva a ruína no começo do filme, sem falar que dizem muito de como a moda entende a individualidade. E que deliciosa a observação indignada de Brüno: “D&G hello” quando um militar, já nas sequências de “conversão a hétero”, pergunta que cinto é esse [atire a primeira pedra o fashionista que nunca fez isso]. O filme é todo sobre aparência e esse é um tema central da moda, um tema quase seu por excelência.
O sistema moda está explícito em sua vontade de ser o que é de mais atual, o que é hoje e agora. Essa atitude é uma das forças da moda. E é assim que a moda se comporta para o bem e para o mal. No filme, assim como muitos fashionistas, Brüno leva essa máxima em suas últimas consequências, quase em desvario, não importa o que seja: ajudar crianças famintas na África ou selar a paz entre israelenses e palestinos. O importante é ser up-to-date, mesmo sem a menor consistência do que está fazendo. A onda do desvario histérico das eco-bags aqui no Brasil me ressoou na hora, assim como adoções de crianças carentes e sua exposição mediática. Voltamos ao mundo das aparências!
Isso tudo tem muito do mundo da moda e muito das pessoas que nos cercam e até de nós mesmos, então como Brüno não é um filme de moda? Ele é um filme profundo sobre a moda também. Cruel muitas vezes, irônico, com alguns momentos pretensamente chocantes, ele é um retrato, um espelho no qual parecemos bem mais gordo do que queríamos.
bruno1

5 Respostas para “BRÜNO É OU NÃO É UM FILME DE MODA?

  1. Muito legal a observação sobre o filme… Não sei porque as pessoas acham que filme de moda tem quer ser ou ter carater de documentário… Tô doido pra ver, hauahuahau!!!! Acho o Sasha genial, apesar de apelativo. Só a campanha de marketing em cima do filme, as entrevistas dadas em inglês com sotaque austríaco (mesmo as escritas) já valem o filme!!!

  2. “D&G hello” HAHAHAHAHAHAHAH,

    Muito boa essa cena, pena que no congo, quer dizer, Brasil o filme só vem no final de agosto.

    torrent? yes we can…

  3. A era do FASHION ADDICTION

    Hi-Lo darling!!!

    Fashion victim???!!!! Isso é tão anos 90!!! As pessoas agora são FASHION ADDICT!
    O universo da moda se tornou tão poderoso e penetrou de tal maneira no cotidiano das pessoas, que mesmo sem elas terem o poder de consumir os objetos que ele apresenta, criou uma legião de viciados no tema e nas informações provenientes da área!

    Não é atoa que Leona ama Jackie O, Laila Dominique é chic de doer… ou o experiente MM, em processo de desintoxicação, passou a tratar o tema como algo secundário.

    Em passadinha rápida pelo Harvey Nichols, encontrei Lourdes Maria e Julinha Roitfeld (uma querida!!!). Mandam mil beijos e dizem querer encontrar contigo em SP, pra tocar o terror na Baixa Augusta, antes que entre em decadência!

    Pra não dizer que não falei de Sasha, ele é um dos resultados da fashion hangover, que abala o mundo!

    Bjs!
    Nu.Cool

  4. filme de moda ou não, to doida pra ver porque adoro! tem uns vídeos do programa do Brüno no youtube que são de chorar!!!!

    bjs

  5. E isso é importante?

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