COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 05/04/2009

camisinha

A camisinha parece não ter muitos amigos. A começar pelo Papa Bento 16. Em março desse ano, em sua primeira visita à África – o continente que tem mais de 22 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV, ele vestiu uma camisa de força e declarou que a distribuição de camisinhas não é uma saída para a prevenção da Aids.
Entendo que o Papa não queira vestir a camisinha ops, camisa na luta contra a doença, mas entrar no terreno da ortodoxia não me parece ser o melhor caminho para arrebanhar fiéis. Em 2005, pesquisa feita pela CDD (Católicas pelo Direito de Decidir) mostrava que 97% dos católicos apoiavam o uso do preservativo.
Se de um lado a camisinha é oprimida por uma radicalização no discurso da Igreja, entre muitos gays, ser um descamisado, isto é, transar sem camisinha, a partir dos anos 90, virou um símbolo de liberdade. Os barebacks – o nome dado às pessoas e à prática de fazer sexo sem camisinha – apareceram de forma tímida, com um discurso contra a anti-naturalidade de vestir algo que deve ser nu. E com as notícias da descoberta de novos coquetéis que prolongam a expectativa de vida dos infectados, acabaram ganhando muita projeção.
Com o avanço do bareback percebemos como o discurso para o uso da camisinha é autoritário. Longe de pensar que não foi por boa intenção que as ONGs usavam verbos no imperativo como “use”, “não faça”, “evite”. As campanhas então são verdadeiros filmes de terror, com imagens horripilantes. Será que não é a hora de repensar o discurso dessas campanhas?
Porque de qualquer forma, mesmo sendo vista como opressora ou oprimida, a camisinha é ainda a forma mais segura – dos que tem uma vida sexual ativa – de evitar contrair o HIV.

use_camisinha

9 Respostas para “COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 05/04/2009

  1. É realmente paradoxal, muita gente abolir o uso da camisinha justamente pelo fato dos famosos coquetéis de drogas contra o HIV terem se um grande aliado na prevenção da doença. Mas,embalada pela falsa idéia de que esses medicamentos são sinônimo de cura, muita gente anda relaxando na proteção.
    O comportamento promíscuo de muita gente independente do sexo ou classe social,contribui significativamente para os altos índices de proliferação da doença.A vida para muitos passou a ser parte integrante de uma roleta russa,onde ninguém sabe quem está contaminado ou não.Camisinha sempre,pois quem vê cara,não ver AIDS.

  2. Você como sempre,despertando o interesse de todos por assuntos que muita gente julga corriqueiro,mas que tem uma relevância fundamental para a saúde da sociedade.
    Não é a toa que sou seu fã.

    Abraço

  3. olha, sinceramente não consigo fazer sem… bom, até consigo, mas a gente relaxa e goza muito melhor com… certeza!

  4. Papa sucks…

    o foda é que mesmo com toda informação sobre a Cida tem um monte de gay adepto ao bareback.

    camisinha sempre.

  5. Cara, bastante complicado isso… Desculpa a crítica, mas tu estás bastante desatualizado sobre as atuais campanhas de uso do preservativo, que mostram homens lindos rodeados de camisinha, sem escorpiões e nenhuma destas analogias “deletérias”. E estas campanhas “atuais” são discutidas há muito mais do que 5 anos atrás, quando comecei a me interar sobre prevenção. A campanha da aranha e do escorpião supracitada é francesa, não brasileira. As melhores campanhas brasileiras saem perto do 1º de dezembro e do carnaval e são destinadas a populações epidemiologicamente importantes. Gays e outros HSH (Homens que fazem sexo com homens) estão carecas de saber que deve-se usar camisinha. Logo, estas populações não são mais alvo de campanha em massa. A não ser ano retrasado, que foram inseridas no contexto de Juventude. Mas e a população hétero, jovem, idosa? Teve recentemente a campanha dos ENTA, para quem tem mais de quarENTA anos usar camisinha. Esta campanha foi voltada para homens. Aqui no Rio nos metrôs tem campanhas voltadas para mulheres maduras. Enfim, disserto aqui sobre a necessidade também de desmistificarmos esta coisa de que gay tem AIDS ou de que gay pega mais fácil AIDS. A camisinha não deve ser vista com este viés de “não fazer parte do corpo” e sim deve ser inserida de uma maneira positiva na relação, sem a utilização de animais peçonhentos alusivos ao HIV. Eu, pessoalmente, vejo barebackers como pessoas que gostam de apanhar no sexo e que misturam dor com prazer… Ou mais facilmente, que querem “pegar o babado de uma vez prá se livrar disso”.

  6. E sobre a Terapia Anti-Retroviral o que eu tenho para dizer é que quem faz bareback justificando o uso de anti-retrovirais não sabe o que é o uso destas medicações, que tem milhares de efeitos colaterais super severos e altera todo o organismo da pessoa. Ter AIDS e HIV não é uma coisa tão fácil quanto estas pessoas pensam que é. Hoje em dia é uma doença crônica, mas pergunta para um diabético e um hipertenso se ele acha bacana ter diabetes ou hipertensão? É mais ou menos o que este bando de pessoas pregam.
    E outra, num país como o nosso, o próprio governo já disse que daqui alguns anos não vai dar conta do número de pessoas com AIDS. Estas medicações são bastante caras. Cada pessoa que as toma custa para o estado no mínimo R$ 1000 por mês. Por isso é que há uma tentativa frustrada (se não vc conheceria estas campanhas) de fazer o povo usar camisinha ao invés de sair por aí trepando sem. Camisinha sempre e independente de idade, condição sorológica para HIV, orientação sexual, gênero… Camisinha faz parte de se cuidar, quem SE AMA usa.

  7. Ah, e deveríamos transcender a prática do barebacking para qualquer pessoa que não use camisinha. Pq só os gays??? Pq eles “abichionaram” o conceito?

  8. Eu acredito que o sexo bareback evidencia uma vontade de liberdade, mais do que uma vontade de “sexo sem camisinha é mais gostoso”.
    Que repressão é essa que desperta em um sujeito a vontade de arriscar a própria vida? Qual será o valor da vida?
    Também acredito que a Aids é algo tão corriqueiro em qualquer discurso que acabou se tornando compreendido como uma ficção. Ela é vista como uma toxoplasmose, do que como algo de fato sério, que mata.

    enfim,

    beijos

  9. BRUNA DE OLIVEIRA RODRIGUES

    BOM EU JA OUVI FALAR EM SEXO,VARIAS VEZES + DESSE JEITO NUNCA HORRIVEL PARECE Q NÃO TEM + FILMES P FAZER E COLOCAM ESSE TROÇO HORRIVEL,VCS N TEM + OQ INVENTAR N?BJSSS

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