AINDA SOBRE UNIFORMES E MODA DE RUA

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No livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, o futuro – ele escreveu o romance em 1932 – é totalmente uniformizado em castas com pessoas sem personalidade nenhuma.
Ao pensar os uniformes, me veio muito esse livro na cabeça; o uniforme pra diferenciar os grupos. Fiquei intrigado o quanto tambem não seria uniforme hoje não ter uniforme. Quando toquei novamente no nome do The Sartorialist não foi nunca para invalidar o seu nome, mas sim localizá-lo e pensei se ele também não estava fotografando uniformes, os uniformes dos fashionistas. Pensei o quão paradoxal poderia parecer também essa necessidade extrema de expressão pela roupa por parte do mundo da moda e que levada às últimas consequências – como no caso das fashion victims -, não estaria ali se formando também um uniforme.
Sim, em maior ou menor grau estamos todos uniformizados, pois através das nossas roupas passamos os mesmos códigos que os uniformes. Sim, passamos esses sinais da mesma maneira só que de um jeito mais sutil e nem com tanta literalidade como é o caso dos uniformes esportivos e escolares.
Voltando ao livro de Huxley, talvez o exemplo está em Bernard Marx que mesmo naquele ambiente homogenizador, tenta o questionamento e a individualização. Pois é assim que devemos tratar todos os nossos uniformes.

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7 Respostas para “AINDA SOBRE UNIFORMES E MODA DE RUA

  1. O egocentrismo e o capitalismo exacerbado são os combustíveis que fazem pelo menos boa parte da sociedade ter esse tipo de atitude segregatícia.
    Hoje as pessoas valem exatamente pelo o que elas teêm e não pelo o que elas realmente são.
    Se você anda com roupas de grifes internacionais,com certeza será bajulado,cortejado,venerado,quase canonizadao como uma santa da moda,mas se você for apenas um mísero assalariado como a maioria dos brasileiros que teriam que trabalhar anos a fio pra comprar uma descolada calça da Diesel,evidentemente que você estará no rol dos excluídos da High Society.Os uniformes se diferem de forma de forma grotesca,justamente pelo fato de acharem que um executivo vestido com um terno Armani,seja superior a um faxineiro usando um uniforme de tecido com qualidade duvidosa.Acho que o caráter, a cidadania e a inclusão social são os uniformes que todos deveriam usar,sem exceção.

  2. Oi Victor, muito boa a analogia com o livro do Huxley,vc tem razão, mesmo querendo se diferenciar as pessoas seguem um padrão na maneira de se vestir.
    Meus amigos se vestem praticamente iguais a mim, criando uma espécie de uniforme indie-pós punk-dark-morrissey de taipas, hehehehe
    Mas e o Dudu Bertoline? Esse sim é diferente dos demais, não?

    Abração.

  3. Isso é verdade, há uma direção a uniformização – creio que culturalmente faz parte do sentido de cognição e adaptação-a moda é isso não? Benjamin também relatava este futuro…essencialmente o homem não se conhece. Quanto às ruas é isso, os recortes sociais indicam a quem pertecemos. Há muitas ‘ruas’.

  4. 14th February 2009
    Mr. Vitor Angel
    24, Main Street,
    Dusinfernus, SP, Brazil

    Dear ANGEL,
    Como vc está, querido?

    Hoje está um dia lindo aqui e promete praia. Talvez mais tarde vá a Noite dos Tambores em Benirras.
    Espero que tenha recebido meus uniformes e que eles de alguma maneira possam ilustrar o verdadeiro fetiche por trás da vestimenta e a consciência que o usuário da mesma tem do poder de seu traje.

    Sempre estivemos uniformizados de alguma maneira e a identificação rasteira das tribos as quais pertencemos agregam valores inclusive profissionais.
    Uma vez Antonio Bivar, no início do pretinho básico, declarou que no futuro todos usariam democraticamente moletom e não errou na previsão.

    Vc nunca me concontrou nas noites dos astronetes, descolex, biluzetes… (os anos 90 acabaram faz tempo, avisa!!) pois nesses ambientes os uniformes são tão obvios, brinco com amigos e digo, aquele é estilista, jornalista, trabalha com internet, lê a coluna da Maria Prata, morou 2 anos em Londres, ama NY e as novas bandinhas do Myspace. Aquela possível irreverrência não engana um olho de lince. Um territorio mais distante da baixa rua Augusta, sempre me surpreende mais.

    No entanto, a corte acredita que eles, com seus cabelos punks revisitados e seus visuais das houses de criadores, mostram o quao plugados estão no mundo. Não posso negar que são bons operários, adaptados ao contemporâneo.
    Particularmente, acho a maioria bem previsível (não todos!) e como já te disse anteriormente, as pessoas inteligentes e irreverentes de verdade, não estão preocupadas com a vestimenta do momento. Elas passam batidas ao olhar dos descolex!

    Angel, ontem, estive em 3 liquidações, uma de Helio Oiticica, outra do Zé Celso e uma terceira que resgatava as corezinhas caipiras de Tarsila do Amaral, a turma descolada daqui, revirava como loucos os containers atrás de modernidades. Comprei um parangolé lindo pra vc se jogar nas noites do Studio SP.

    No sunset, fui assistir a apresentação de um grupo local de artistas, me disseram que eles eram o máximo!!! a mídia local dá muita atenção a eles, afinal são amigos da turma da moda e trends journalists. Fazem um trabalho bem loco, meu!! misturam teatro, performances musicais num vanguardismo express yourself!!
    No final da apresentação, os locais me perguntaram o que eu achei. Bem, no Ano da Meiga, eu gritei SO WILD!!! SO WILD!! IRREVERENCIA EM ESTADO BRUTO !!! VIVA EU VIVA TU VIVA O RABO DO TATU!!!

    Best wishes,

    NUCOOL
    69, Main Street
    Gulimane
    WS1 9PO
    Micronesia

  5. no ginásio e colegial no japão a gente tinha que usar uniforme e a gente fazia tanta coisa pra se diferenciar das outras meninas. e todos esses recursos eram proibidos, mas vc acha! era tipo uma disputa de quem usava a saia mais curta e tal.

  6. Victor, acho até que a uniformização é menor hoje, se a gente for pensar nos anos 80 (com os grunges super desarrumados, mas uniformizados). Mas essa coisa de “moda”, entendido como o que é as revistas publicam, como as novelas exibem, acaba padronizando o “gosto” do povo. E assim, fica mais fácil vender produtinhos. (a tal indústria da cultura, né Adorno e Horkheimer?)
    Meu irmão de 16 anos estuda em um colégio em que é preciso usar uniforme completo (sapato preto, meia branca, calça azul de tecido, camisa oficial da escola e nas sexta-feiras há uma outra camisa alternativa), caso contrário não assiste às aulas. Eu tive um ataque quando fiquei sabendo disso. Mas os pais nem se manifestam. Acham bonito.

  7. Pingback: literalidade.net - AINDA SOBRE UNIFORMES E MODA DE RUA

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