BALANÇO SPFW VERÃO 2010 – PARTE 2

É sempre bom contextualizar. Sempre me irritou ou me incomodou e depois achei super mistificação [um exercício old fashionista por excelência], indicar tendências (será ainda uma palavra justa de usar?) como:
1) uma moda certa que irá pegar e que você tem que seguir;
2) não tentar compreender quais os sinais que aquelas “tendências” apontam.
Falar que agora é nude, ou que a cintura alta continua em alta pouco revela ou quase nada diz sobre a complexa rede e sistemas que a moda dialoga.
Sendo assim, sempre tentei evitar comentar tendências de uma temporada por total falta de cultura de minha parte, mas dessa vez, tentei me arriscar e fiz um texto para o Metrojornal sobre os rumos [palavra que Gloria Kalil usou com propriedade para substituir tendência em seu último editorial sobre o SPFW e que já adotei] do verão 2010
neon capa 2
Aqui está o abre da matéria que fiquei satisfeito por conseguir fechar certas idéias:
Como já tinham previsto há algum tempo atrás a editora de moda Regina Guerreiro e o diretor artístico do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, não faz mais sentido falar em tendência. São tantas as apostas nas passarelas e se atira para tudo quanto é lado que, como bem definou outra poderosa editora, Gloria Kalil, o certo é falarmos em rumos. E rumamos na moda – e no mundo também – para um novo sexy . Depois dos anos “pornô chic” de Tom Ford, na passagem do milênio, parecia que demoraríamos algum tempo para que o sexo estivesse em alta [PS: É importante contextualizar historicamente o sexo na moda e o incrível texto de Marco Sabino chamado “Moda Tarada”, feito em 2000/2001 é um ótimo ponto de referência] . Mas nada como tempos mais bicudos para que a sensualidade quase picante volte, afinal sexo vende, e muito! Não à toa, uma marca sempre muito bem comportada como a Balmain, causou frisson na última temporada de inverno parisiense propondo comprimentos de saias mínimos, dignos das garotas que praticam a profissão mais antiga do mundo. Mas no Brasil, durante a temporada de verão 2010, o exercício dos estilistas sobre o sexy foi mais elegante e menos explícito. A sensualidade aparece em certas dissimulações da nudez como a cor nude, as transparências e os vazados das peças. Claro que quando Malana passou com seu triquini fio dental no desfile da Neon, com sua derriere de fora, a geral foi ao delírio.
Mas tirando o corpão, nada é muito ostentatório na temporada, até porque vivemos um tempo (de crise?) que isso não faz o menor sentido. Por isso até mesmo o brilho, como os metalizados, que apareceram nas coleções do SPFW, é mais opaco. E como é um momento de não chamar muita atenção, o jeans delavê, mais clarinho, brilha nas passarelas pela sua força discreta.
Sem falar que começamos uma era do drapeado, a técnica usado pelos clássicos da moda para fazer uma espécie de franzido na roupa, nos remete aos gregos e à ordem que tanto esperamos depois dos momentos turbulentos que o mundo está vivendo.
Já no terreno masculino, essa volta aos valores clássicos começa a se tornar presente também, com a releitura da alfaiataria e de sua peça maior: o terno.
Enfim, se por um lado caminhamos para uma revalorização dos clássicos da moda, por outro, 2010 promete ser bem mais periguety com as meninas batendo cabelo com muito mais sensualidade.

2 Respostas para “BALANÇO SPFW VERÃO 2010 – PARTE 2

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