MODA, MODA DE RUA E OS UNIFORMES

dsc02309
Carol Vasone, editora de moda do Uol, tem me dado oportunidade de fundamentar minhas questões sobre moda de rua. Como já disse e escrevi acho muito fantasioso achar tanto o The Sartorialist como o menino magrela meio sem sal que esqueci o nome que vem sempre aqui em São Paulo fotografar porta de desfile serem chamados de fotógrafos de streetstyle. Não tirando o mérito dos trabalhos deles, o que eles fazem é algo importante para uma antropologia das esquinas dos desfiles, da periferia que rodeia o mundo da moda, mas está longe de ser um recorte honesto da chamada moda de rua.
Cito Vasone e o Uol porque veicular as imagens em um grande portal é de suma importância para a desseminação do que acredito serem os objetivos de uma moda de rua. Atinge o olhar de inúmeras pessoas e não necessariamente só os que estão viciados tanto na linguagem fashion como na linguagem dos blogues de streetwear – aliás esses, aqui no Brasil, graças a Deus, cada vez mais distantes do olhar imperial do Sartorialist ou do menino sem sal.
Dessa vez minha missão foi pensar sobre os uniformes e achá-los no meio da multidão. Os uniformes, por excelência, prezam igualar pela diferença. Eu sei se um menino estuda no Dante ou numa Escola Estadual, assim como eu sei quem é policial, quem é servente, quem é executivo e quem é segurança pelo uso do uniforme. Eu sei a classe social, a especialidadem e a função pelo uniforme. Ele é uma roupa cheia de códigos prontos e todos sabemos “instintivamente” lê-los.
Existe uma simbologia austera e erótica em um uniforme de aeromoça, existe um pragmatismo no uniforme de um marronzinho. Olhar os uniformes é também entendermos os códigos de nossa cidade e de nosso tempo não só pela questão social, mas também erótica. Não é à toa que alguns uniformes são vendidos em sex shop. E numa relação muito direta podemos dizer que existe desejo em certos uniformes da mesma maneira que os estilsitas querem imprimir desejos em suas coleções.
Aqui está meu ensaio para o Uol!. Veja o que acha pois a discussnao sobre os uniformes está apen as começando.

Anúncios

14 Respostas para “MODA, MODA DE RUA E OS UNIFORMES

  1. amo o marronzinho clubber. e só o que os meninos fazem pra personalizar os uniformes das escolas já rendia um textão, não?!??

  2. É muito assunto para um post só…as ruas são feitas de recortes, a moda de tribos e daí a necessidade de averiguar o próprio olhar não? Achei tendencioso o que se considera ‘rua’ neste caso. O Sartorialist faz um trabalho de moda focado no mercado de moda e para quem curte, acho inclusive que eles prestam um serviço bastante informativo, apesar de não concordar com algumas visões deles também, meio clichês. Quanto aos uniformes, dão um post a parte. Mas muitos não estão bons mesmo, inclusive aquele terninho azul da Cometa, que não é nada moderno, sem contar as produções de outros. Quanto às ruas, dependem de onde andamos né? Há verdadeiros ícones (ou símbolos) de moda mesmo, que se unem em todas como objetos de informação.

  3. Vitor, ficou demais! Isso sim é muda de rua de verdade!

  4. adorei
    o que mais em atrai nesse assunto é que a tentativa de uniformizar (no sentido de “tornar todo mundo uniforme”) vai para o brejo pq todo mundo acaba conseguindo imprimir um jeito de mandar uma mensagem só sua no meio daquela calça e blusa que são obrigados a usar. seja no sapato, no acessório, no jeito de usar, na manga arregaçada… é como uma prova de que a gente invariavelmente quer se diferenciar pelos artifícios da moda.

    ai, chega, pensei demais, preciso fazer minha carta de demissão, bjs.

  5. respondi no e-mail da Paula, mas voltou, então aqui está o começo de ums troca de idéias:
    Oi Paula, obrigado pela visita e obrigado pelos comentários.
    Mas não sei se concordo contigo pois o que se considera rua deve ser visto com mais amplidão, pois mesmo fazendo um recorte, ele deve ser claro, como por exemplo: uniformes, quando o Satorialist diz moda rua, ele pouco especifica. Como disse e vc parece concordar ele faz um trabalho de periferia dos desfiles. É válido, mas pouco eficaz nomear a moda rua a partir das roupas dos fashionistas. Pra mim, esses blogues, só deslocam para uma locação ao ar livre o que o fait divers e as revistas de fofoca fazem quando perguntam pra atrizes e atores e personalidades da moda, dentro da sala de desfile, o que eles estão usando.
    Sobre os looks, acho também que é uma questão de olhar. O terninho sempre é mais contemporâneo que o tailleur e sem blazer aindam mais para os tempos que vivemos hoje e para Brasil. O tailleur azul da Cometa na minha opinião é um respiro no mar de cores neutras que re ge essse vestuário. E como é moda rua a palavra produção faz pouco sentido aqui.
    Sim, precisa-se melhorar os uniformes, a maioria é de qualidade ruim e rege um espírito escravocrata e separatista. Não à toa que o projeto Mac Donald’s -Herchcovitch mereceu tantas fotos.
    um grande abraço.

  6. darling, que sintoniaaaaaa
    ontem, na aula da Mariana Rocha lá na pós (éééé, a colunista da uollll), debatemos sobre uniformes! nem tinha visto seu post! surgiu por acaso porque uma das alunas, a mãe tem uma fábrica, e a Mariana contou suas experiências de criar uniformes, de tentar agradar quem usar, saber suas necessidades, as necessidades do patrão, a capacidade de identificar o funcionário e ao mesmo tempo torná-lo invisível…

    só tem UM uniforme que me irrita MUITO. to escrevendo um post sobre isso. os jalecos. como moro do lado das clínicas, no meu prédio só tem médico. na padaria tb. e eles SÓ ANDAM COM AQUELA BOSTA! Jaleco serve para proteger o médico de contaminação e para ele nao levar as equinhas de hospital para a rua e contaminar a galera. mas, como eles não largam (pra mostrar que são médicos, muito importantes), eles levam as equinhas hospitalares pro mundo! Outro dia peguei elevador com um do IML. dei chilique e ele tirou hahahaha

    bjssss

  7. Ok Vítor, mas não sou Paula, sou Paulo =) o email foi com erro mesmo, tá consertado. De todo modo seu espaço é muito bom, parabéns pelo trabalho.

  8. ANGEL. AMEI!!! ANTROPOLÓGICO!!!
    Vc sabe que adoro uniformes. Achei meio fraca uma parte da produção fotográfica, claro que tá no nível UOL Tô aqui na Micronésia, no deck e assim que chegar a noite em casa, te envio uns uniformes da minha coleção particular. Tinha muito mais, mas acabei deletando… vc vai simplesmente amaaaaaar! Todos muito excitantes!
    SAUDADES!!
    ;0)

  9. mto bom, Vitor! Eu entendo seu repúdio ao Sartorialist e ao Face Hunter ( Yvan Rodic é o nome do vara-pau sem sal que dá pinta por aqui de vez em qdo…) mas, veja bem, tanto a sua moda rua, quanto a deles, é válida. Nenhuma é melhor que outra, e nem acho que eles tenham a pretensão de chamar o que eles fazem de legítima representação da moda que se vê nas ruas. Aquilo é um pedacinho que, por acaso, é veiculado em mídia especializada, portanto super coerente. Ia ficar estranho se eles fotografassem os atendentes do Burger King da Champs-Elysées pra publicar no Style, não ia? Enfim, é TUDO moda rua, tanto um quanto o outro. Se bem que, pra mim, para ser considerado streetstyle, há de se haver intenção de passar uma mensagem, e a maioria dos coitados de uniforme está assim pq é obrigado e não por opção. A não ser os que dão uma customizada na coisa…Mas isso é outra história.
    PS: Adorei o uniforme da padaria CPL , super atual, não? Bjo!!

  10. Moda de rua para mim é tudo muito subjetiva,embora todo mundo siga algumas tendências justamente pra estar plugado em determinadas tribos.Mas, tudo isso é válido com certeza.Cada um usa aquilo que gosta e sente bem.
    Quanto a questão dos uniformes.Eu, achei muito pertinente essa abordagem,pois ela põe em cheque alguns preconceitos e segregações que ocorrem com as pessoas que fazem uso dessas peças do vestuário de vários trabalhadores mundo a fora.Só que há um grande paradoxo em tudo isso.O mesmo uniforme que caracteriza um contraste social entre a burguesia e o prolitariado,também povoa as mais tórridas fantasias de uma sociedade hipócrita que marginaliza e torna essas pessoas invisíveis,a ponto de subjugá-las de forma vil e cruel.
    Porteiros,faxineiras,empregadas domésticas são as maiores vítimas desse descaso,mesmo assim o fetiche por esses uniformes continua sendo marca registrada nos Sex Shop, que agradecem pela preferência de seus ávidos clientes que mantém suas taras por essas profissões.
    Parabéns mais uma vez por trazer á tona um tema legal para ser debatido com afinco,coerência e verdade.Achei bastante audaz essa sua incursão por esse campo minado que é o mundo dos uniformizados,essa sua odisséia fashion foi sem dúvida alguma uma das melhores até agora.Isso prova que você sabe gravitar em todos os universos,seja entre os mais antenados e descolados,até os mais singelos que não sabem de verdade o significado de ser Fashion.

    Abraços.

  11. trabalho na secretaria de finanças da pmsp e uso uniforme! sinceramente acho horrível, mas acho ótimo pela identificação e tal (apesar de que muita gente que anda na rua assim é parado e já foi até agredido por isso! fisicamente, moralmente, tudo por causa do emblema da prefeitura) mas de qualquer forma o uniforme poderia ser mais sóbrio… usamos uma camisa azul claro e gravata vermelha!!! não acho legal, se fosse um uniforme bacana, teria até orgulho de sair na rua assim! mas por enquanto eu deixo aqui no vestiário mesmo…

  12. Olá Vitor.
    Esta matéria sobre uniformes é muito pertinente.(curiosamente estava/estou a preparar exactamente umas postagens de uns uniformes que desenhei para um spa de Lisboa)

    Em relação aos blogues que referes, The Sartorialist e o do menino sem sal (!), acho que já te tinha dado a minha opinião e que vai completamente ao encontro do que referes- basta fazer um scroll na 1ª página para imediatamente reconhecer os clichés. Moda de rua é muito mais do que a moda das fashion victims. Como acima refere o Adriano é também a moda dos que desconhecem, intencionalmente ou não, o factor F. Pessoalmente, acho estas pessoas muito mais inspiradoras porque consegues encontrar nelas cenas sem precedentes, verdadeiramente inovadoras e genuinas.

  13. ótimo!

    mas os médicos andam com os jalecos não porque queiram, mas porque não têm onde deixá-los… só para informação

  14. Pingback: Moda, tendências e identidade « /duodeluxo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s