AMIR SLAMA SAI DA ROSA CHÁ E A HISTERIA DO JORNALISMO DE MODA

Hoje bem cedo, aliás na madrugada de ontem li na coluna de Alcino Leite e Vivian Whiteman – a Última Moda – que Amir Slama está fora da Rosa Chá. Exatamente nesse momentos, como eu, blogues e sites devem estar correndo para anunciar a notícia, tentando quem sabe, seguir o furo da Folha, até porque deve ter chegado às redações o mesmo comunicado que recebi por e-mail da PRCom:

“AMIR SLAMA DEIXA ROSA CHÁ E INDICA ALEXANDRE HERCHCOVITCH PARA ASSUMIR ESTILO DA MARCA
O estilista Amir Slama deixa a Rosa Chá após 17 anos à frente da marca que criou.

Disposto a novos desafios, Amir sugeriu quem o sucederá no comando do departamento de estilo: Alexandre Herchcovitch, também um dos mais reconhecidos talento da moda brasileira, e, assim como Amir, com destaque internacional. Giuliano Donini, presidente da Marisol S.A, aceitou a sugestão de Slama e fechou com Alexandre Herchcovitch para assumir o estilo da Rosa Chá a partir da coleção Inverno 2010.
Amir, que ainda assina a próxima coleção Verão 2009/2010, sugeriu Alexandre por já conhecer seu trabalho e terem afinidades e reconhecerem o estilo um do outro. Os dois estilistas trabalharam conjuntamente em algumas ocasiões, quando a Rosa Chá fez biquínis e maiôs desenhados por Alexandre para sua marca e também para figurinos de teatro. A partir destas experiências, Amir viu que é possível manter o DNA da grife com outro criador à frente, e escolheu Herchcovitch, nome acolhido pela Marisol S.A.”.

E exatamente com essa mesma foto com pedidos de crédito para Maihara Marjorie:

download

Fico um pouco impaciente – e entediado – pois já sei que além de um texto com bases nessa informação, vamos ter ao longo do dia nos diversos sites e blogues uma repercussão do ocorrido com os fashionistas, talvez um álbum ilustrado com as principais imagens e tendências criadas pela Rosa Chá sob o comando de Amir Slama, algum depoimento de Alexandre…
A necessidade do furo jornalístico é talvez algo de mais deja vu que existe no jornalismo na era da internet, mas ele permanece mítico muito por insistência dos leitores. Claro que a notícia já estava no ar, ela foi guardada e reservada e finalmente “vendida” com exclusividade para a Folha, devido ao papel e a importância indiscutível do jornal, que ainda se alimenta do mito do furo. Lá, na Folha, se acredita – ou finge acreditar – assim como sua audiência, na importância de dar a notícia antes, mas com uma pequena exceção – o que faz de Alcino e Vivian leitura obrigatória -, mais do que mostrar o ocorrido, eles desenvolvem a pauta e deixam brechas para desenvolver pensamentos importantes, muito mais importantes que o furo em si:

“… é o segundo estilista de prestígio que, em menos de um mês, se desliga da própria marca que criou, após vendê-la para um grande grupo de moda. Em abril, Tufi Duek afastou-se da empresa catarinense AMC Têxtil, atual dona das grifes Forum, Triton e Forum by Tufi Duek”.

“A Folha apurou que, porém, divergências crescentes entre a Marisol e Slama pesaram na decisão. Uma suposta redução de vendas no atacado, nos últimos meses, teria sido a gota d’água. A Marisol desmente a queda nas vendas”.

Serão essas reflexões mais importantes que o tal furo? Claro que sim, mas quem vai mexer nesse vespeiro? São tantos compromissos, não? Melhor procurar outro furo para alimentar a histeria…

26 Respostas para “AMIR SLAMA SAI DA ROSA CHÁ E A HISTERIA DO JORNALISMO DE MODA

  1. quero ver os look com o herchcovitch na rosa chá… além de manter o topo, vai dar cara nova e moderna pra marca! entendo que os caras querem ganhar dinheiro vendendo a própria marca, quem quer julgar a vida dessas pessoas? eles provavelmente sabem o que estão fazendo… (além de polemizar, é claro!)

  2. Vitor,

    Furo pode ser entendido de duas maneiras, pelo menos. Uma é dar antes algo que todos necessariamente vão saber. Essa modalidade de fato tende a perder importância, mesmo porque fica impossível estabelecer quem publicou em primeiro lugar.

    A segunda modalidade é descobrir algo (e publicar, claro) antes dos outros. Esse tipo de furo não perde importância. Pelo contrário, é cada vez mais valorizado. Ou deveria ser, afinal de contas hoje em dia todo mundo pode publicar o que quiser, como quiser — mas raramente vai atrás de informações relevantes e originais.

    Agora, é claro que você pode argumentar que escrever “A Folha apurou” pode ser um exagero, afinal de c0ntas o que tudo indica é que o jornal teve acesso à informação antes dos outros, e só isso. Não apurou nada, foi tudo entregue de bandeja pela assessoria de imprensa.

    Tudo isso para dizer que eu discordo que o furo seja um mito ou tenha perdido a importância. Pelo contrário. Quanto mais as pessoas (jornalistas profissionais ou não) buscassem informações originais ou relevantes, mais bem servidos estaríamos todos nós, afinal também somos leitores.

    • Serginho,
      pois bem, a qualidade da informação, mais do que da notícia raramente se encontra no furo desde sempre. Cada vez mais, pela velocidade e o imediatismo da notícia, muito de sua qualidade vem após mesmo no famoso caso da queda de Nixon, talvez um dos casos de “furo” mais interessantes da história do jornalismo pré-internet. Hoje com a internet sim, ele é um mito ainda, mas seu valor se espatifou pois fica difícil de saber quem deu a notícia primeiro se não houver um acordo – por isso as negociações de segurar a notícia entre fontes e assessorias e jornalistas.
      Continuo achando que o mais importante hoje não é o furo, mas uma boa apuração e acima de tudo uma boa reflexão sobre o fato, isso faz o diferencial, isso que acrescenta realmente a novidade. para os leitores.

  3. Nossa, a moda internacional deve ter estremecido. Acho tudo isso uma falta de assunto…

  4. Pingback: OFICINA DE ESTILO: MODA PRA VIDA REAL » Blog Archive » alexandre herchcovitch na rosa chá

  5. muito bem colocado, dear vitor! as grandes questões ficam à deriva. o vespeiro segue intacto.

  6. Parece que acabou o marasmo nos blogs da ROPAS até a SPFW!! Ufa, Michelle sai um pouco de cena….
    ;0)

  7. fora a notícia e o furo, pro consumidor final tem efeito, não tem? o produto vai ser oferecido de maneira diferente – em forma, em idéia, sei lá. to esperando pra ver essa parte com entusiasmo meeeesmo, porque até agora quase tudo que o herchcovitch faz é muito muito legal. não tem porque não ser com moda praia (mesmo a experiência de se conhecer essa parte do trabalho dele, né?). AMIGO TO COM UMA SAUDADE DE VC!

    • estou adorando essa nossa conversa:
      bom: discordo de vc totalmente: primeiro Herchcovitch foi escolhido pelo próprio Slama e acredito que simbolos de seu universo – como a caveira ou o latex – não irão entrar na Rosa Chá, do mesmo modo que aconteceu com a Cori – primeiro pra respeitar o histórico – ou o chavão DNA – da marca. E segundo por respeito ao próprio Amir que Alexandre é amigo e parceiro político na Abest.
      Sinceramente , acho que Herchcovitch será mais um testa de ferro… posso estar bem enganado, mas como as entrelinhas da matéria do Alcino deixou a entender, precisavam de um nome forte pra encabeçar a marca, mais por marketing, pois por eles a própria equipe de estilo daria conta do produto e do recado. Mas a publicidade…

  8. Essa “bomba” apareceu tantas vezes no meu twitter que eu senti vontade de dar unfollow em metade dos twitteiros fashion que sigo.

  9. também acho, esse lance de furo me dá preguiça – mesmo tendo feito faculdade e ter issomartelado. e outra, acho moda praia tão estranho ao universo AH… mas vai que dá certo né?

    bjs

  10. Vitor, querido, adorei o post. Falei coisa parecida na época da saída do Tufi das suas marcas. Mas você está coberto de razão, a gente sofre de um imediatismo que não faz nada além de reiterar o senso comum. É o fato em si e mais nada, as reflexões que poderiam levar um conhecimento de fato, algo mais importante fica lá quietinho, com vespiro intacto.

  11. mas vitor, tinha MUITO de herchcovitch nas coleções da cori – mesmo nas peças que não eram criadas por ele diretamente ou por alguém da euqipe dele. a gnte via as referências da “consultoria” dada por ele até nas peças mais basiconas, feitas pela equipe da própria cori (orientada por ele). ainda acho que vai ser moda-praia-versão-herchcovitch e ainda quero muito ver pornto – mas eu sou poliana e (quase) sempre espero o melhor, tadinha. tem esse ano inteiro ainda até a gente ver se é pro bem ou pro mal essa troca de estilistas, né? AMIGO EU TE ADORO! TO ADORANDO FAZER MSN NOS COMENTÁRIOS!😉

    • então Fernanda, volto a discordar. MUITO não tinha não, muito é ter caveira, latex, correntes etc,etc, símbolos que são a cara dele. Vc pode dizer que tinha muito de Neon na Cori, mas o Herchcovitch sabia bem o seu limite. Como do mesmo jeito não tinha MUITO de Herchcovitch na Zoomp. Claro existe a pessoa, é impossível ela ficar invisível, mas suapersonalidade era bem adocicada e chegava a momentos de impercepção. Ele sempre respeita o histórico da marca. Acho válido ser Poliana, não sou contra, mas a própria leitura do texto de Alcino diz: “Amorim conta que, inicialmente, a Marisol pensou em trabalhar com uma equipe interna da Rosa Chá. ‘Mas depois concluímos que a marca perderia muito sem um estilista autoral. Ficamos felizes com a indicação de Alexandre’, afirma”. Bom vamos lá: o que eles perderiam? Com certeza não é a questão autoral, pois essa mesma questão é a identificada, por debaixo dos panos, como a causa da saída de Slama, já que sua suposta autorialidade reduziu as vendas da marca, segundo as informações em off do texto que são as que mais interessam. Claro que é uma questão de marketing, ter um nome forte na frente, indicado pelo próprio Amir pra não repetirem o erro midiático Sommer-Thais Losso. Isso não me anima e acho uma visão ingênua achar que isso causará algum impacto na moda brasileira. Como sempre é esperar pra ver assim como foi o caso da marca 171 e todo um fast fashion que não deu em nada. Só em truque… É preciso estar atento e forte. Bjs.

  12. eu também acho que tem mais de neon na cori do que tinha de alexandre, mas tinha, vitor. a gente viu muito de perto as duas últimas coleções e tinha sim. e eu não acho que “o alexandre na rosa chá” vai ter impacto na moda brasileira, eu acho que os grupos e as compras e as trocas e saídas podem sim ter (não já tão tendo? já não tem gente – alguém – ganhando com isso?). e eu super to me permitindo ser ingênua porque nao sou jornalista de moda nem crítica nem ninguém na noite (fato), to mais interessada no produto como consumidora e como profissional de imagem – a hora de comprar (ou não) é a que me pega, vc sabe. e tanto faz (pra mim, pessoalmente) se teve info implícita no texto, se autoralidade faz vender menos e tals. o post foi escrito em primeira pessoa, eu continuo fã-tiete do trabalho do herchcovitch e continuo doida pra ver o que pode ir pra loja. torcendo pra versão poliana ganhar a vida real.😉
    E VAMOS PARAR QUE O POVO VAI ACHAR QUE A GENTE TÁ BRIGANDO!

  13. (e eu te amo e respeito e to aprendendo a refinar o pensamento e o olhar com vc todo dia – e agora também nos comentários!)

  14. TUDO BEM ME CONVENCEU. AGORA ESCREVE ISSO TUDO QUE VC ME DISSE NO TELEFONE QUE TODO MUNDO MERECE SABER TAMBÉM. SÉRIO, POSTA ESSA CONVERSA.

  15. Sensacional a análise da questão do furo em dias de web.

    Sobre a mudança em si, é como você disse mesmo: AH deverá ser só um ‘laranja’ da coisa toda. E não acho mesmo que só porque alguém é EXCELENTE editor, é consequentemente ÓTIMO repórter/cronista. Portanto, não é porque o cara manda bem em seu nicho de moda que arrebentará num outro – é muito ingênuo pensar assim, né mesmo?

    Mas vamos esperar para ver, torcendo por coisa boa ;¬]

  16. Caraca,parece que fui o ultimo a saber…e pra falar a verdade,achei só mais uma nota…aliás,o cenario fashion ta super dança das cadeiras ultimamente,hein??? é muita informação de RH pra mim ….hahhahahah

  17. Acho que essas mudanças também são ótimas pra provar que a moda é muito mais do que criação, é bem negócio, interesses financeiros e buscas pelo lucro. Não que isso seja ruim.. acho que faz falta.

  18. AINH, FIA! A BOMBA/FURO QUE ME MATARIA, ME COLOCARIA DE QUATRO E ME FARIA GEMER, SERIA: LOJAS MARISA CONTRATA HERCHCOVITCH E COLOCA LATEX E CAVEIRAS NO GUARDA ROUPAS DA MULHER BRASILEIRA. EM TEMPO, SOU DÁ ÉPOCA, QUE DAR FURO ERA COISA QUE NÃO SE PUBLICAVA. BEYJAS SAUDOSAS E FLUOXETINADAS!

  19. Vitor,
    vc tá certo, falar de “furo jornalístico” é coragem!

    Enfim, desde aquele seu post sobre “uniformes”, toda vez que vejo matéria falando disso, eu lembro de ti. Neste fim de semana, eu vi uma matéria sobre os carregadores da rodoviária de Brasília. Agora eles não podem mais ter bigode! Veja isso! Fizeram uma assembléia e acharam que bigode e barba é “acessório” que demonstra falta de higiene.

  20. Pingback: AINDA SOBRE AMIR SLAMA… « dus*****infernus

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