O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

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Penso com interesse na exposição “Muse: Embodying Moda” que acontecerá entre 6 de maio e 9 de agosto desse ano no Costume Institute of The Metropolitan Museum of Art. Leio que a exposição irá “explorar a relação recíproca entre a alta moda e a evolução dos ideais de beleza, e incidirá sobre as icônicas modelos do século 20 e seus papéis na projeção e, por vezes, inspiração na moda das respectivas épocas”. Mas muito mais que os ideais de beleza, não consigo parar de pensar na relação amorosa entre os criadores e suas musas. E, com certeza, o papel das modelos como musas dos estilistas faz parte talvez da relação mais intensa e rica do mundo da moda.
E quando falo de amor, não estou sendo metafórico. Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ao construir, ou melhor, evidenciar a creolina, ele usa uma vendedora da mesma loja que trabalhava para demonstrar sua criação. Marie Vernet é considerada por muitos a primeira modelo da história e não à toa acabaria por se tornar sua esposa.
Um pouco mais tarde Paul Poiret tem em sua mulher Denise, a sua musa e modelo de suas idéias de uma nova mulher. O estilista declarou: “Minha mulher é a inspiração para todas as minhas criações, ela é a expressão de todos os meus ideais”.
Coco Chanel teve entre suas preferidas a modelo norte-americana Suzy Parker, na década de 50. Ela era considerada o rosto Chanel por excelência. Foram muito próximas e confidentes e boatos dizem que as duas chegaram a ser amantes.
Muitas vezes o lance é genético, assim como Maxime de la Falaise foi musa de Elsa Schiaparelli, sua filha LouLou de la Falaise foi o modelo ideal durante 3 décadas de Yves Saint Laurent. Paixão geracional!
Mas nem sempre a relação acaba de forma amistosa. Durante anos Inès de la Fressange foi para Karl Lagerfeld a mulher Chanel. Mas a partir do momento que Inès decidiu, no final dos anos 80, posar de peitos nus como Marianne, um dos símbolos da pátria francesa, Lagerfeld reagiu igual a um marido enciumado e rompeu com a modelo achando a atitude dela “vulgar, provinciana e burguesa”.
Hoje, como o amor se pulverizou em uma certa promiscuidade do desejo, vemos muito dessa atitude refletida nas passarelas. A cada momento os estilistas elegem suas musas para depois descartá-las. Ora tal é a queridinha ora outra é o rosto da marca e assim por diante. Parecem que os estilistas não mais amam suas modelos, apenas se apaixonam e ou então como se diz hoje, apenas “ficam” (assim como os adolescentes) com elas por uma temporada.
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Então a cada temporada, aqui no Brasil, meu coração palpita ao ver dois estilistas seguirem firmes com suas musas por mais de uma década em uma prova que mesmo com todo o império das paixões e do desejo, o amor ainda tem espaço na moda e na vida das pessoas. Com a fidelidade digna do romantismo da século 19, Marcelo Sommer ainda entra abraçado com Luciana Curtis e Alexandre Herchcovitch sempre está de mãos dadas com Geanine Marques. Elas iluminam o final do desfile desses dois estilistas como um talismã: um talismã que mais do que indicar sorte, fala a fundo sobre a relações humanas.
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7 Respostas para “O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

  1. E no fim essas duas acabam super representando a identidade da marca, né?

  2. eu adoro a luciana curtis. tenho varias revistas capricho com ela na capa

  3. Pingback: ANTONIONI E VERUSCHKA « dus*****infernus

  4. Pingback: E DO ESTILISTA? « dus*****infernus

  5. além de achar fantástico como posso ler textos inteligentes sobre moda aqui (e voltar sempre), acho melhor ainda esse olhar diferente sobre uma coisa tão simples pra nós quanto modélas e sua importância para os criadores. é por isso que eu sempre volto, por além de moda, a pauta dus infernus é sobre relações humanas!

  6. Como essa relação é interessante né Vitor?!

    Quando uma marca elege uma modelo/atriz, para ser o seu rosto, ela escolhe quem deve melhor representar suas clientes, quem é portadora de seu DNA criativo, aspirações, atitudes e valores. Como a Audrey Hepburn que tão bem representou o Conde de Givenchy, uma beleza clássica e sofisticada, a Jane Fonda e sua Barbarella com figurinos de Paco Rabanne, que marcaram uma década com seu futurismo forte e sensual/libertadora, e a Catherine Deneuve musa eterna do Yves, elegante e luxuosa.

    Fico feliz em saber que ainda temos isso, mesmo que timidamente. As musas são a alma e essência de suas marcas por uma visão romântica e são uma ótima ação de comunicação, uma vez que elas representam a imagem da marca para o grande público. Falta só a nossos estilistas verem isso mais mercadológicamente, e explorar com mais afinco.

    Beijos

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