O SAMPLER E A CÓPIA

É, eu sei, você vai dizer, lá vem esse assunto dus infernus de novo… Mas dê uma olhada nesses dois clipes.

Você acha que Madonna copiou o ABBA?
Estudando o hip hop para uns roteiros que estou terminando, me deparo com a questão do sampler e toda a discussão que “Planet Rock” gerou por samplear uma música importante e conhecida dos alemães do Kraftwerk, a “Trans Europe Express”.

A discussão é antiga na música e já foi resolvida – nada como o dinheiro. Hoje ninguém acha ou aponta um sampler como algo menor ou cópia. Até aliás tem seu charme samplear algo obscuro ou que na época era alternativo e só poucos conheciam.
Mas e o que a moda tem com isso? A questão da cópia é central na moda, apenas isso. E o que seria samplear em moda? Coloco essas questões para pensarmos juntos.

afrikaa-bambaataa
Afrika Bambaataa, o cara que deu um sentido nobre para a palavra cópia.

12 Respostas para “O SAMPLER E A CÓPIA

  1. Bem, vamos deixar claro primeiramente uma coisa: sampler é um trecho de uma música, ( pode seruam frase, um grito ou um beat,não um remix ou versão ou algo do tipo.
    Posto isso vamos refletir.

    • Mas é importante dizer que em geral, como no caso do Kraftwerk edo Planet Rock é a base da música, aquilo que a sustenta ou o seu refrão mais famoso.
      Por que, por exemplo, quando a Salinas no seu verão 2007 aparece com um chapéu de penas muito semelhante ao da Prada numa temporada passada, a gente fala que copiou e não sampliou, já que é só um pedaço de um look?
      A se pensar…

  2. Ai que difícil… Seria o sampler na moda um estilo/estética/conceito? Por exemplo, seria o New Look – não o look em si, mas a estética e seu conceito – um sampler da moda? Porque quando a gente fala que uma coleção foi super YSL, por exemplo, não significa necessariamente que houve uma cópia de alguma peça da própria YSL, não? Ou seria algo mais concreto/material? Ou os dois… Ai não sei, preciso pensar mais sobre o assunto…

    • Mas em geral Luigi, quando a gente fala que uma coleção foi super YSL é QUASE sempre depreciativo, o que não é o caso do sampler hoje.
      Na realidade só não depreciativo e sim elogioso quando por exemplo a gente fala que foi super YSL para o próprio Stefano Pilati faz a sua coleção pra YSL .
      O Balenciaga nessa temporada fez algo YSL, então se usa perfume, referência para falar de maneira positiva. Será o “perfume”, o sampler da moda. Não tenho certeza ainda…
      Vamos pensando, pois eu não tenho a resposta, mas acho que podemos chegar numa.

      • Entendi, e concordo com você. Mas a essência da referência/perfume, do sampler, não é sempre a mesma, e agente que enxerga de forma positiva ou negativa? Ou seja, toda referência pode ser entendida como um sampler ou só as que dão certo e não caem no que entendemos como cópia?
        Estou perguntando tudo isso porque também ainda não tenho resposta! rs

  3. Interessante toda esta reflexão.
    Talvez o sampler fosse um ponto de partida de uma peça ou coleção , não seria uma referência, mas sim um desdobramento,explico melhor:
    o estilista parte de uma silhueta classica, o newlook por exemplo, e a partir deste ponto evolui dentro do seu próprio estilo , criando uma proposta pessoal, ou seja, ele partiria da silhueta clássica citada e mostraria seu ponto de vista, uma evolução, criando algo pessoal, assim como é na musica, um sampler é usado como algo que mostra uma referência, uma homenagem, mais resulta numa música própria e com um ponto de vista pessoal e autoral, seráque estamos no caminho?

  4. ANGEL, sabe qual o seu problema? Sabe por que vc não decola no mundo da moda?
    Porque vc serve a 2 senhores, 1- a sua inteligência e 2- a futilidade da moda. Não que a futilidade seja como um todo algo ruim, mas existem coisas que afrontam a inteligência de qualquer ser com o mínimo de racionalidade.
    A moda é muito rígida em relação aos seus discípulos e exige uma entrega total e incondicional, só assim recompensará de forma primorosa seus pupilos. Para se tornar uma Prata ou Petit da vida, vc tem que fazer vista grossa para determinados temas.
    ;0)

  5. Bom, temos duas questões: a possibildiade da referência como sendo o sampler da moda e o desdobramento da referência como sampler de uma criação.
    mas como algo que é uma cópia de um trecho ou base de uma música, o que chamamos de sampler conseguiu mesmo sendo cópia ser considerada uma novidade? porque o sampler está presente físicamente na nova música, temos clareza que aquele trecho é cópia de outra música, a base ou o refrão. mas se isso acontece na moda não temos, percebemos algo explícito – como o caso do sampler na música- não temos dúvidas de chamá-la de cópia.
    qual será o emcanismo que a música consegue realizar que não acontece na moda – ou ainda não acontece.

  6. Bem,não podemos esquecer tb que existe na música a queatão da nomenclatura que foi cunhada pela mídia especializada né , podemos até imaginar que se uma editora bombada de moda falasse por exemplo que Mc Queen sampleou Doir e YSL no seu úlitmo desfile ( os dos piles de coq gigantes e boca Ligh Bowery) talvez virasse algo aceitável pelo resto do mundo como um tipo de citação e não cópia.
    além de ser usado como nomenclatura usual apartir daquelemomento tb.
    Algo bem possivel de acontecer né.

  7. To amando essa discussão. Mas vamos lá. Eu estava aqui pensando em algumas coisas aqui. Uma delas é o sampler ser de fato uma cópia e agente aceitar como não cópia por uma imposição do sistema e indústria cultural, mas acho que isso pode ser viagem minha…

    A outra é que a agente entende o sampler como uma não cópia porque em cima dele vem algo diferente e novo do original e na moda isso não acontecer por uma simples limitação criativa do meio. É que as possibilidades de fazer algo novo, ou com cara de novo, na música são muito mais amplas do que na moda, onde ninguém consegue inventar uma nova mini-saia, por exemplo (to sendo meio simplista nesse exemplo)… Talvez esse mecanismo que a música usa seja justamente essa liberdade ou possibilidades maiores para criar em cima de uma base já existente, que na moda é mais complicado, ou a “criação” não se difere tanto do original. Estou viajando muito?

  8. Dani e Luigi, desculpa a demora, mas acaba que às vezes quero pensar melhor e fico sem tempo. Mas vamos continuar. esse lance da nomenclatura acho que pode ser um caminho também, mas acho também que é uma questão de olhar. Olhamos como cópia na moda, aquilo que poderia ser sampler como o exemplo do chapéu da Salinas de penas que fazia referência ou imitava a Prada. Talvez seja sampler, ams preferimos falar em cópia.
    Agora o que o Luigi fala tem relação com o fato de a moda ser mais comercial ou mais limitada em seus meios que a música. Não sei, vou pensar melhor…

  9. A tia Madge fez um pedido ultra oficial para os integrantes do ABBA e eles, que só tinham permitido samplear uma outra música deles para o Fugees, permitiram mais uma vez que a musica deles fosse utilizida
    Aqui, ó:
    http://news.bbc.co.uk/1/hi/entertainment/music/4354028.stm

    Sei que a discussão não é sobre isso, mas de alguma forma achei que ajudaria

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