A ÁRCADE DA PRADA

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Os valores greco-romanos acabaram se tornando a síntese do que levou o nome de Humanismo e volta e meia ao longo da História preenchem o vazio do imaginário dos Homens. Se pensarmos no Renascimento e no mais explícito Arcadismo temos quase que um ato geracional de uma época que para progredir teve que fixar o olhar no passado. Sem falar que um dos valores ligados ao resgate da Grécia pelo Ocidente, o fugere urbem (fuga da cidade), pode ser sentido em exemplos díspares como na poesia de Virgílio ou de Alberto Caeiro, no ciclo do cangaço do cinema brasileiro, na música de Milton Nascimento e mesmo no último desfile da Prada para o inverno 2009. Todos esses artistas – sem exceção e sem os qualificarmos esteticamente – reforçam o arquétipo que recusa o que está acontecendo nas cidades – leia-se, nos dias que vivem ou viveram e portanto no pensamento – para tentar resgatar os valores primeiros, primordiais que para eles estariam no campo.
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Na Prada, o material para esse retorno aos valores greco-romanos perdidos estão em primeiro foco na matéria usada pela marca para as suas criações. A eleição do couro e da lã como base da coleção nos remete imediatamente aos pastores, símbolo emblemático da Grécia Antiga e que no Arcadismo, por exemplo, fez com que muitos poetas assinassem suas criações com pseudônimos pastoris (fingimento poético para não revelar a verdadeira identidade do escritor). Eram os pastores responsáveis pela lã, o tecido essencial dos gregos no inverno assim como o linho era a base da vestimenta no verão. Já o couro era usado nas tiras dos calçados e também nas roupas de guerra, e de montaria, outra idéia ligada ao campo. Tinha algo ali de campo de guerra, de militarismo também. Enfim, a Prada mixando escapismo e realidade.
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Talvez aí , no campo de guerra, esteja a chave para imagem de mulheres velhas, cansadas, as tais mulheres de Atenas que esperam seus maridos que foram à guerra. A realidade é guerra e é também por isso aparece na Prada uma silhueta que em alguns momentos nos remete aos anos 40, anos que sofreram com o crack da Bolsa de 1929 e pela Segunda Guerra Mundial. Não à toa a imagem de ringue ou a arena no final com as modelos todas paradas em tableau-vivant, pois afinal a Prada faz roupas para mulheres protagonistas, isto é, nesse caso, guerreiras!
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PS: Escrevi esse texto muito pensando em Cris Gabrielli da Oficina de Estilo e Estelinha sua filha que acabou de nascer.

6 Respostas para “A ÁRCADE DA PRADA

  1. Não me emocionou essa coleção. Prefiro Jil Sander disparado.

  2. Olha, eu até preferia Jil Sander, mas despois de ler isso e o que ela fala na entrevista da i-D, to gostando bem mais da coleção da Prada. É muito mais humana e real do que a Jil Sander, que depois de pensar em tudo isso acaba ficando super fria em sem vida. Tem todo mérito conceitual e técnico, mas a da Prada tem uma relação com a realidade de suas mulheres muito mais profunda e forte… Arrasou no texto!

  3. curiosa a convivencia de contrastes, nao?! escapismo e tenacidade encarnados na mesma ideia. fuga para o campo e guerra…
    quem dera quem pode consumir prada consumisse tambem tanta inspiracao.
    mas apesar disso acho que os desdobramentos de outras marcas vao eh beber na fonte de dona miuccia sim!!
    beeeeeela analise

  4. looks pavorosos! parece arte contemporânea que a gente tem de ler a bula primeiro pra então gostar do que está vendo… dispenso.

  5. Pingback: NOSTALGIA, ANOS 80, REVISTA QUEM E MELHORES DESFILES DA TEMPORADA INTERNACIONAL « dus*****infernus

  6. Vitor do me coração!!! Estive super por fora da internet e só vi hoje esse post pensado em mim e na minha filhota!!! Que presente pra Estela!!! E que presente pra mim poder dizer que sou amiga de quem escreveu esse texto. Acho que já disse milhões de vezes, mas vale repetir: sou muito fã sua e queria poder entrar no seu cérebro só um pouquinho pra entender como ele funciona!!! Um milhão de beijos (e vem me ver e conhecer sua nova amiguinha, vai!?!)

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