COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO 28/06/2009

A parada foi sinistra, diriam os cariocas, se a 13ª Parada do Orgulho LGBT tivesse sido na cidade maravilhosa. 15 dias depois daquela que é considerada a maior manifestação homossexual do mundo, só posso dizer que tenho mais vergonha do que orgulho.
Pessoas que foram assistir o evento quase ficaram esmagadas perto do Masp. O cozinheiro Marcelo Campos Barros, 35 anos, morreu depois de ser espancado em plena Frei Caneca, que muitos querem batizá-la como rua gay. Mais tarde, uma bomba caseira explodiu em plena Vieira de Carvalho com Vitória, um lugar muito mais gay que a Frei Caneca, deixando dezenas de feridos. A polícia até agora não prendeu ninguém.
Mas pior que falhas no policiamento e na organização, é o cativeiro que os viados estão construíndo para si mesmo. Primeiro ao retirar os trios elétricos das boates gays para dar um viés mais militante, a parada se tornou menos feliz. Não percebeu que na vida gay, as boates tem sim grande papel político. Mas mais obtuso que isso foram os camarotes na Paulista que as supostas finas pagaram para se sentirem protegidas da turba. Isolaram-se da população de uma cidade com pouco lazer e vê na parada uma oportunidade de ser menos excluído da diversão – e que sem eles nós não teríamos a maior catwalk gay do mundo. Ouvi muitas bichas falarem que agora a parada perdeu o sentido, que só tem gente feia, pobre, “maloqueiros”. E trataram essas pessoas com a mesma intolerância que juram lutar contra. Tá boa?!

Errata: O cozinheiro Marcelo Campos Barros foi morto na rua Araújo.

PS: A militância está furiosa, acha que eu desmoralizei a Parada e que fui nefasto ao errar o nome da rua do assassinato, da Araújo para a Frei Caneca, mas isso de forma alguma diminui a minha verdadeira crítica que é dirigida aos policiais que não prenderam ninguém e que, suspeito, tem toda cara de ser crime de ódio. E só aconteceu pela visibilidade da Parada. Me parece uma resposta de algum grupo talvez, e para amedrontar ainda mais os que sairam na rua, assim como a bomba caseira que explodiu no Largo do Arouche, tudo na mesma noite e locais de trânsito de quem estava no evento.

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Marcelo Campos Barros foto de Luci Felipe

5 Respostas para “COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO 28/06/2009

  1. Creio que é muito positivo que uma manifestaçao pelos direitos, de qualquer tipo de cidadoes, seja caracterizada pela festa, pela alegria e a celebraçao. Mas é um problema quando uma manifestaçao como as paradas gays de todo o mundo substituem o carater reinvindicativo que as originaram pela mera festa , isto sim pode fazer com que perdam seu sentido.
    Entendo que os coletivos, associaçoes e até mesmo o Estado comemorem o aumento espetacular no numero de participantes cada vez maior na parada gay de sampa, mas se queremos que este numero seja representativo de algo também temos que cuidar de que nao se perca a dimençao da manifestaçao e reinvindicaçao publica. Porque os homossexuais, lesbianas e transexuais siguem em condiçoes precárias no nosso país, exceto uns poucos que tem muito dinheiro e por qualquer crime poderiam ser perdoados, ou outros poucos que vivemos em ilhas de fantasías existentes em poucos grandes centro urbanos.
    Por outro lado muito triste que uma pessoa perca a vida nas condiçoes que enfrentou Marcelo Campos Barros, só este fato, sem necessidade de sitar aqui tantos outros absurdos que siguem ocorrendo, já nos serve de arguento de que a luta pelos direitos hossexuais continua na pauta do dia, ainda nao conquistamos quase nada, sem esquecer que dentro do proprio coletivo gay seguimos marginalizando a bicha/sapa que esta ao lado, seja por ser magr@, pobre, fei@, pasiv@, negr@, enferm@, do arouche ou dos jardins.

  2. Prezado Vítor (quando eu começo assim, já sabe…)

    Concordo parcialmente com o que disseste. Vamos lá:
    1) Realmente, a Parada, no ano de 2009, TEM QUE ser mais política. Fizemos Parada por causa de Stonewall, mas só chegamos perto disso nas 1ªs.

    2) 3,5 milhões de pessoas vão para a Micareta. Quem vai fazer protesto mesmo são 300 mil. E quem já caminhou na Parada sabe a quantidade de héteros que tem no meio, atacando lésbicas. Ou seja, não tem 3,5 milhões de gays lá. A imensa maioria é hétero que vai prá festa a céu aberto. Mas estamos indo festejar o quê? As leis que nunca saem? As pessoas que agora morrem inclusive na Parada? Não temos NADA para festejar. Os protestos tem que ser PROTESTOS e não FESTA.

    3) Quem tá afim de protestar deveria fazer Parada, um dia bom? QUARTA-FEIRA, onde? EM BRASÍLIA. É lá que os avanços irão acontecer e é lá onde as leis serão promulgadas.

    4) E por fim, temos que ser menos Ivete Sangalo e mais Chico Buarque em Tanto Mar. Quando daremos início a Revolução dos Cravos?

  3. O movimento gay é uma tremenda piada pronta. De mau gosto.

  4. Absurdo o que aconteceu a esse rapaz, por essas e outras que eu não vou mais nessa micareta, quer dizer, parada gay.

  5. O mais lúcido – e que devia ter começado antes, claro – é descentralizar a Parada. Eventos como os de véspera no Anhangabaú e Arouche tem ficado mais cheios e seria muito positivo se rolassem nos 4 dias de feriado, durante dia e noite, mais parecido com a Virada Cultural e com a Parada Gay de Madrid (Salve Barajas! rs).

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